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Brazilelectro é pop brasileiro sem compromisso
Brazilelectro é pop brasileiro sem compromisso
Jan Fjeld Para um verão agradável, procure o novo CD duplo da série "Brazilelectro, Latin flavoured club tunes. Session 4" do selo independente alemão Audiopharm. É electro samba, o encontro do brazukão com o gringo doido para fazer som sem compromisso, para pista ou apenas para sua curtição. São 24 faixas de muito "nu". O prefixo "nu", muito em voga atualmente, é utilizado para tudo que traz alguma interpretação ou releitura de algo conhecido. No "Brazilelectro" há muito nu jazz, nu soul, nu bossa, nu samba, nu calypso, nu mambo, nu electro (já?) e assim por diante. O título não é à-toa. Há muita influência da música brasileira nestas faixas eletrônicas, indo além da participação de intérpretes, compositores e músicos brasileiros e da utilização de um sambazinho ali ou uma bossa acolá. Pela falta de conhecimento e referência destes criadores, sejam eles emigrantes brasileiros, europeus, americanos ou japoneses, inventou-se algo original e às vezes um tanto estranho, muito além da música pop brasileira. Ouça "Whistle Song", do japonês conhecido atualmente como Fantastic Plastic Machine. É um samba sampleado, cheio de violinos, violões e flautas com pedaços de vocal que não cantam nenhuma palavra, só som. O loop vai e vem como uma onda no mar. A falta de pudor abre espaço para algo de fato "nu". Na animada seleção há desde remixes da dupla sueca Koop da música "Jazz Mediterranée", interpretada por Henri Salvador, até uma sensual versão instrumental de "Je T'aime Moi Non Plus", da dupla vienense dZihan & Kamien. Nestas faixas em particular não há necessariamente nada de muito brasileiro ou de latinidade, elas são mais "nu" lounge com boas melodias, batidas agradáveis e produções sempre impecáveis. Há bons intérpretes como o crooner vienense Louie Austen, que canta o "nu" mambo "Amore" soando como uma versão masculina de Carmen Miranda, e a japonesa Yukimi Nagano, que canta "Summer Sun" revisitando Astrud Gilberto. É surpreendente e animado. A faixa saiu no ano passado no álbum "Waltz for Koop" dos suecos Magnus Zingmark e Oscar Simonsson, causando impacto no circuito acid jazz. Quem foi conferir Kruder & Dorfmeister nas suas apresentações no Brasil ouviu também os suecos do Koop. No elegante remix de "Morrer Nos seus Braços" do De Phazz, a cantora Helena Azul trabalha a mesma linha que consagrou Bebel Gilberto no exterior, embora a modulação de sua voz seja mais jazz do que bossa. Também mais jazz do que bossa (ou samba) é a animadíssima "Get Out", do US 3. O nova-iorquino Kenny Dope Gonzales reconstrói "Before I Forget", da lendária banda emigrée brasileira Azymuth. A coletânea traz sete faixas inéditas, sendo a mais curiosa "No Samba Me Criei", de Tricatel Inc. Tricatel é uma dupla alemã, também conhecida como Hacienda. Nesta, a vocalista canta em um português de sotaque indefinível: "Samba, quem não gosta de samba, bom sujeito não é", com um samba eletrônico loopado, muita percussão e efeitos dub. Outro "nu" samba inédito é o atmosférico "Desperate", do alemão Marko Bokun. Na categoria "quase célebres imigrantes brasileiros", destaque para Carla Alexandar, ex-Lilith e ex-backing vocal de Daúde, que nesta coletânea está incluída com a sua prazeirosa e delicada faixa "Volume", produzida pelo dinamarquês Morten Varano. O sabor mais forte desta coletânea é o sabor latino, seja ele de bossa, samba, mambo, calypso ou até um tentativa de um "nu" forró. >> Ouça Azymuth no programa "Empoeirado" do Ed Motta >> Ouça Azymuth na Rádio UOL >> Ouça Jazzanova e Ski na Rádio UOL >> Ouça Jazzanova e 4Hero na Rádio UOL
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