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15/03/2005 - 19h39
Lenny Kravitz anuncia nome do novo disco e se diz comprometido com Deus; assista entrevista

ANTONIO FARINACI
Enviado especial a Porto Alegre


Na tarde de terça (15), o cantor americano Lenny Kravitz recebeu a TV UOL para uma entrevista individual, exclusiva, em que falou sobre esta sua primeira turnê no país e sobre sua carreira, no hotel Sheraton de Porto Alegre (RS).

"Este é o momento em que eu devo estar aqui. É realmente empolgante!", anima-se o cantor. "Tivemos que esperar tanto tempo para nos ver", considera o cantor, que só chega ao Brasil após 15 anos de carreira e mais de 750 mil CDs vendidos.

O cantor, que faz questão de dizer que não é "metido", proibiu de antemão, por meio de sua assessoria, que fossem feitas perguntas sobre sua vida pessoal e suas namoradas.

Depois de afirmar que não se considera religioso, mas "comprometido com Deus", Kravitz adiantou que o nome de seu próximo disco deve ser "Holy Ghost Injection" (algo como "injeção de Espírito Santo").

Veja a seguir os principais pontos da entrevista:

UOL - Você vendeu mais de 750 mil discos no Brasil. Por que demorou tanto para tocar para nós?

Lenny Kravitz - Não sei, eu mesmo me pergunto isso. Mas você faz as coisas quando é a hora de fazer, e este é o momento em que eu devo estar aqui. É realmente empolgante, porque tivemos de esperar tanto para nos ver, o que torna tudo mais excitante, eu acho.

UOL - O show no Rio será o seu primeiro numa praia...

Kravitz -
É. Eu só vou aparecer, tocar música e me divertir muito com todas as pessoas. Vai ter muita gente, vai ser muito bonito. Eu não poderia imaginar um cenário melhor para uma celebração dessas.

UOL - Você já foi a um show na praia?

Kravitz
- Acho que não.

UOL - Então será uma estréia para você e para o público?

Kravitz -
Sim!

UOL - Você ainda vai a shows?

Kravitz -
Claro, eu sou um fã, não sou nem um pouco metido, eu vou a shows, me divirto, vou ver grupos que eu amo, sinto-me uma criança.

UOL - Qual foi o último show a que você foi?

Kravitz -
Ainda gosto muitos dos clássicos. Nos últimos anos, vi grandes shows de Bob Dylan, Crosby, Stills, Nash and Young, Aerosmith, Stones, Kiss. Muitos dos caras mais velhos ainda estão mandando ver.

UOL - Quando você começou a careira, seu pseudônimo era Romeo Blue. Você tinha influência de Prince?

Kravitz -
Sim, de Prince e de David Bowie. Esses eram os artistas pelos quais eu era mais obcecado na época, toda aquela coisa do Ziggy Stardust. Mas depois tudo acabou dando em mim mesmo. É engraçado, outro dia, quando eu estava tocando em Buenos Aires, tinha uma garota com uma camiseta do Romeo Blue. Achei muito engraçado.

UOL - É você que desenha as roupas dos shows?

Kravitz -
Sim.

UOL - E é verdade que você vai lançar uma marca de roupas?

Kravitz -
Sim, é uma casa de moda, na verdade. Estou aguardando ansiosamente. Há muitas formas para se expressar: música, filmes, moda. E são todas coisas pelas quais estou interessado.

UOL - E você vai desenhar as roupas?

Kravitz -
Sim, mas não serei a única pessoa. Trabalharei com uma equipe de outras três pessoas. Sou o diretor de criação.

UOL - E o nome será "Lenny Kravitz"?

Kravitz -
Acho que esse vai funcionar...

UOL - Seu último disco se chama "Baptism" (batismo). Você é uma pessoa religiosa?

Kravitz -
Não sei se a palavra certa é religião. Religião às vezes não quer dizer que existe uma conexão, mas apenas que você está cumprindo oum "gestual". Eu estou comprometido com estar perto de Deus e tentar crescer, fazer o melhor que eu posso.

UOL - Nesse disco, você tentou se afastar um pouco de um estilo mais sexy?

Kravitz -
Não, eu sou quem eu sou. Há um equilíbrio, há uma hora e um lugar para tudo. Se você ouve as letras de todos os discos, sempre estão centradas em amor, em Deus, em paz e também em sexualidade, que é parte de toda a coisa. Há uma hora e um lugar para tudo.

UOL - Sua mãe era atriz, e seu pai, produtor de TV. Você nunca pensou em entrar no ramo da TV?

Kravitz -
Não, eu costumava atuar bastante quando era mais jovem, fazendo teatro em Nova York e em Los Angeles. Eu farei um filme, então vou acabar voltando a isso. Este é o momento da minha vida em que estou usando diferentes meios para me expressar.

UOL - O que será esse filme?

Kravitz -
Ele se chamará "Barbecues and Barmitzvas" ("churrascos e barmitzvas", em Português). É um pouco biográfico, é sobre alguém que cresce na mesma situação, entre duas culturas, em Nova York. (Nota do Editor: O pai de Kravitz é judeu e sua mãe era negra)

UOL - Você nasceu em Nova York e se mudou para Los Angeles com 9 anos. Você acha que, se tivesse ficado em NY, sua música seria diferente?

Kravitz -
Provavelmente seria mais orientada para o hip hop. Eu sou de Bed-Sty, o mesmo bairro de Jay-Z , Mike Tyson, Biggie... Se eu não tivesse ido para Los Angeles, sido exposto ao rock'n'roll, tenho certeza de que teria ido para uma direção mais "urbana", digamos. Eu me lembro de minha infância no Brooklyn, de ver as pessoas com os toca-discos na rua, com alto-falantes caseiros, era o nascimento do hip hop. Era muito novo. Mas aí eu me mudei.

UOL - Você abandonou um disco que estava fazendo para lançar "Baptism". O que aconteceu? Você ainda quer lançá-lo?

Kravitz -
Sim. Eu vou terminá-lo e lançá-lo até o fim do ano. É um disco meio de funk, um disco psicodélico-funk-spiritual.

UOL - Como se chamará?

Kravitz -
Não tenho certeza, mas acho que "Holy Ghost Injection".
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Dia 19: Brasília - Estádio Mané Garrincha. Informações: (61) 244-4800.

Dia 21: Rio - Praia de Copacabana. Entrada franca.

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