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Com casa cheia, Olivia Newton-John relembra fase "Grease" em show em SP

José Norberto Flesch

Colaboração para o UOL, em São Paulo

04/03/2016 03h33

"Eu continuo cantando e as pessoas continuam vindo me ver". A frase dita por Olivia Newton-John durante o show na noite de quinta-feira (3), no Espaço das Américas em São Paulo, resume um pouco do que foi a apresentação. Em sua primeira turnê pelo Brasil, a cantora inglesa estreou na cidade com casa cheia.

Aos 67 anos, Olivia mantém a voz em forma de tal maneira que chega a impressionar. É o que aconteceu em "Jolene", quando ela mostrou que seus agudos estão em dia e terminou a canção sob aplausos. Famosa no final dos anos 1970 e início dos 1980, ela reuniu público que aparentava ter idade próxima à dela, mas também muitos jovens. "Sempre encontro alguém que me diz: 'Acabei de ver 'Grease' com meus netos'", contou Olivia, antes de dar início a uma sequência de temas de seu trabalho mais famoso.

Ela dividiu o repertório em sets que, ainda que não apareçam em ordem cronológica, fizeram uma retrospectiva de sua carreira desde a fase inicial, quando investia na country music. Dessa forma, um segmento com canções do filme "Xanadu" surgiu logo no início do show, e foi seguido por uma seleção de sucessos, um set country e a fase "Grease". Steve Real, um dos vocalistas de apoio, fez às vezes de John Travolta ou de Cliff Richard, quando ela mostrou duetos que a consagraram, como, respectivamente, "Summer Nights" e "Suddenly", e também coreografias.

Simpática e falante, Olivia conversou com o público e comentou as fases de sua trajetória. Achou estranho que a plateia conhecesse "Sam", um de seus sucessos dos anos 1970, e depois se mostrou feliz até mesmo para lembrar a época em que descobriu um câncer. "Todo mundo passa por uma etapa difícil na vida, e a minha foi lá atrás', disse.

Como fez no Rio de Janeiro, duas noites antes, cantou "Garota de Ipanema", na versão em inglês, "The Girl From Ipanema".

É um show que funciona. O cenário simples, com pouca luz, dá um tom intimista que acentua a força do repertório quando ela canta baladas. Fica nítida a impressão de que é um espetáculo tão bem montado que tem potencial para mostrar bom resultado, tanto se for apresentado em uma casa como o Espaço das Américas como em um navio.