Aos 60, Baby do Brasil ressurge e afirma: "Estou de volta, totalmente matrix"

Fabíola Ortiz
Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Thyago Andrade/Foto Rio News

    Baby do Brasil se apresenta com Caetano Veloso no Vivo Open Air. O evento no Jockey Club, na Gávea, Rio de Janeiro, contou também com exibição do filme "De Volta Para o Futuro" (31/10/12)

    Baby do Brasil se apresenta com Caetano Veloso no Vivo Open Air. O evento no Jockey Club, na Gávea, Rio de Janeiro, contou também com exibição do filme "De Volta Para o Futuro" (31/10/12)

  • http://img.uol.com.br/ico_ouvir.gif Ouça canções de Baby do Brasil na Rádio UOL

Aos 60 anos, Baby do Brasil aceitou o convite de retornar aos palcos cantando antigos sucessos ao lado do filho, o músico Pedro Baby, que já tocou com nomes como Marisa Monte, Bebel Gilberto, Ana Carolina e Gal Costa e assina a direção do espetáculo da mãe. “Eu estou de volta no futuro, venho com tudo o que eu tenho. Tem algo muito louco nisso, muito sobrenatural”, disse ao UOL Baby do Brasil na estreia do show “Baby Sucessos”, na madrugada desta quarta (31) para quinta, no Vivo Open Air, evento no Jockey Club do Rio de Janeiro.

Ela, que já foi símbolo de rebeldia e cantou grávida nos palcos na época dos Novos Baianos com  Pepeu Gomes, além de ter sido comparada a Janis Joplin por Moraes Moreira, se apresentava desde a década de 1990 apenas em eventos de música gospel. Baby se denomina uma “popstora”, depois de tornar-se evangélica da Igreja Intercelular Sara Nossa Terra.

Ao longo de quase duas horas de show e um setlist de 18 canções com a participação especial de Caetano Veloso, o retorno de Baby do Brasil veio para “matar a saudade”, como define o filho Pedro Baby, quem organizou os arranjos. Algumas canções receberam uma roupagem nova como “Telúrica” (assinada pela então Baby Consuelo e Jorginho Gomes) que foi gravado no disco “Canceriana Telúrica”, de 1981. “Ele Mexe Comigo” (de Pepeu Gomes, Galvão e Baby), do álbum “O Que Vier Eu Traço” (1978) também animou o público, assim como “Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira” (de Pepeu Gomes e Moraes Moreira), que entrou no disco “Pra Enlouquecer!” (1979).

Mostrando agilidade e muita descontração no palco, Baby brincou com o público ao dizer: “Quando eu recebi o convite do Pedro, ele falou: ‘Mãe, você acha que Deus vai deixar você tocar comigo? Então aperte os cintos’. Eu disse que não sabia que Deus era muito louco. É um prazer maravilhoso estar com vocês e com o menino responsável por essa loucura”.

O momento de maior emoção foi quando Caetano dividiu o palco com Baby para cantar “Menino do Rio” e “Farol da Barra”. “Quando eu fiz 60, você fez 70. Quanto eu tinha 17, você tinha 27. É uma coisa louca, não é? Canto para Deus proteger-te. É o sobrenatural, não é mesmo?”, falou Baby. Mesmo as expressões de Deus que, em muitos momentos, permearam o show, o público não se importou nem um pouco e aplaudia quando Baby lançava suas reflexões.


“Loucura hoje é ter gospel na minha vida”

Perguntada se tinha saudades da época dos Novos Baianos e da transgressão e rebeldia que marcaram suas atitudes, Baby se defende: “Eu não consigo dividir aquela época com a época de hoje. A loucura hoje é ter gospel na minha vida. Se Deus mandou, nós vamos arrebentar a boca do balão todo o tempo”, disse ao UOL.

Com o filho, Pedro, Baby era só chamego. “O show foi uma delícia, a gente se segurou o tempo inteiro para não chorar, para não perder o controle e não virar aquela corujice de mãe. Um prazer sobretudo de ver um  filho que era pititinho”, brincou. Baby que acaba de lançar um CD gospel e também irá lançar um outro nos Estados Unidos. Para ela, o convite do filho para "Baby Sucessos foi vibrante a experiência, algo quase divino. 

“Ele me chamou para fazer esse show com álibi de que era um presente dos meus 60 anos. Ele gostaria de ver a mãe como era. É tão emocionante, uma experiência que não pensei que seria assim dessa maneira”, admitiu. Nos palcos, Baby do Brasil não dá sinais de que vai aposentar. “Aposentar, o que será isso?”, brincou. Perguntada sobre como define este momento em sua vida, aos 60 anos, ela afirma: "Totalmente matrix”.

