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14/08/2005 - 17h33
Principal atração da noite, MC5 faz show empolgante com sucessos de carreira

da Redação

O grupo de Detroit MC5, considerado um dos precursores do punk rock, já nos anos 60 (o movimento só aconteceria de fato cerca de dez anos depois), fez um show animado para uma platéia de fãs na madrugada de sábado (13) para domingo, no Campari Rock.

Wayne Kramer, Michael Davis e Denis Thompson, integrantes da formação original da banda que se desfez no início dos anos 70, subiram ao palco às 2h30, acompanhados pelo guitarrista Marshall Crenshaw, e apresentaram três músicas antes que o vocalista do Mudhoney, Mark Arm, se juntasse a eles como "convidado especial".

Arm se revelou um trunfo do grupo. Seus vocais e presença de palco enérgicos deram força à apresentação da banda veterana, em versões de personalidade, mas fiéis às interpretações de Rob Tyner, vocalista original do MC5, morto em 91 (o outro integrante original era o guitarrista Fred "Sonic" Smith, morto em 94).

Apesar de Kramer, guitarrista e atual líder do grupo, ter dito em entrevista a UOL Música, no dia 25 de julho, que estava mais interessado no jazz vanguardista de Coltrane e Sun Ra do que em punk, o que o MC5 mostrou no Campari foi mesmo um show de rock, sem experimentalismos.

Alguns fãs, acostumados ao MC5 de gravações, chegaram a estranhar alguns arranjos do grupo.

"Eu gosto do MC5 antigo, mais seco. Achei que hoje eles exageraram um pouco nos solos de guitarra", comentava a jornalista Pricila Lagos, 30, ao final do show.

Pricila disse também ter ficado incomodada em alguns momentos com a postura de palco de Kramer, que ensaiou alguns passinhos de dança e um rebolado, que, segundo ela, não combinam com o MC5 "original".

Para o analista de sistemas Gustavo Rodrigues, 25, que não conhecia o som do MC5, o melhor do grupo é a capacidade de "improviso": "Uma hora, eles fizeram um duelo de guitarras que não deu certo mas eles perceberam rápido e já foram direto pra outra música", disse.

No geral, no entanto, a platéia não deu importância para esses detalhes e reagiu com animação ao show, pulando do começo ao fim da apresentação que durou cerca de uma hora e meia e foi a mais longa de uma banda no festival. Alguns, mais animados, ensaiavam um "pogo" (espécie de dança em que as pessoas se jogam umas nas outras, com os ombros), próximos ao palco.

No repertório, sucessos como "Tonite", "Motor City Is Burning" e "Rocket Reducer # 62 (Rama Lama Fa Fa Fa)", em que o público pode participar fazendo um coro de três vozes, regido por Kramer.

No final, o MC5 recompensou a animação dos fãs com dois bis. No primeiro, tocaram o maior sucesso do grupo, "Kick Out the Jams", de 68. Na segunda volta, o vocalista Mark Arm fez um "stage dive" (mergulho na platéia) e foi carregado pelo público. O show terminou às 4h, com a música "Over and Over".

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