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Eletrônica de Rechenzentrum requer atenção além dos pés
Eletrônica de Rechenzentrum requer atenção além dos pés
Jan Fjeld O trio alemão Rechenzentrum desenha sons e imagens envolventes e sensuais. Eles criam paisagens sonoras minimalistas, às vezes melódicas, às vezes nervosas, com estruturas sonoras repetidas que se unem e deslocam. As harmonias entre teclados, piano e violino se envolvem e se desintegram em um movimento tão natural e espontâneo como o trânsito na hora do rush. Rechenzentrum explora um novo híbrido que vai de um graúdo dub sobreposto com uma linha de trumpete até um quarteto de cordas que se mistura com o zumbido de uma autopista. A manipulação das imagens vai do visual de um ticket escaneado de metrô de Tóquio até referências de filmes experimentais dos anos 20, os futuristas e das criações da escola Bauhaus. É tudo sampleado. O responsável pela manipulação, Lillevän, não filma nada. A dupla responsável pela música é Christian Conrad e Marc Weiser. Este último disse em uma entrevista disponível em seu site oficial que "quando nós começamos a colaborar, decidimos ficar desconfortáveis juntos". Dizem que não querem só incomodar um pouco, mas sim chacoalhar bastante. Os berlinenses definem a sua música como eletrônica desajustada (maladjusted eletronica). O seu mais recente CD, "The John Peel Session" (Kitty-Yo), é de 2001, quando a revista especializada Wire descreveu o seu trabalho como desenhado e construído em melodramas emocionalmente complexos e gélidos. O álbum traz a sessão gravada para o programa de John Peel na BBC, além de algumas novas faixas gravadas em estúdios de Litzlberg na Áustria, Elmau e Berlin na Alemanha. A curiosidade fica por conta da faixa "Radian" que, ao contrário do que consta na capa do CD, não é uma composição de Rechenzentrum. Esta música é um remix não-autorizado da composição "Okazaki Fragment" do grupo Radian. É como se fosse uma homenagem. O belo encontro de som e imagem que este álbum apresenta traz também quase quatro minutos de imagens que acompanham a música "IBM". O disco conseguiu surpreendentemente pouco espaço na mídia, mesmo sendo lançado através da prestigiada gravadora berlinense Kitty-Yo. Esta aparente falta de interesse é surpreendente considerando a qualidade do seu trabalho que puxa o limite do techno com as suas instalações sonoras enervantes e desafiadoras. O trio se formou durante uma época de squatting no início dos anos 90 em Berlim e já que não precisava pagar aluguel dava pra comprar equipamento, explica Lillevän no site. "Nos nós encontramos nesta cena de squatting e achamos que a cena dos clubes não ia a lugar nenhum, era algo parado. Decidimos tentar ir em frente, fazer algo inovador o mais rápido possível". Eles se dizem cansados da cena clubber, onde as pessoas não estão interessadas em nada, nem sequer em boa música para dançar. Rechenzentrum tenta puxar os limites da eletrônica, sendo o som a espinha dorsal das suas produções inquietantes. O trio trabalha na área de minimal techno ou na pedante descrição techno inteligente (intelligent techno) - assumindo que o resto da produção techno (que visa a pista de dança) é estúpido. Mesmo assim, em várias faixas como "Solaris" e "Vertikal" há o instigante "thump thump" de um techno 4/4. Esta pretensão de fazer algo além da pista não é só deles. Embora o seu trabalho não chegue a ser tão perturbador como o de Autechre, nem tão delicado como o som de Boards of Canada, Rechenzentrum também se presta a mostrar um facho para o techno que desengatou com o nu electro. O seu som ultrapassa a descrição de vanguardista ou interessante que, em geral, descreve algo que nós não entendemos; algo que requer um esforço intelectual, para não dizer aprendizado ou algo que é apenas chato. Rechenzentrum dá o passo além. Quero deixar claro: o trabalho de Rechenzentrum é estranho, não é pra dançar, embora algumas faixas sejam quentes. Mas, mesmo assim, o estimulante som de Rechenzentrum requer atenção além dos pés. Veja a entrevista que a BBC fez com Rechenzentrum em 2001 aqui
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