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28/02/2005 - 17h10
Detalhes de acusações contra Michael Jackson são revelados no tribunal pela primeira vez
da Redação

O juiz do tribunal de Santa Maria, Rodney Melville, revelou nesta segunda-feira pela primeira vez os detalhes das acusações que pesam contra o astro pop Michael Jackson, 46, por abuso sexual de um menor, as quais poderão levá-lo a cumprir pena de 20 anos de prisão.
Os detalhes revelados dão conta de que supostamente o cantor mostrava sites pornográficos para crianças que se hospedavam em seu rancho, desfilava nu com o pênis ereto, simulava sexo com manequins e se masturbava na frente delas.
Abatido, o autoproclamado "rei do pop" chegou ao tribunal de Santa Maria e acenou para o grupo de fãs que o esperava. Acompanhado da mãe, Katherine, e do irmão Jermaine, vestia um terno preto com braçadeira vermelha e um medalhão dourado.
Michael Jackson enfrenta 10 acusações, entre elas a de abusar sexualmente de um menino de 13 anos, de embebedá-lo com intuito de seduzi-lo, de conspirar para cometer o seqüestro do menor, de extorsão e cárcere privado, no rancho Neverland, de sua propriedade, situado em Santa Maria.
O cantor, que se declarou inocente de todas as acusações, chegou ao tribunal em um carro preto, escoltado pela polícia, para assistir ao início de seu julgamento, que poderá durar mais de seis meses.
O júri foi guiado através do estacionamento até o recinto do tribunal, onde a promotoria iniciou os procedimentos para dar início ao julgamento e levantar os detalhes da acusação.
Desde a prisão do cantor, em novembro de 2003, a maioria dos documentos sobre o caso, inclusive as acusações que pesam contra o cantor e as transcrições dos procedimentos do grande júri que levaram à acusação, permaneceu lacrada.
A equipe de advogados do cantor apresentou a família do menino - hoje com 15 anos -, que acusa Jackson de abuso sexual, como um grupo de aproveitadores capaz de inventar uma teia de mentiras no tribunal para ganhar uma alta quantia em dinheiro.
O julgamento coloca Jackson e seus advogados novamente contra o promotor de Santa Barbara, Tom Seneddon, considerado pelos defensores como um "inimigo" do astro pop desde que, em 1993, ele foi acusado de molestar um outro menor.
Na época, a família do menino e Michael Jackson fizeram um acordo fora dos tribunais, que envolveu o pagamento de uma soma em dinheiro nunca revelada oficialmente, e o caso não chegou a ser aberto.
O juiz Rodney Melville ainda não decidiu se poderão ser apresentadas durante o julgamento atual evidências relativas à acusação de abuso sexual anterior.
O júri de doze membros, que tem o poder de absolver ou condenar Jackson pelas acusações que pesam sobre ele, é integrado por quatro homens e oito mulheres, numa faixa etária que abarca um jovem de 20 anos e uma viúva de 79. Oito são brancos, três, hispânicos, e um é asiático.
Uma das integrantes do júri tem uma irmã que foi estuprada aos 12 anos, e outra tem um irmão fichado por atentado ao pudor.
Não há negros no júri, o que, para o reverendo e ativista civil negro Jesse Jackson, coloca em pauta novamente a questão da influência branca na Justiça e suspeitas de iniqüidade.
Jesse Jackson, que não tem nenhum parentesco com o astro, levantou domingo uma suspeita sobre a composição do júri e declarou que esta poderia demonstrar que Jackson não terá "um julgamento justo".
(Com agências internacionais)

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