25/09/2007 - 15h30
Direto de um bunker da Segunda Guerra, Digitalism vem ao Brasil mostrar sua house distorcida
GUSTAVO MARTINS Colaboração para o UOL

A dupla formada pelos DJs alemães Jens "Jence" Moelle e Ismail "Isi" Tuefekci não faz apenas uma mistura de rock com música dançante, coisa que deixou de ser novidade já em meados dos anos 90 com bandas como Prodigy e Chemical Brothers. O Digitalism é filho legítimo da união entre guitarras e sintetizadores, fazendo uma música que tem traços de ambos (distorções, edição extrema) mas soa como uma terceira vertente.
O Digitalism, que lançou este ano o álbum "Idealism", tem show marcado no Brasil para o dia 6 de outubro como parte do evento Nokia Trends Mob Jam, que acontecerá na Clash Club em São Paulo. Isi Tuefekci, um dos DJs e produtores da banda, falou ao UOL em uma breve entrevista, que você confere a seguir:
UOL - Como foi a gravação desse disco? É verdade que vocês alugaram um bunker abandonado em Hamburgo?
Isi - Pois é, foi em um bunker da Segunda Guerra Mundial que alugamos em 2002 e usamos até hoje. Adoramos ficar lá, tem uma atmosfera muito punk. Para gravar o disco, decidimos juntar todo o material que já tínhamos e refazer, para deixar tudo mais fresco e novo. Isso foi entre outubro de 2006 e fevereiro de 2007. Se você comparar a versão da música "Idealistic" lançada em vinil em 2004 com a do disco, vai perceber que é muito diferente.
UOL - Vocês assinaram com o selo francês Kitsuné Music, de muito prestígio na cena eletrônica. Como foi esse contato?
Isi - Um amigo nosso conhecia pessoas de lá e passou uma de nossas músicas para eles. Um tempo depois, recebemos uma ligação do pessoal da Kitsuné dizendo que tinham tocado "Idealistic" em uma pista e a galera enlouqueceu, daí resolveram nos contratar. Foi ótimo porque eu já conhecia o selo de trabalhar em loja de discos, e eles têm um trabalho artístico muito bom, de vanguarda.
UOL - Como esse trabalho de vocês em uma loja de discos [a Underground Solution, em Hamburgo] influiu no som do Digitalism?
Isi - Somos dois viciados em música, gostamos muito de pesquisar, e trabalhar numa loja de discos te dá a oportunidade de conhecer outros gêneros além do que você se especializa - que no nosso caso era a house francesa e o garage. Com certeza isso influiu na nossa música.
UOL - O que vocês carregam de alemão na música de vocês?
Isi - Olha, a Alemanha é mais conhecida por minimal e techno, a gente não tem muito disso. Temos muita melodia e harmonia nas músicas. Na verdade, eu não vejo nenhuma semelhança entre a nossa música e o que se produz lá.
UOL - O que vocês estão preparando para o show no Brasil?
Isi - Como é a primeira vez que tocamos no Brasil, vamos fazer um show baseado principalmente no material do Digitalism, sem tantos remixes de outras pessoas. Estou muito feliz de ir para o Brasil, conheço o pessoal do Cansei de Ser Sexy e eles me falaram muitas coisas boas de São Paulo, quero conhecer os DJs e a cena musical da cidade.
NOKIA TRENDS MOB JAM EM SÃO PAULO
Com Digitalism e os DJs Gil Bárbara, Phillip A. e Luke
Onde: Clash Club (r. Barra Funda, 969, São Paulo)
Quando: 6 de outubro
Quanto: R$ 60
Site: www.clashclub.com.br
|