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A primeira compilação do lendário John Peel é puro pop
A primeira compilação do lendário John Peel é puro pop
A compilação "FABRICLIVE. 07 John Peel"
(FabricLondon, 2002), vai muito além de ser apenas uma daquelas que juntam num álbum o que há de bom segundo algum DJ, produtor ou músico do momento. "FABRICLIVE.07" é a primeira compilação do lendário radialista inglês John Peel que comemorou 40 anos no ar em 2002. Ele está com o seu programa desde o começo da Radio 1, da BBC, em 1967, e é uma referência no mundo pop. O veterano DJ morreu aos 65 anos em outubro de 2004, durante suas férias no Peru. Como não poderia ser diferente de alguém que sempre procurou vida nova e inteligente no pop, a compilação traz uma mistura quase esquizofrênica de estilos e artistas obscuros. Há muito rock'n'roll, rockabilly, proto punk, reggae, drum'n'bass e tecno. Mas, independente do gênero musical, o que une todas as faixas é a sua sensibilidade pop. Não o pop que toca nas FMs mundo afora, mas aquele que é bem feito, dá prazer de ouvir e contém, naqueles três intensos minutos, uma vibração singular, uma mensagem contundente ou uma manifestação de alegria. Vai do suingue dos Capris dos anos 60 até o drum'n'bass do Sinthetix de 2002. São quatro décadas de pérolas da música popular. O álbum traz 23 músicas que poderiam ser categorizadas como "curiosas", "importantes" ou simplesmente "sensacionais". Apesar dos seus 60 e poucos anos, Peel nunca se cansou de ir atrás do novo. Há um total de seis faixas de 2002 na compilação - prova de que o apresentador não caducou. Das músicas de 2002, vale destacar a poderosa "In Love", dos neozelandeses The Datsuns. É uma hiperacelerada canção de amor, um pouco Deep Purple e muito Ramones. Outro destaque fica para um animado e dançante drum'n'bass do MC DET, na faixa "Hipsteppin". Na categoria "curiosas" encaixa-se a regravação em estilo rockabilly do Kingswoods para a música "Pretty Vacant", dos Sex Pistols. Na sua interpretação bem caipira e com direito a sotaque texano, a pronúncia do refrão vira "purty vacant". Outra faixa curiosíssima é a cover do Bad Livers para a música de Bowie/Pop "Lust for Life". Na sua versão hillbilly, a banda acelera a batida e toca com muito banjo. A categoria "importantes" estende-se para a maioria das músicas, embora o clássico "Love Will Tear Us Apart", do Joy Division, mereça um destaque especial. Nesta versão, há uma entrada de um comentarista da BBC comemorando a vitória do Liverpool sobre FC Bruges na Copa da Europa de 1978. A música "Let's Get Small", dos americanos do Trouble Funk, é outro destaque da categoria. A música definiu uma era - a do funk pós James Brown. A faixa, de 1988, é um protótipo de go go music, também conhecido como hip hop soul. Para a categoria "sensacionais" há também muitas candidatas, como "Tom the Peeper", do Act 1, um funk animado com bastante sax e uma letra hilária. Um outro bom exemplo é "Needle In a Haystack", das garotas do Velvelettes. É Motown anos 60. O álbum fecha com, segundo Peel, uma das suas favoritas de todos os tempos, a sensacional "Teenage Kicks", dos irlandeses do The Undertones. É uma espécie de "Satisfaction" para a geração X e é imperdível. A singela explicação sobre porquê levou tanto tempo para lançar uma compilação deste tipo é, segundo o próprio Peel no seu site na BBC: "ninguém tinha me pedido para fazer uma coisa destas antes" e, além do mais, "será legal para os meus filhos poderem dizer: 'foi o meu pai quem escolheu esta música'". >>Ouça "Love Will Tear Us Apart" de Joy Division na Rádio UOL >>Ouça "Teenage Kicks" de The Undertones na Rádio UOL >>Ouça The Datsuns e Asa-Chang & Junray no programa Pop Link Joh Peel
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