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Banda dos clássicos de Prince, The Revolution anuncia volta aos palcos

Do UOL, em São Paulo

27/04/2016 14h28

A banda The Revolution, que acompanhou Prince em discos como "1999" e "Purple Rain" vai se reunir em breve para homenagear o legado do cantor. O anúncio foi feito nesta terça (26) por meio de um vídeo publicado na página do grupo no Facebook (veja acima).

Segundo a guitarrista Wendy Melvoin, que aparece com os colegas no segundo momento do vídeo, após uma piada com integrantes falsos,
"depois de dias chorando juntos, a banda decidiu "fazer alguns espetáculos". As datas das apresentações devem ser divulgadas em breve.

Prince posa com The Revolution nos anos 1980 - Reprodução - Reprodução
Prince posa com The Revolution nos anos 80
Imagem: Reprodução

Formado em Minneapolis em 1979, a banda esteve com Prince até 1986, gravando dois álbuns de estúdio, duas trilhas sonoras e dois homevideos. Foram várias as formações, que primavam pela diversidade de raça e gênero.

Com Prince, o Revolution lançou seus maiores clássicos, como "1999", "Little Red Corvette", "When Doves Cry", "Purple Rain" e "Kiss".

Segundo a rede BBC, os músicos que estarão na reunião serão o baixista Brown Mark, a guitarrista Wendy Melvoin, os teclistas Lisa Coleman e Matt Fink e o baterista Bobby Z.

O Revolution já havia se reunido em outras oportunidades, incluindo shows beneficentes em 2003 e 2012.

Segundo uma representante do cantor, que foi cremado no último sábado (23) em uma cerimônia privada, em breve será anunciada uma grande celebração musical pública em tributo a Prince.

 

Causa da morte

Prince foi encontrado desacordado no elevador do complexo onde morava e mantinha seu estúdio, em Minneapolis, na última quinta-feira (21). A causa da morte não foi divulgada, mas o site "TMZ', especializado em celebridades, especula que Prince pode ter sofrido uma overdose de Percocet, analgésico forte e altamente viciante.

De acordo com o "TMZ", o avião que transportava Prince após seu último show em Atlanta, no dia 14, precisou fazer um pouco de emergência para socorrê-lo em um hospital após o artista ter ingerido uma dose alta do analgésico. A informação contraria a versão divulgada pelos representantes de Prince, de que ele foi tratado por uma forte gripe.

Segundo o "TMZ", fontes diversas dizem que Prince se viciou no remédio após ter um problema no quadril. Ele teria, inclusive, passado por uma cirurgia de correção na região por volta de 2010.

O site flagrou Prince no estacionamento de uma rede de farmácias bastante popular nos Estados Unidos horas antes de sua morte, no final de tarde de quarta (20).

Testemunhas dizem que o cantor aparentava estar mais frágil e nervoso do que o habitual. Ele teria ido à farmácia por quatro vezes na última semana de vida.

Trajetória

Filho de um músico de jazz, Prince Rogers Nelson nasceu em 1958, em Minneapolis, nos Estados Unidos, e logo na adolescência montou uma banda com vizinhos e um primo, o Grand Central. Já de início, carregava na parte instrumental extensa bagagem de influências, que iam de James Brown a Jimi Hendrix. Exímio instrumentista, foi eleito 33º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista norte-americana "Rolling Stone".

Aos 19 anos, lançou o álbum de estreia, “For You”, em 1978, seguido de "Prince" (1979), "Dirty Mind" (1980) e "Controversy" (1981), movimentando a cena musical com seu som característico: baladas funkeadas com sintetizadores, letras provocativas e falsete.

Emplacou os hits “Why You Wanna Treat Me So Bad?” e “I Wanna Be Your Lover” nas paradas norte-americanas e se tornou um fenômeno pop dois anos depois, com o filme "Purple Rain" e a trilha sonora de mesmo nome. O longa contava uma história autobiográfica, sobre um roqueiro problemático de Minneapolis com problemas familiares. 

Com a força dos singles "When Doves Cry" e "Let Go Crazy", o álbum vendeu mais de 20 milhões de cópias em todo o mundo. "Purple Rain", a canção, ganhou o Oscar e se tornou uma das baladas memoráveis do rock.

Em 1986, lançou um novo filme, "Sob o Luar da Primavera", sem repetir o sucesso. O disco "Parade", que servia como trilha, se saiu melhor e imortalizou o sucesso "Kiss".

Mesmo com sucessos na parada, Prince sempre foi na contramão da indústria musical. Costumava formar bandas para acompanhá-lo nos projetos e chegou a trocar o próprio nome para um impronunciável glifo uma união dos símbolos do sexo masculino e feminino.

A mudança tinha como alvo a gravadora Warner, com quem o artista travou uma briga pública e constantemente chamava de "escravidão" o contrato assinado com a multinacional.

Em 2001, Prince se tornou Testemunha de Jeová e se mudou para Los Angeles para "entender melhor a indústria da música". 

Nos 15 anos seguintes, lançou 15 álbuns em que experimentou gêneros diversos e parcerias com artistas contemporâneos, como Lianne La Havas e Rita Ora.

No ano passado, decidiu retirar toda a discografia das plataformas de streaming e os icônicos clipes do YouTube e da Vevo. Manteve seus discos apenas no Tidal, 
serviço de streaming de Jay-Z, e no iTunes, da Apple.

Nos últimos meses, excursionava com o show "piano e microfone" para promover seu último álbum, o 39° da carreira, "HITnRUN Phase Two", lançado em dezembro de 2015. O single "Baltimore" menciona a morte do jovem negro Freddie Gray pela polícia norte-americana.