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Daniel: Inezita foi uma mulher à frente do seu tempo

Daniel em uma das muitas participações no "Viola, Minha Viola" - Divulgação/TV Cultura
Daniel em uma das muitas participações no "Viola, Minha Viola" Imagem: Divulgação/TV Cultura

Daniel

Em depoimento ao UOL

10/03/2015 09h02

Inezita Barroso foi, sem dúvida, a maior defensora da música sertaneja, e depois que conheci sua história a fundo sei o quanto foi também uma mulher à frente do seu tempo, guerreira e um grande exemplo para todos nós.

Falar da importância dela é ser redundante. Uma mulher que comandou por quase 35 anos um programa como o “Viola, Minha Viola”, tem a maior importância em nosso meio. Ela é a bandeira da música sertaneja hasteada e apesar da saudade e da falta que nos fará, deixa um legado incontável.

Para mim não podemos perder essa essência jamais, a música sertaneja de raiz tem histórias, e muitas vezes verdadeiras. Ela fala da realidade do nosso povo, e temos que ter essa referência lá na frente. Apesar da modernidade, do ritmo das músicas atuais que invariavelmente sofre influência dos novos tempos, a música sertaneja raiz tem uma simbologia importantíssima para nós do interior, que gostamos da roda de viola e das modas bem tocadas. Essas canções são obras primas com simplicidade e verdade.

Não posso dizer que não sinto receio pela perda da Inezita.

Começamos esta amizade há muitos anos, quando pisei com o João Paulo pela primeira vez no palco do “Viola, Minha Viola”. Na época ainda tínhamos Moraes Sarmento ao seu lado no programa; O mais interessante é que havia uma identificação. Ela gostava de mim, era nítido. E eu então, nem se fala!  Foi uma grande emoção para nós.

Daniel sobre Inezita

  • Reprodução/Cmais

    Apesar da modernidade, do ritmo das músicas atuais que invariavelmente sofre influência dos novos tempos, a música sertaneja raiz tem uma simbologia importantíssima para nós do interior, que gostamos da roda de viola e das modas bem tocadas. Essas canções são obras primas com simplicidade e verdade

    Daniel, sobre a importância de Inezita Barroso
Dos muitos “causos”, o mais peculiar foi quando participamos de um especial do “Viola”. Ela interpretou uma canção tocando sua viola e ao final caiu na gargalhada: sua saia estava caindo e fez questão de avisar. Achei de uma naturalidade e humildade tão grande! Ela pediu para sua camareira entrar no palco, arrumar a sua saia e terminou de fazer o seu número.

A última vez que estive com ela profissionalmente foi na noite de autógrafos de seu livro. Ela não passou bem durante o evento e teve que ser levada ao hospital. Coincidentemente, passei pelo hospital com um amigo no dia seguinte e no leito ao lado descobri que estava a Inezita. Foi a última vez que a vi.