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Sónar São Paulo começa nesta sexta (11) com 48 atrações; criador fala sobre o festival

O DJ americano Jeff Mills, uma das atrações do Sónar São Paulo, toca na edição do festival em Barcelona - Getty Images
O DJ americano Jeff Mills, uma das atrações do Sónar São Paulo, toca na edição do festival em Barcelona Imagem: Getty Images

Marcus Vinícius Brasil

Do UOL, em São Paulo

11/05/2012 07h00

Oito anos depois da primeira edição em São Paulo, o festival catalão Sónar volta à cidade neste final de semana. A estrutura montada no Anhembi recebe na sexta (11) e no sábado (12) 48 atrações, nacionais e estrangeiras, divididas entre três palcos - o SonarClub, SonarHall e SonarVillage.

Ainda há ingressos disponíveis para os dois dias.

A escalação artística do Sónar é uma mistura de nomes consagrados, como o grupo alemão Kraftwerk, o cantor americano Cee Lo Green e a dupla francesa Justice, com nomes pouco conhecidos da cena alternativa. Entre esses, o produtor inglês James Blake, o californiano Flying Lotus e a dupla alemã Modeselektor merecem destaque.

Confirmada como atração do dia 11, a islandesa Bjork foi obrigada a cancelar seu show no festival por problemas de saúde.

Também não faltam DJs e produtores brasileiros no programa. Figuras bem conhecidas da cena eletrônica nacional, como Marky, Patife e Gui Boratto, se juntam a talentos emergentes, como o brasiliense Pazes e o mineiro Psilosamples. Os rappers Criolo e Emicida também cantam.

  • O logo do Festival Sónar São Paulo, seguido pelos logos de todas as edições do festival em Barcelona, desde 1994

Paralelamente aos shows, haverá mostras de cinema e palestras de profissionais do setor audiovisual.

Quatro dias antes do início do Sónar São Paulo, o co-fundador do festival, o espanhol Enric Palau, recebeu a reportagem do UOL para falar sobre o projeto. Contou sobre o trabalho da produção para substituir Björk, a estrutura no Anhembi e o desafio de manter o nome do festival relevante, 18 anos depois de sua primeira edição na Espanha.

UOL Música - Você produziu a primeira edição do Sónar em São Paulo em 2004. Desde então tentou trazer o evento outras vezes para o Brasil?

Enric Palau - Nós mantivemos contato, mas ainda não tinha chegado o momento certo. Depois de um ano de conversas, encontramos o lugar e os parceiros certos. É a hora perfeita para voltar, com o país ainda mais acostumado a festivais de música. A situação é diferente daquela em 2004. Agora esperamos estabelecer o evento para que ele seja realizado anualmente no Brasil.

UOL Música - Alguma outra cidade brasileira poderia receber o festival?

Enric - Discutimos isso. O Rio de Janeiro tem um grande potencial. Mas se você quer se concentrar em uma cidade, tem que ser São Paulo. É a Nova York da América do Sul. Estamos felizes de fazer o festival aqui, e receber artistas de outras regiões do país, como é o caso do Psilosamples [Minas Gerais] e do Silva [Curitiba]. Também haverá pessoas vindo de outros lugares.

UOL Música - Quando a produção soube que Björk não poderia cantar no Sónar?

Enric - Sabíamos que ela estava com problemas de saúde. Antes de nós, cancelou Buenos Aires, e esperamos uma semana para saber dos resultados de exames que ela fez em Nova York. Assim que fomos informados, preparamos o anúncio oficial.

UOL Música - E vocês conseguiram substituí-la a tempo pelo Kraftwerk

Enric - Fizemos um grande esforço, e tivemos muita sorte que em 3 ou 4 dias conseguimos substituí-la pelo Kraftwerk. Estávamos em contato com eles havia um ano, sabíamos que eles estavam preparando esse show em 3D, então os chamamos no momento certo. Eles estavam felizes com os shows no MoMA, e queriam fazer mais apresentações. Foi muito gentil terem aceitado o convite num espaço de tempo tão curto. São artistas muito especiais, não fazem discos novos e saem em turnê depois.

UOL Música - As edições do Sónar fora de Barcelona sempre lhe deixaram satisfeito?

Enric - A maioria sim. Houve só o caso da Coreia, que foi um pouco estranho. O país é muito interessante no campo das artes visuais, mas não conseguimos nos conectar musicalmente com o público. Não apenas pela música que estávamos apresentando, mas acontece que a Coreia fica fora do circuito. As edições mais interessantes que já realizamos fora da Espanha foram as de Tóquio e de São Paulo.

UOL Música - A crise economômica tornou o trabalho de produção do festival mais difícil?

Enric - Na Espanha, a diferença é que agora os patrocinadores estão com uma verba menor do que antes. Mas a procura do público continua a mesma. As pessoas não estão comprando um novo iPod ou uma nova tela de plasma, mas elas ainda gastam dinheiro na experiência ao vivo do festival, que não pode ser reproduzida de outra maneira. É algo que você precisa ir e experimentar fisicamente.

UOL Música - Muitos nomes presentes no festival já se apresentaram no festival e no Brasil em outras ocasiões, como Justice, Modeselektor e James Holden. Você acha que faltam novos nomes de peso na cena eletrônica?

Enric - Acho que não. James Blake, por exemplo, só apareceu há poucos anos e já é um grande nome. Há artistas menores vindos de Los Angeles, como o Flying Lotus, que são bem interessantes também. O próprio Little Dragon, apesar de já ter alguma estrada, só ganhou mais destaque recentemente com a parceria que a banda fez com o Gorillaz. Os grandes nomes da música em geral não mudam tanto assim, e a proposta do Sónar não é se concentrar neles apenas.

UOL Música - Quão difícil foi, ao longo desses 18 anos, se manter fiel ao conceito original do festival, com tantas edições espalhadas pelo mundo?

Enric - Na maioria dos casos, falar sobre "raízes" é sinônimo de conservadorismo. Mas o conceito original do Sónar é ser inovador. É o que faz as coisas interessantes para nós, descobrir coisas novas. Se seguirmos esse princípio, o festival será diferente todo ano. A maioria dos artistas está apresentando suas músicas pela primeira vez. Alguns dos shows são feitos apenas para este evento. É o que as pessoas gostam no Sónar, e o que elas esperam que nós façamos.

SÓNAR SÃO PAULO

Quando: dias 11 e 12 de maio
Onde: Parque Anhembi - Av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana
Quanto: Ingresso por dia: R$ 250 / Ingresso para os dois dias: R$ 450
Mais informações no site oficial do evento