Após o show, Baby pôde sentir o carinho e o afeto de amigos e artistas que foram vê-la, como Marisa Monte, Mart’nália e Zélia Duncan. “Ainda não caiu a ficha, só daqui a uns dois dias”, disse Pedro que montou o repertório. “O projeto é mais um matando a saudade. Eu estava com muitas saudades e senti que era de todos. Estou tentando abranger as músicas que eu gosto”, salientou. 

O projeto elaborado por ele foi inspirado após ter ouvido de Gal Costa, em fevereiro deste ano, a sugestão. “Foi um recado divino que eu ouvi dela. Eu tenho uma relação com a Gal muito maternal. Ela perguntou se eu tinha tocado com a minha mãe alguma vez, falei que já tinha tocado havia muitos anos. E ela olhou e falou com toda a sinceridade: ‘Deve ser a maior alegria na vida de uma mãe tocar com o filho””, lembrou.

Após o show, Baby fez um anúncio de que este teria sido a primeira, mas não a sua única apresentação. O projeto “Baby Sucessos” irá para o Circo Voador, no Rio, ainda sem data e pode ainda virar uma turnê e um DVD. “Com essa aceitação, o caminho natural é virar turnê”, disse Pedro.

O que dizem de Baby

O show de Baby foi um encontro de gerações, os mais velhos que acompanharam o início de sua carreira com o grupo Novos Baianos, no final da década de 1960, e os jovens que cresceram ouvindo as músicas. “Estou tão feliz de pensar que a minha mãe está podendo matar a saudade de um público que já está há muitos anos querendo ouvir os sucessos dela. Eu também tenho saudades das músicas que cresci ouvindo. Ela nunca foi embora, ela está agora voltando para casa”, contou Zabelê, uma das filhas de Baby, momentos antes do show.

“Se ela cantar 'Todo Dia Era Dia de Índio' e 'Menino do Rio', eu já estou realizada”, disse ao UOL a atriz Camila Pitanga que foi conferir o show. “Ela é uma pessoa ícone na história da música brasileira e sempre trouxe muita coisa boa pra gente. Estou esperando o melhor dela. Vai ser um encontro emocionante, é um momento bonito, estou feliz de estar aqui”, destacou.

A atriz Fernanda Paes Leme que, apesar de não ter vivido a época dos Novos Baianos, cresceu ouvindo as canções que se imortalizaram na voz do grupo. “Foi uma revolução que eles fizeram na música. Foi um capítulo importante na história da música brasileira. Ela andava sumida e eu não podia deixar de ver de perto. A Baby veio para ficar, veio chutando com o pé na porta”, disse ao UOL.

Já nas palavras da cantora Ana Carolina, o momento que marca a volta da cantora ao cenário musical é de “renovação”. “O Pedro faz uma releitura e tem uma juventude com a expressão da Baby”.

A cantora Maria Gadú, que dançou todas as músicas durante o show bem pertinho do palco, diz que se emocionou com a participação de Caetano. “Foi o melhor 'Menino do Rio' que eu já vi em toda a minha vida. Vi a alegria da Baby e a nossa alegria de público. Ela é uma gênia. Queria a Baby de volta para sempre”.

E a diretora de teatro, Bia Lessa, relembrou que esteve em vários shows dos Novos Baianos, mas que o momento que a mais marcou foi ter ouvido quando pequena Baby cantar “Brasileirinho”. “Fiquei absolutamente alucinada. Já estive em muitos shows da Baby. Ela tem uma liberdade e um poder com a voz e com o corpo que é extraordinário. Ela é a própria música. Baby é igual a liberdade, é incrível”.

Veja o setlist do show:

"Seus Olhos"
"Telúrica"
"Tinindo Trincando"
"Tudo Azul"
"Um Auê Com Você"
"Ele Mexe Comigo"
"Lá vem o Brasil Descendo a Ladeira"
"Minha Oração"
"Menino do Rio" (com Caetano Veloso)
"Farol da Barra" (com Caetano Veloso)
"Sorrir e Cantar como a Bahia"
"Cósmica"
"Força do Olhar"
"Todo Dia Era Dia de Índio"
"A  Menina Dança"
 
Bis
"Mistério do Planeta"
"Paz e Amor"
"Masculino Feminino"

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