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Rival de Sheeran como ídolo pop, George Ezra pensava que só seria professor

De Hertford, na Inglaterra, o cantor se preparava para ser professor quando se lançou no YouTube - Divulgação
De Hertford, na Inglaterra, o cantor se preparava para ser professor quando se lançou no YouTube Imagem: Divulgação

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

16/07/2015 07h00

Aos 21 anos, George Ezra já fez ecoar sua voz de baixo-barítono nas paradas de sucesso no Reino Unido. Seu álbum de estreia, “Wanted on Voyage”, foi lançado em agosto passado e chegou ao 1° lugar na Inglaterra em menos de quatro meses, com mais de 1 milhão de cópias vendidas. No começo do ano, abriu o show de Sam Smith em sua primeira apresentação nos Estados Unidos. Com certa modéstia, ele ri ingenuamente do próprio sucesso.

"Quando você grava um disco e as pessoas gostam é ótimo, mas quando elas não gostam, não gostam. Não tem nada demais nisso", disse o cantor, em entrevista ao UOL por telefone, de Londres.

Há três anos, Ezra era apenas um estudante na tradicional escola de música British and Irish Modern Music Institute. Ser músico era um sonho. "Mas ser famoso não tinha espaço nesses sonhos", conta o cantor, relembrando a época em que apenas postava algumas músicas no YouTube e descobria sua própria voz grave. "Eu imaginava que seria professor de música, mas estive em lugares que nunca imaginei visitar. Sou extremamente sortudo."

Ezra

  • Divulgação

    Esses ritmos (o folk e o blues), que surgiram há 50 anos, sempre foram música popular. Fiquei atento quando gravei meu álbum porque queria contemporizá-los. Não quis usar muitos sintetizadores e arranjos eletrônicos, mas também não sou um grande fã de quem faz o mesmo som que foi feito no passado

    George Ezra


Deixando de lado as teorias musicais, Ezra é, ao lado de Ed Sheeran e do próprio Smith, a nova cara do pop. E isso não se deve apenas à vendagem de discos (os três cantores ocuparam o pódio dos mais vendidos no Reino Unido ano passado). Eles encabeçam a onda do blandpop –uma vertente mais romântica, sensível e "sussurrante" do gênero. Ou, para os críticos, inofensiva.

Ezra, no entanto, diz que sua onda é outra. O apelo pop (e o rosto angelical) está ali e movimenta fã-clubes –inclusive no Brasil--, mas suas canções têm referências claras ao folk e ao blues, sem as batidas dançantes ou a produção excessiva dos seus "concorrentes". "Esses ritmos, que surgiram há 50 anos, sempre foram música popular. Fiquei atento quando gravei meu álbum porque queria contemporizá-los. Não quis usar muitos sintetizadores e arranjos eletrônicos, mas também não sou um grande fã de quem faz o mesmo som que foi feito no passado", revela.

Bob Dylan foi o primeiro herói de Ezra, e o gosto pela música de outras épocas só se aprofundou com a ajuda da internet. "Quando ouvi Dylan, percebi que aquilo não era só música ambiente. Eu tentei ouvir o que ele ouvia, como Woody Guthrie, e isso é ótimo nos dias hoje. É só dar um Google para procurar o que ele amava."

Para aqueles que insistem em dizer quão estranho é alguém jovem gostar de coisas antigas, ele adora responder, aos risos: "Não me sinto nada estranho".

Pés no chão
A tal viagem que dá nome ao primeiro álbum realmente aconteceu. “Budapest” e “Blame it on Me”, que já estão entre as músicas mais ouvidas nas plataformas de streaming e no YouTube no Brasil, carregam o sentimento de liberdade entre as chegadas e partidas, exatamente a sensação que uma viagem pela Europa lhe proporcionou.

Em outros momentos, como em “Drawing Board”, é o relacionamento torto que serve de inspiração a Ezra. Neste caso, a canção virou uma retaliação à ex-namorada. "Tentei f... a outra pessoa o melhor que eu podia", diz, às gargalhadas.

 "Wanted on Voyage", primeiro disco do britânico George Ezra - Divulgação - Divulgação
"Wanted on Voyage", primeiro disco do britânico George Ezra
Imagem: Divulgação
Enquanto muitos outros aspirantes de sua idade se arriscam em lançamentos independentes, Ezra recebeu de cara vários convites de grandes gravadoras –todas de olho em investir em um novo nome para o tal do blandpop. "Claro que eles investem no álbum muito mais do que se você estivesse sozinho, e assim acontece com os shows também. Mas, no final do dia, o disco ainda é meu", garante. O cantor ainda pediu para que não lançassem o disco com uma foto sua na capa --achava que poderia parecer prepotente. O resultado foi reunir amigos e familiares ao seu redor para a imagem.

Com seu disco de estreia sendo lançado em CD e vinil por aqui, o cantor diz não conhecer muito da cultura brasileira, mas afirma que se interessou quando o baterista de sua banda voltou animado de uma viagem pelo país. "Ele é percussionista, me mostrou alguns sons e garantiu que eu vou amar aí", diz, sem se comprometer a fazer shows no Brasil. Afinal, é seu estilo e, como ele mesmo diz: "Eu não faço muitos planos".

"Quero dar mais tempo para mim, principalmente antes de gravar o segundo disco. Não quero forçar nada. Deixar esvaziar a cabeça", comenta. E, ao ser questionado como lida com as fãs mais atiradas que um pop star em ascensão atrai, tenta se esquivar. "É tudo muito corrido. Você sai do palco e já está no ônibus, mas também não é assim", diz, aos risos. "Tudo com moderação."