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13/08/2004 - 17h14
Bjork apresenta primeira canção do novo disco, "Medúlla", na abertura dos Jogos Olímpicos
da Redação

A cantora Bjork apresentou na abertura dos Jogos Olímpicos, na última sexta (13), para uma platéia televisiva estimada de cerca de 4,5 bilhões de pessoas, "Oceania", a primeira música a ser divulgada de seu novo disco "Medúlla", com lançamento previsto para o dia 30.
A música, que fala sobre o mar "que não vê fronteiras entre os países e acha que todos são iguais", segundo explicou a cantora em entrevista ao jornal inglês "Independent", foi composta por Bjork e o poeta islandês Sjón Sigurdsson, seu parceiro no hit "Bachelorette", de 1999.
"O pessoal da organização dos Jogos Olímpicos me pediu para fazer uma canção tipo 'Ebony and Ivory' e 'We Are the World'", explicou a cantora, referindo-se aos estrondosos sucessos dos anos 80. "Mas eu pensei, 'talvez haja um outro enfoque para isso'", disse em entrevista ao jornal inglês "Independent".
Para escrever a letra, Sigurdsson chegou até a fazer um curso de mitologia grega, na Universidade de Reykjavik.
Bjork apresentou a música no Estádio Olímpico de Atenas com um vestido longuíssimo, cuja cauda foi sendo estendida sobre o gramado, como ondas, à medida que a cantora interpretava a música.
"A versão 'olímpica' será um pouco diferente, para combinar com a ocasião", prometeu a cantora, que na entrevista ao jornal inglês falou ainda sobre o novo disco e sobre sua participação no filme "Dançando no Escuro", de 2000.
Sobre o novo disco, "Medúlla", totalmente baseado em experimentações vocais em gravações à capela, Bjork contou ao Independent que a "única regra" era de que "não ficasse parecido com Mahattan Transfer ou com Bobby McFerrin".
O disco foi produzido por Bjork e gravado em 12 países, em locais como Nova York, Islândia, Ilhas Canárias e Veneza. O disco tem a participação especial de artistas de diversas nacionalidades e uma insólita participação do vocalista do Faith No More, Mike Patton.
"Eu ia colocar o nome de 'Ink' ('Tinta') no disco, pois eu queria que ele fosse como aquele sangue negro, de 5 mil anos, que está dentro de todos nós, um espírito ancestral que é passional e escuro e sobrevive", explicou Bjork.
Segundo o Independent, "Medúlla" mistura arranjos tradicionais para coral com programação eletrônica, graças à colaboração de artistas como Valgeir Sigurdsson, do grupo islandês Múm, e Mark Bell, colaborador de longa data da cantora.
Sobre sua participação, em 2000, no longa "Dançando no Escuro", de Lars Von Trier, a cantora ponderou: "Acho que meu instinto inicial de não atuar no filme estava correto".
"Sempre achei que eu devia me concentrar na música e fazer isso bem, mas o Lars me convenceu a abrir uma exceção. Mas se eu não voltar a atuar mais, não será por causa dele ou de 'Dançando no Escuro'", garantiu.
"Quando comecei as gravações, estava no auge de minha confiança, no final, estava no fundo do poço. O Lars tem um jeito de jogar petróleo na sua alma e depois atear fogo. Não sobra nada. Ele fez a mesma coisa com a Nicole Kidman em 'Dogville'. Ele levava ela pra uma floresta e dizia, 'Eu te odeio por ser linda e bem sucedida, eu quero acabar com você'. Tudo gira em torno do ciúme que ele tem de Hollywood, ciúme da Nicole Kidman, ciúme de mim."
"Ele é um gênio, mas quantos filmes é possível fazer sobre a destruição da personagem principal do sexo feminino?", resumiu a cantora.
Assista ao clipe de "Oceania" no site oficial de Bjork

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