Psy e seu "Gangnam Style" são ponta do iceberg do pop coreano; conheça mais bandas do gênero

Mariane Zendron
Do UOL, em São Paulo

  • AP

    PSY, dono do hit Gangnam Style, um dos mais vistos da história do Youtube

    PSY, dono do hit Gangnam Style, um dos mais vistos da história do Youtube

Com estilo brega-chic e uma dança bizarra sobre um cavalo imaginário, o cantor coreano Psy fez com que o clipe da música “Gangnam Style” se transformasse em um dos vídeos mais vistos e “curtidos” da história. São dois milhões de “likes” e mais de 260 milhões visualizações. No Brasil, o hit ganhou até uma versão criada por Latino, apesar de ter sido reprovada por parte do público.

  • Integrantes do Girls Generation: fofas e sedutoras

As belas dançarinas, o figurino impecável, a coreografia bem ensaiada e a batida eletrônica de “Gangnam Style” também chamaram a atenção do grande público para o fenômeno no qual Psy está inserido: o pop coreano, ou o K-pop, que atrai novos fãs desde a década de 1990. Assim como no pop ocidental, o gênero conta com influências do hip-hop, rock, R&B e a música eletrônica, mas com sonoridade diferente e com artistas que parecem saídos de desenhos animados.

Os astros do K-Pop
Assistindo apenas aos vídeos mais populares de um canal criado para o K-pop no YouTube é possível perceber que Psy é uma exceção entre os ídolos coreanos. Os artistas mais famosos do gênero fazem partes de boys ou girls bands (Girls Generation, Super Junior, Big Bang, 2NE1 e SHINee, só para citar alguns), muito semelhantes a grupos ingleses e norte-americanos, como o novato One Direction ou o sucesso dos anos 1990 N'Sync. Artistas solo também são bem vistos, como BoA e o Se7en, ambos com o mesmo ar sedutor dos integrantes dos grandes grupos.

Diferentemente de Psy, as garotas do Girls Generation ou os meninos do Big Bang não zombam dos ricos ou aspirantes a ricos de Seul e nem exibem quilinhos a mais num terno apertado. Os integrantes dos grupos coreanos mais famosos são jovens, bonitos, magros, estilosos e com maquiagem e penteado impecáveis. Nas músicas, que contam com coreografias elaboradas e algumas frases em inglês, eles cantam geralmente sobre o amor.

No clipe de “Gee”, do Girls Generation, com mais de 89 milhões de visualizações no YouTube, as nove integrantes fingem ser manequins de uma loja que despertam durante a noite e dançam graciosamente. “Você é tão bonito que meus olhos ficam cegos, cegos. Eu estou tremendo tanto que mal consigo respirar”, cantam elas com shortinhos coloridos. Outra diva coreana pode ser vista no clipe do "Gangnam Style". A garota que aparece no metrô e que dança com Psy é Hyuna, uma das integrantes do grupo 4Minute e uma das cantoras mais desejadas da Coreia do Sul.

Minidicionário de K-pop

Fã de K-pop há seis anos, a revisora do K-pop Station, Patricia Kazys, ensinou expressões e palavras que todo K-popper deve saber:

Sarangheyo: Eu te amo

Bias: seu integrante favorito do grupo, o tipo ideal

Annyeong Haseyo: Olá, oi, bom dia, boa tarde, boa noite

Oppa: É como uma garota mais nova chama um garoto mais velho

Unnie: É como uma garota mais nova chama outra, mais velha

Nunna: forma de tratamento usado pelos homens para amiga ou irmã mais velha

Em comum com Psy, esses pop stars têm a superprodução em suas apresentações ao vivo e nos clipes. Integrante do site brasileiro K-pop Station, Babi Dewet conta que os ídolos coreanos levam a produção de shows e clipes muito a sério. “Eles estão sempre muito bem arrumados, produzidos. Acreditam que o artista também é um espetáculo. Você nunca vai vê-los se apresentando de chinelo, por exemplo”, diz ela, que começou a gostar do gênero após assistir às novelas coreanas, conhecidas como doramas, que têm suas trilhas sonoras recheadas de hits daquele país.

Treinamento militar
A criação desses grupos na Coreia é diferente do resto do mundo. Empresas como YG, SM e a JYP realizam audições periódicas até encontrarem os jovens que procuram para a formação de um novo grupo. Depois de selecionados, esses cantores passam por rigorosos treinamentos que duram em média dois anos antes de serem lançados ao mercado.

Lee Hark-joon, diretor do jornal sul-coreano “Chosun Ilbo”, acompanhou o grupo Nine Muses por um ano para um documentário. Em entrevista ao jornal “New York Times”, Hark-joon contou que "elas treinam como androides e até são proibidas de namorar durante o período de estágio". O jornalista ainda disse que os ensaios duravam, em média, 12 horas por dia, sete dias por semana. Em alguns casos, as empresas oferecem alojamentos para os trainees.

Além de ensaiarem a letra e as coreografias, os futuros astros têm que se esforçar para entrar num padrão de beleza pré-estabelecido. Babi, que já criou vídeos para o YouTube para explicar as peculiaridades do K-pop, revela que muitos artistas até se submetem a pequenas cirurgias plásticas. “Eles precisam ser os melhores em tudo porque a competição entre os grupos é muito intensa. Com a quantidade de artistas que surgem todos os dias, se você não agradar, logo está fora do mercado”.

Segundo Babi, os treinos intensos continuam após a estreia do grupo. “Como parte da cultura oriental, ele são muito disciplinados. Depois de uma apresentação, eles sempre dizem que vão trabalhar muito e se esforçar mais para a próxima apresentação”.

 

Fãs brasileiros
Representante do site K-pop  Brasil, Anderson Muriel conta que no Brasil existem fãs do gênero há muitos anos, mas o pop coreano só pegou no ano passado quando artistas, como MBlaq, Beast, G.NA e 4minute, vieram ao Brasil. O cantor Junsu se apresentou em São Paulo em setembro deste ano e a próxima atração aguardada pelos K-poppers é o grupo Big Bang. A data do show ainda não foi confirmada, mas o grupo deve se apresentar no Brasil em novembro deste ano.

Apesar do crescente número de fãs do gênero, ainda não há baladas específicas para K-pop. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, algumas festas em que o pop coreano é atração principal são realizadas regularmente, mas sem local fixo. “É comum os fãs se encontram em festas fechadas ou eventos de animes brasileiros. Há também muitos grupos de covers de K-pop e nesses encontros as pessoas acabam fazendo amizades”, diz Babi. Apesar da faixa etária dos fãs estar entre 15 e 20 anos, não há uma idade certa para ser fã de K-pop. “Conheci muita gente de 30 anos que é fã dos grupos mais antigos, dos anos 1990”, conta Babi. “O que muda são os artistas preferidos de cada faixa etária”, diz Anderson.

B-pop
De olho nesses fãs brasileiros, a produtora Soundz prepara para os próximos meses a estreia da cantora Bia Boss, que irá se inspirar no K-pop, mas cantará em português e inglês. “O seu estilo será a música eletropop com toques do hip-hop, assim como muitos dos artistas do K-pop. As principais inspirações vêm do pop coreano e do americano, mas não deixaremos de lado as raízes brasileiras”, revelou a produtora  Harumi Yukawa, ao UOL.
 

 



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