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Fogos de artifício e fantasias marcam primeiro dia do festival EDC Brasil

Marcus Couto Brasil

Colaboração para o UOL, em São Paulo

05/12/2015 05h30

Passava das 3 da manhã deste sábado (5) e ainda tinha gente passando pelos portões do Autódromo de Interlagos, em São Paulo, para curtir a primeira edição brasileira do festival de música eletrônica Electric Daisy Carnival (EDC). O evento atravessou a madrugada e, apesar de ter atraído milhares de pessoas, algumas áreas como o palco NeonGarden passaram vazias a maior parte do tempo. O palco principal, no entanto, manteve-se lotado com shows de DJs famosos no cenário internacional, como os holandeses Tiësto e Martin Garrix. 

Ao chegar ao evento, os participantes são colocados num universo paralelo onde as árvores têm copas luminosas, cogumelos gigantes brotam do chão e a trilha sonora incessante é de música eletrônica, garantida pelo sistema de som potente espalhado por toda a área do festival. Muitos chegam fantasiados: piratas, Marios, Luigis e gente usando tiaras com chifrinhos.

O palco principal, chamado Kinetic Field, lembra uma grande catedral. A cabine do DJ, ao centro, fica posicionada em frente a uma estrutura que imita um órgão –todo colorido, o instrumento cenográfico dispara labaredas da ponta dos tubos em momentos de virada das músicas. Há também réplicas de vitrais e corujas gigantes, posicionadas como "vigilantes" da multidão. Ali, na madrugada deste sábado, tocaram os brasileiros do Felguk, o DJ americano Audien, as irmãs australianas Nervo, além de Tiësto e Martin Garrix –as duas principais atrações da noite.

O que se ouviu nesse palco foi principalmente house progressivo, um som mais melódico, voltado para grandes plateias, cheio de viradas espetaculares e batidas pesadas. Tiësto, por exemplo, tocou remixes de “Hello”, da cantora inglesa Adele, e de “L'Amour Toujours”, do produtor italiano Gigi D'Agostino. Ao longo da noite, teve espaço para músicas do escocês Calvin Harris (“How Deep Is Your Love”), para o hit “Lean On”, de Major Lazer e DJ Snake, e até para um remix de “Sandstorm”, clássico do final dos anos 1990, do finlandês Darude. O público pulava e dançava a cada virada, enquanto os DJs orquestravam toda a ação.

Dançarinas de 'Mad Max'

Além das atrações musicais, os palcos reuniram shows de dançarinas em fantasias que pareciam saídas de um episódio perdido de "Mad Max". O público assistiu, por exemplo, a um malabarista mascarado que usava bastões com fogo para interagir com uma torre elétrica. O show de raios iluminou a multidão que gravava tudo com celular. O EDC não economizou também em fogos de artifício, que frequentemente coloriam o céu do autódromo.

Bem menor, o palco BassPod, como o nome em inglês sugere, foi dedicado à bass music, música eletrônica com graves recheados e batidas quebradas. Tocaram os DJs Omulu, Dirty Noise e a dupla Milo & Otis. Rolou de funk carioca a drum’n’bass e grime, gêneros que se relacionam no lado rítmico e nas linhas de baixo hipnóticas. Quando Otis tocou “Get Low”, parceria de Dillon Francis e do onipresente DJ Snake, o público se derreteu.

No vazio NeonGarden, os DJs tocaram principalmente house, mas não foi suficiente para vencer a hipnose coletiva que atraía o público em massa no palco principal, logo ao lado. O espaço passou a maior parte do tempo com um público pequeno, com grandes áreas vazias. Ainda assim, a dupla inglesa Gorgon City e outros artistas fizeram boas apresentações ali.

No primeiro dia de festival, a sensação foi que a estrutura comportaria um público maior, principalmente nos palcos paralelos. O lado positivo foi que as filas para comprar fichas, bebida e comida, assim como para usar banheiros, estavam tranquilas, realidade bem diferente de outros festivais desse porte.

O EDC Brasil continua ao longo deste sábado. No segundo dia do festival, a grande atração é o produtor americano Skrillex. Além dele, o evento terá sets do iraniano Dubfire e do chileno Luciano.

O festival nasceu em Los Angeles, em 1997, e se tornou uma das maiores franquias de eventos de música eletrônica do mundo. Em uma das edições deste ano, nos Estados Unidos, levou 400 mil pessoas para uma festa de três dias seguidos. Nesta primeira edição brasileira, a Insomniac Events, empresa responsável pelo EDC no país, levou a megaestrutura para o tradicional palco da F-1 e, mais recentemente, do Lollapalooza.