"Estamos sempre nos reinventando", diz KL Jay, dos Racionais MC's

Daniel Solyszko
Do UOL, de São Paulo

  • Enio / Divulgação

    KL Jay, o responsável pelas batidas dos Racionais MC´s

    KL Jay, o responsável pelas batidas dos Racionais MC´s

Um dos destaques do VMB 2012, que aconteceu na noite de quinta (20), os Racionais MC´s fizeram o show de encerramento da cerimônia, além de ganharem o prêmio de Clipe do Ano por "Mil Faces de um Homem Leal (Marighella)". Em entrevista exclusiva para o UOL durante a festa que aconteceu após a cerimônia, KL Jay, o DJ responsável pelas batidas do grupo, comentou: “ É uma satisfação ser reconhecido, mas a intenção nunca foi fazer o videoclipe para ganhar, ou fazer música pelo sucesso. Fazemos música com referência naquilo que a gente acredita e naquilo que a gente vive. O prêmio e o sucesso são consequência”.

O DJ comentou que antes de rodar o clipe conhecia a história do guerrilheiro de esquerda Carlos Mariguella, que inspirou a música, apenas superficialmente.  “Sempre soube que foi alguém importante que lutou contra a ditadura. Fui conhecendo mais a fundo durante o videoclipe”, diz.

  • Leonardo Soares/UOL

    Os Racionais MC´s recebem o prêmio de Clipe do Ano no VMB 2012

O vocalista Mano Brown teria sido chamado para gravar a canção, que faz parte da trilha sonora do documentário "Marighella”, por se identificar pessoalmente com o militante. “Existe uma coincidência entre o Brown e ele. Ele também era filho de baiano, não conheceu o pai, sofreu com isso. E o Brown é o cara dos Racionais que se expõe, fala o que pensa”, conta.

Apesar dos Racionais serem conhecidos por suas letras socialmente engajadas, Jay defende que a cena de hip hop, seja aqui ou lá fora, não precisa necessariamente ser politizada. “Temos nosso estilo, que é mais politico, mais engajado, mais pesado. Mais isso não quer dizer que os outros tenham que ser como os Racionais. Não tem que ser uma tendência, porque isso nos limita, nos escraviza”, diz ele sobre a cena.

Muita gente vê o hip hop produzido nos EUA como algo mais superficial, com letras sobre ostentação, mas o DJ não concorda com essa visão: “O hip hop norte-americano é muito forte, vai pro mundo inteiro mesmo, por causa da influência do país. Tem muita gente engajada e política no hip hop norte-americano. Se o hip hop fosse só ostentação, ele já teria acabado, estaria chato”, diz ele.

Novos estilos, alguns muito influentes, surgem e desaparecem o tempo todo, mas o hip hop se mantém há mais de 30 anos e ainda consegue ser impactante. Sobre essa longevidade, Jay diz que  “hip hop é o resgate da música negra mundial. É forte, é grandioso. É por isso que está aí e não vai acabar tão cedo. É como você entrar no candomblé e ver os caras tocando tambor, é real, é pesado. Isso envolve as pessoas, a linguagem direta. Se você fala sem rodeios, e com poesia, forma um conjunto que faz a música permanecer viva", diz ele.

O novo disco dos Racionais está sendo gravado aos poucos, e provavelmente só deve sair no próximo ano. “Estamos sempre nos reinventando. O som fica moderno e depois volta para o antigo, mistura as duas coisas”, comenta ele, que afirma que no momento está ouvindo Lô Borges e muita coisa de jazz, além obviamente de hip hop. “Ouço Coltrane quase todos os dias. Eu treino scratch (técnica usada por DJs para arranhar o disco) ouvindo jazz, para aprimorar o meu tempo”, conta.

O grupo, que não lança um álbum com inéditas desde “1000 Trutas, 1000 Tretas”, de 2006, está focado no momento no lançamento do novo disco de Edi Rock, que se chamará “Contra Nós Ninguém Será”, e deve ser lançado nos próximos meses.    

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