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Novo disco consagra a fossa light de Beth Orton
Novo disco consagra a fossa light de Beth Orton
Jan Fjeld A voz grave e suave e a forma apaixonada de apresentar músicas intimistas fazem de Beth Orton uma das artistas mais instigantes no mundo do pop independente atual. Em seu terceiro álbum, o recém lançado "Daybreaker" (Heavenly/Astralwerks, 2002), Beth Orton firma seu lugar como grande cantora, compositora e letrista. Beth Orton tem um quê de Marianne Faithfull no seu jeito de cantar, embora suas letras, suas inflexões e o seu timbre não soem tão roucos e melancólicos. Pelo jeito, Orton ainda não tomou tanto whisky quanto Faithfull e seus relacionamentos amorosos não são tão desesperados. Orton lembra também uma outra grande dama da música alternativa inglesa, Sandy Denny, cantora e compositora que tratou o cotidiano, a esperança e a promessa de um futuro melhor nas suas letras. Denny, como Orton, sempre manteve um estilo particular, difícil de classificar. Blueseira, a cantora e compositora inglesa sempre teve um violão na mão e um pé na música eletrônica. Mas no novo disco, "Daybreaker", lançado pelos independentes Heavenly/Astralwerks, ela se concentra numa forma mais tradicional e acústica. Os elementos eletrônicos se restringem a um "blip" ali e uma batida mais pesada acolá na interpretação de dez pungentes e melancólicas canções. É como se Orton tivesse se livrado do excesso eletrônico que teve origem na sua impressionante e pioneira estréia de 1996. Os principais colaboradores do disco são Ben Watt, William Orbit, Victor van Vugt e Ryan Adams. Watt, a metade da dupla Everything But the Girl, mixou a maioria das faixas de "Daybreaker", além de colaborar como vocalista e pianista em várias faixas no álbum. A parceria tem tudo a ver. As letras de Orton, assim como as de Ben Watt e Tracey Thorn, tratam de forma singela a vida como ela é. Canta Orton em "Thinking about tomorrow": "These habits are so hard to break and they're so easy to make". A faixa "Anywhere" e uma pseudo bossa à la EBTG do início da carreira. Outro com bastante culpa no cartório pela sonoridade particular de "Daybreaker" é o inglês William Orbit. São dele os belos arranjos, os tratamentos nos vocais e os efeitos atmosféricos Orbit colabora com Beth Orton desde meados dos anos 90. O produtor de "Daybreaker", o inglês Victor van Vugt, é o mesmo do primeiro álbum de Orton, "Trailer Park". Van Vugt dá um tratamento de rock para a música de Orton, contando com a sua experiência de trabalhos anteriores com Billy Bragg, PJ Harvey e Nick Cave & The Bad Seeds. Assim como as grandes damas da canção pop inglesa do passado, como Marianne Faithfull e Dusty Springfield, Orton também faz parcerias do outro lado do Atlântico. Ryan Adams, líder da banda americana de country alternativo "Whiskeytown" e famoso por suas "viajadas", compôs a música "This One's Gonna Bruise Your Heart", além de tocar violão e guitarra havaiana na faixa "Carmella". A música é de Beth Orton e Ben Watt. Em "Concrete Sky" (uma canção feita para Beth por Johnny Marr, ex-guitarrista e parceiro de Morrisey no lendário The Smiths), Adams faz dueto com uma Orton que capricha no toque country. A canção "Daybreaker" é uma colaboração com os reis do breakbeat, os Cemical Brothers. É uma bela balada contrastando o suave timbre de Orton e uma singela frase tocada no bandolim com as batidas e o tratamento eletrônico dos irmãos como fundo. "Daybreaker" significa algo como "quem (ou o que) traz o dia". Pode ser que o disco abra portas para Beth Orton ir além do circuito independente. Mas não se engane, entre estas dez canções econômicas não há nenhuma candidata óbvia às paradas das rádios FMs. Não há refrões fáceis para assoviar e as suas letras passam longe das banalidades costumeiras de canções de sucesso. » Visite o site oficial de Beth Orton » Ouça "Alive Alone" com Beth Orton e Chemical Brothers na Rádio UOL
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