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Com álbum ao vivo, Maria Rita eterniza turnê de sucesso dedicada ao samba

Maria Rita durante gravação do DVD "O Samba em Mim - Ao Vivo na Lapa" - Divulgação
Maria Rita durante gravação do DVD "O Samba em Mim - Ao Vivo na Lapa" Imagem: Divulgação

Anderson Baltar

Colaboração para o UOL

06/07/2016 07h00

Apenas um ano depois do relançamento de "Coração a Batucar" em DVD, Maria Rita está de volta com mais uma incursão ao universo do samba. Com "O Samba em Mim - Ao Vivo na Lapa", a cantora paulista traz o registro de um animadíssimo show na Lapa, no Rio de Janeiro. "Foi um pedido dos fãs e um trabalho feito para eles", explica a cantora, que teve inclusive a preocupação de pedir aos técnicos de som que caprichassem na captação do canto dos fãs. Após quatro lançamento em sua discografia inteiramente voltados ao samba, Maria Rita afirma que o ritmo não sai mais de sua vida: "Me identifico inteiramente com a poesia e com a musicalidade do samba. É algo que me emociona". Se recuperando de uma caxumba que fez ela cancelar shows em Portugal e o coquetel de lançamento do álbum, a cantora conversou com o UOL pelo telefone. Maria Rita revela detalhes da produção do CD/DVD e fala sobre sua relação com o estilo que completa 100 anos de seu primeiro registro nos próximos meses.
 



UOL: Um ano após o lançamento da versão de “Coração a Batucar” em DVD, você lança esse registro ao vivo. Qual o conceito desse novo trabalho?
Maria Rita: O público pediu. Quando lancei o DVD do “Coração a Batucar”, foi algo feito em estúdio, como uma roda de samba ao vivo, para dar uma noção de como o disco havia sido gravado. Já a turnê era uma coisa completamente diferente daquele DVD e os fãs pediam muito um registro. A Universal (gravadora) estava atenta a esse movimento, através das redes sociais. E me propôs. Resolvemos fazer um registro do último show da turnê, na Lapa. E o DVD é só o show mesmo. Não tem extra, não tem vídeos, não tem mais nada. Foi feito para você deixar tocando e fazer as coisas: arrumar a casa, tocar a vida. Gostei muito da proposta e achei algo inusitado. Esse modelo de lançar CD, fazer show e depois DVD do show é uma coisa meio gringa, meio Madonna (risos).

Mas não deixa de ser o registro de um momento de sua carreira. O tipo do material que o fã vai ouvir daqui a 10 anos e lembrar com carinho.
Exatamente! Foi um show muito bacana, intenso, com samba de cabo a rabo. O importante é o registro de uma fase gostosa, de um show que adorei fazer. Vi muitos fãs dizendo que foram quatro, cinco vezes e nunca se cansavam, porque sempre era um show diferente.

Percebe-se que é um show que atende aos fãs. Afinal, todas as músicas representativas dessa sua fase estão presentes.
A ideia foi exatamente essa. É muito mágico estar no palco e ver a reação das pessoas. Meus fãs, que chamo de "bacanudos", sempre me surpreendem, porque eles sabem cada nota, cada pedaço do arranjo e acompanham perfeitamente, cantam junto, gritam. É muito louco e gratificante. Por isso eu fiz questão de enfatizar a participação da plateia. Eu orientei a equipe de áudio para prestar muita atenção na captação do canto do público.

Você não é originalmente uma artista de samba, mas conquistou um grande público sambista, tanto que, até hoje, sua apresentação na Feijoada da Portela (em janeiro de 2015) é recorde de público desse evento. Como você se vê nesta situação, transitando entre a dita MPB e o samba?
Eu estava outro dia conversando aqui em casa com o Davi (Moraes, músico e marido). O samba tem uma coisa da poesia, da melodia, da harmonia. É muito emocionante. Quando você pensa e analisa, embora seja um ritmo popular, é muito rico. Melodicamente, poeticamente, harmonicamente falando, é de uma riqueza que emociona. O samba sempre me encantou e, a partir do momento em que você coloca emoção no que faz, uma verdade, você chega nas pessoas. Quando há verdade no trabalho, os rótulos ficam menores. Eu sou paulista, venho da MPB, tenho uma roupagem mais sofisticada e faço sucesso com o povão, a ponto de ser tão bem recebida na quadra da Portela. A única explicação que tenho para isso é que eu sou de verdade. Por sinal, naquele dia na Portela, alguém me disse: "gosto de você porque você cai no samba mesmo, perde a maquiagem, arrebenta a sandália". Eu me jogo no samba.

Eu sou paulista, venho da MPB, tenho uma roupagem mais sofisticada e faço sucesso com o povão, a ponto de ser tão bem recebida na quadra da Portela. A única explicação que tenho para isso é que eu sou de verdade

O lançamento de "O Samba em Mim" de uma certa forma é um até breve no que diz respeito ao samba? Ou você pretende seguir nessa trajetória?
Eu sou muito inquieta, durmo três horas por semana. Tenho vários projetos na cabeça ao mesmo tempo. Mas, nesse momento, eu não consigo me ver longe do samba. É mais forte do que qualquer outra coisa. A musicalidade, da forma como o samba me atinge, tem muito a ver com a poesia e com a melodia da forma como entendo. Isso me emociona profundamente. Quando eu fiz "Samba Meu", eu tinha a necessidade de explicar a minha relação com o samba. De "Coração a Batucar" em diante, eu tô dentro. Este trabalho até tem o papel de encerrar um ciclo, mas não de encerra minha ligação com o samba. Tanto que agora estou com o show "Samba da Maria" e minha cabeça está fervilhando de ideias. Não tenho planos de entrar em estúdio tão cedo, até porque estou fazendo muitos shows com esse projeto. E é muito bacana fazer esse espetáculo porque é um repertório mais livre, que não está em nenhum disco. Estou ficando velha e rebelde, e agora cada vez menos eu faço o que está programadinho (risos). Se deixasse por minha conta, o show teria três horas de duração, cantaria o que desse na telha, faria uma grande roda de samba. Um dia eu chego lá!