UOL Música

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27/10/2007 - 05h53
Com Lindstrom, Girl Talk e Toktok, noite eletrônica do Tim em São Paulo foi uma festa OK

BRUNA MONTEIRO DE BARROS
Editora de UOL Viagem


Rogério Cassimiro / UOL

Apresentação do projeto Girl Talk no Tim Festa (26/10/07)

Apresentação do projeto Girl Talk no Tim Festa (26/10/07)


A noite de música eletrônica do Tim Festival 2007 em São Paulo, no clube The Week, na sexta-feira (26), não chegou nem perto da qualidade dos tempos áureos em que o evento chegou a receber, entre outros, Kraftwerk, Daft Punk, Primal Scream, Fatboy Slim e Timo Maas (os dois últimos na época que o festival ainda era Free Jazz). O clima na noite de lua cheia era de uma festa OK, mas sem grandes expectativas.

O melhor da noitada, musicalmente falando, foi o live do norueguês Lindstrom, que leva o rótulo de space disco, apesar de não assumi-lo. A apresentação do produtor durou uma hora _mas o anúncio era de que ele tocaria duas_ e foi de extrema elegância. Com um som envolvente e melódico, sem grandes sobressaltos, fez a pista mexer, captando cada batida e timbre delicadamente. Destaque para uma produção baseada em uma sinfonia francesa, com a qual o norueguês emociona, remetendo aos bons tempos do Chemical Brothers de "Sunshine Underground".

Antes de Lindstrom, havia rolado Girl Talk, projeto do norte-americano Gregg Gillis no qual ele cola diversos pedaços de músicas conhecidas mixadas com batidas variadas. O resultado é um set vigoroso e cheio de informação, que inevitavelmente balança a galera. De "Umbrella", de Rihanna, a "Ghostbusters", passando por "ABC", do Jackson Five, Avril Lavigne, "Time Out for Fun", do Devo, e muitas outras coisas que as pessoas conhecem, mas não sabem o nome, Girl Talk segurava a energia do público com o truque "essa você conhece, mas já passou".

Mas o grande mérito do moço foi a performance. Quando entrou em cena, não era visto, só ouvido. Do microfone, frases como "oi, tudo bom?" e "façam barulho". Quando começou de verdade o som, não se via um DJ no palco. No lugar onde ele deveria estar tocando, havia um monte de gente, parada. Alguns minutos depois, um movimento de flashes chamava a atenção para a frente da pista. Chegando perto, notava-se que Girl Talk estava tocando no chão, rodeado de pessoas gritando e tirando fotos.

Aos poucos, a galera foi percebendo o que estava acontecendo e ia se aglomerando em volta. Girl Talk pulava muito, gritava e balançava o braço, contagiando quem estava por perto. Mas o resto da pista demorou a entrar na onda. Seu set durou uma hora e agradou o público, que em nenhum momento da noite chegou a lotar o clube. Ele encerrou se jogando na pista para dançar.

A noite foi aberta à 0h20, com o DJ Sinden, que deveria ter se apresentado em dupla com Count of Mount Crystal, que simplesmente não apareceu. Ele começou a tocar para uma pista vazia, que foi enchendo aos poucos. Entrou com um honesto eletrônico funkeado, misturando dancehall, ragga e outros tipos de som do tipo "shake that ass". Mas, no meio do caminho, perdeu a mão, caiu pro lado do prog, pro dance comercial e terminou depois de duas horas de set, mostrando que já tinha dado o que tinha que dar.

A pista principal foi encerrada com a dupla alemã Toktok, que entregou às 4h20 um tecno pesado e de qualidade, mantendo o bom nível deixado por Lindstrom e fazendo dançar com vontade o público que restava na casa.

Vale registrar que o DJ alemão Daniel Haaksman mostrou seu funk carioca misturado com eletrônica tradicional para cerca de 20 pessoas na pista 2, que havia sido aberta por Alexandre Herchcovitch e Johnny Luxo.