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27/10/2007 - 00h03
Björk faz show cheio de cores, luzes e batidas dançantes

GUSTAVO MARTINS
Enviado especial ao Rio


Publius Vergilius / UOL

A cantora Björk durante apresentação no Rio de Janeiro (26/10/07)

A cantora Björk durante apresentação no Rio de Janeiro (26/10/07)


A cantora Björk fez um espetáculo cheio de cores, luzes, bandeiras, ventiladores e raios laser nesta sexta-feira (26), primeiro dia de Tim Festival de Rio de Janeiro. A islandesa envolveu os cerca de 4.000 presentes em seu mundo de fantasia, tendo a platéia em suas mãos desde o início, atrasado, às 21h35.

O atraso deveu-se à complexidade da montagem o palco, adornado por grandes bandeiras com figuras de animais, além de flâmulas de batalha que tremulavam movidas por ventiladores. O coral/naipe de metais de Björk (que atende pelo genial nome de "Wonderbrass") apareceu primeiro no palco, várias garotas com bandeiras presas nas costas, e a cantora entrou com tudo ao som de "Earth Intruders", primeiro single de seu mais novo disco, "Volta", lançado neste ano.

Seu vestido é tão fascinante e ilógico quanto sua música, uma espécie de alcachofra brilhante que não faria sentido em ninguém além dela no mundo. Com os gritos do público, Björk lança um "opricado" e entra a batida de "Hunter", primeira música de seu terceiro disco, "Homogenic", de 1997.

O repertório passeia por seus outros trabalhos, como "Pagan Poetry" (de "Vespertine", de 2001), "Unravel" (outra de "Homogenic") e "Pleasure Is All Mine" (de seu álbum vocal "Medúlla", de 2004). Esta última é executada em um clima quase Portishead, esparso e climático, mas a platéia --um pouco condescendente, até-- joga as mãos para cima, como se quisesse apanhar alguma nota flutuando. A insistência em mudanças sutis de acordes em volta de uma mesma nota, enquanto a cantora faz seus vocais sinuosos característicos, já estava ficando um tanto cansativa.

Ciente disso, Björk chama "Jóga", outra do disco "Homogenic", e um raio laser verde surpreende a todos. Daí em diante, o espetáculo engrena numa espécie de transe, com uma surpresa atrás da outra. Muitas delas são visuais, já que, no trabalho de Björk a imagem é tão importante quanto a música. Tanto é que os dois DJ/produtores que fazem as bases eletrônicas utilizam interfaces gráficas em touch-screen para controlar seus efeitos, e tudo é exibido em três monitores LCD no palco.

"Army of Me", do disco "Post", de 1995, causa alvoroço em uma versão bastante distorcida. Sem deixar o ritmo cair, a cantora puxa outro single de "Volta", a divertida "Innocence" --uma mostra do que Björk é capaz de fazer com elementos pop, trazidos pela produção de Timbaland.

A islandesa é tão competente em apresentar e sustentar seu mundo fantástico, alegre e até infantil, que o público fica meio desorientado, sem saber ao certo o que fazer. Todos estão atentos aos seus movimentos, e, se ela faz um sinal, explodem em palmas. Um ponto alto é "Hyperballad", em que Björk põe a mão no ouvido e o público canta os dois primeiros versos sem erro. Para incrementar, na metade da música aparece um quase-batidão, os lasers disparam e tudo acaba virando festa rave.

Com um clímax ainda mais intenso, "Pluto", Björk deixa entrever como uma música tão complexa e avessa a convenções consegue vender (segundo sua gravadora) mais de 15 milhões de discos pelo mundo. Sua música tem algo de primal, permitindo que as pessoas emitam os gritos liberadores que carregam escondidos na civilização --e o fato de o grito primal de Björk ser mais bonito do que o da maioria absoluta da população terrestre não atrapalha, também.

Se ainda resta alguma dúvida disso, ela é dissipada com o bis, "Declare Independance". A terceira música de "Volta" a ser executada é, basicamente, um grito de guerra, que justifica toda a decoração do palco e leva os presentes a um delírio coletivo, por volta das 22h50. Com uma intensidade incomparável a qualquer cantora atual, Björk faz tudo fora do padrão, mas após ver um show seu, são as Celines Dions e Mariah Careys da vida que parecem aberrações da natureza.

Veja abaixo o set list do show de Björk no Rio de Janeiro:

"Earth Intruders"
"Hunter"
"Pagan Poetry"
"Unravel"
"Pleasure is All Mine"
"Jóga"
"Desired Constellation"
"Army of Me"
"Innocence"
"I Miss You"
"Wanderlust"
"Cover Me"
"Hyperballad"
"Plútó"

Bis
"Declare Independence"