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02/08/2005 - 20h38
Mistura de romance e existencialismo do Kills chega ao Brasil com CD e shows; veja entrevista
FERNANDO KAIDA e ANTONIO FARINACI UOL Música

Uma mistura explosiva de romance e existencialismo: assim o guitarrista Jamie Hince descreve o som do The Kills, dupla formada por ele e pela vocalista Alison Mosshart, que desembarca pela primeira vez no Brasil, nas próximas semanas, em um pacote completo de disco e shows.
Diretamente de Londres, Hotel (pseudônimo de Hince) falou a UOL Música sobre o disco "No Wow", que chega às lojas na próxima quinta (4), e sobre as apresentações que acontecem em São Paulo (dia 12) e Recife (13).
"Se você quer música pop, não ouça nosso disco", avisa de cara Hotel. "O Kills não diz respeito apenas a canções. Queremos deixar um legado, como o Fugazi, Sonic Youth, Velvet Underground ou o MC5, bandas que promoveram mudanças. Sei que pode parecer absurdo dizer isso em 2005, mas é o que queremos", explica.
A sonoridade concisa do Kills, que está baseada no encontro de guitarras distorcidas, bateria eletrônica e vocais sussurrados, ganha ainda mais peso nos shows da dupla. "Nossos shows são muito melhores do que os discos. Para fazer o novo disco, tivemos só um mês, depois passamos vários meses excursionando", diz o guitarrista, "isso fez com que a gente tocasse com mais confiança e o show ficasse mais alto, enérgico e poderoso".
SÓ SE FOR A DOIS Hotel e Mosshart, que utiliza o pseudônimo VV, se conheceram no início de 2000. Como ela morava nos Estados Unidos e ele em Londres, os dois trocavam fitas pelo correio. No ano seguinte, a cantora se mudou para a Inglaterra e os dois começaram a trabalhar no som que viria a ser o The Kills.
"Nunca foi intencional ser apenas uma dupla", lembra Hotel, "na verdade não achamos ninguém para tocar bateria, baixo ou teclado conosco, o que foi frustrante".
Para os ensaios, a dupla começou a ausar uma bateria eletrônica. "Quando percebemos, estávamos completos, fazendo música assim, sem precisar de mais ninguém".
A banda se concentrou num som simples e direto, no qual "menos é mais", com letras sobre relacionamentos existencialistas e desilusões amorosas. "Adoro bandas que entendem o poder e a importância do silêncio na música, como Wire, ESG e Sparklehorse", declara Hotel. "É mais importante trabalhar no que é essencial para a música ao invés de ficar acrescentando muitas coisas", completa.
O primeiro compacto do Kills, "Black Rooster", de 2002, rendeu à dupla elogios da crítica, que a colocou entre as revelações do então "novo rock", ao lado de nomes como Strokes e White Stripes.
Se no começo da carreira não foi fácil achar outros músicos, depois de dois elogiados álbuns e com o nome do Kills cada vez mais conhecido, a dupla abandonou definitivamente a idéia de ser uma banda maior.
"Seria perigoso ter outra pessoa envolvida. Passaríamos a soar como uma banda comum. Há algo de especial em sermos apenas ela e eu", avalia Hotel.
"NO WOW" De sonoridade mais sombria, distorcida e sensual, "No Wow", segundo disco do Kills, que chaga às lojas brasileiras na próxima quinta (4), tirou a dupla da prateleira do rock de garagem, em que foram colocados em sua estréia, e a promoveu a art-rock.
"Tentamos não ficar ligados a movimentos. Quando você abraça algo, como new wave, britpop, punk funk ou qualquer outro movimento que apareça, você corre o risco de virar a banda mais 'uncool' que existe no ano seguinte", diz Hotel. "Quem sabe quando lançarmos nosso terceiro disco, sejamos descritos como uma banda de reggae ou death metal", brinca o guitarrista sobre a dificuldade da imprensa britânica em categorizar o som da banda.
As 11 canções de "No Wow" falam de amores enviezados. Em "Rodeo Town", por exemplo, Mosshart entoa provocativamente o refrão "if I'm so evil, why are you satisfied" (algo como "se eu sou tão mau, por que você se satisfaz?"), e em "I Hate the Way You Love" (ou "odeio o jeito como você ama"), bem... o título já diz tudo.
"Acho que romance e existencialismo formam uma combinação letal. É por isso que nossas canções são tão transtornadas", declara Hotel.
Outros destaques do novo disco são as canções lançadas como singles --"The Good Ones" e "Love is a Deserter"-- e a faixa-título do CD.
SHOWS NO BRASIL No Brasil, o Kills faz duas apresentações, uma em São Paulo, na sexta-feira, dia 12; uma em Recife, no sábado, 13. O show de São Paulo acontece dentro da programação do Campari Rock (clique aqui para ver a programação completa do festival).
Segundo Hotel, o público pode esperar nos shows uma sonoridade ainda mais pesada do que a do disco. "Essa é uma coisa que me incomoda", revela, "Depois de excursionar por meses seguidos, você passa a ver as canções de outra maneira, encontra outros significados".
Hotel avisa ainda que, durante a passagem pelo país, pretende "tirar muitas fotos, conhecer pessoas e ir a clubes".
THE KILLS EM SÃO PAULO Data: na madrugada de sexta-feira, 12/8, para sábado (dentro da programação do Campari Rock) Local: Fábrica da Lapa (av. Mofarrej 1267, Lapa) Horário do show: 1h10 Preço: R$60 Informações: site do festival Campari Rock
THE KILLS EM RECIFE Data: sábado, 13/8 (dentro da programação do No Ar: Coquetel Molotov) Local: Teatro UFPE Horário do show: a partir das 20h Preço: R$20 (meia entrada R$10) Informações: site do festival No Ar: Coquetel Molotov
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