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28/09/2005 - 20h20
"Querem nos transformar em novos Chicos e Caetanos", diz baixista do Los Hermanos; veja entrevista na TV UOL
THIAGO STIVALETTI
Colaboração para o UOL

Como acontece a cada lançamento, o Los Hermanos surpreende entregando aos fãs aquilo que eles não esperam. Depois de uma mistura equilibrada de pop, rock e até samba em seu terceiro disco, "Ventura", o grupo volta com um quarto álbum de nome lacônico ("4"), canções introspectivas e arranjos lentos e melódicos.
Em entrevista exclusiva à TV UOL, Rodrigo Amarante - baixista, guitarrista, vocalista e um dos compositores do grupo (o outro é Marcelo Camelo) - nega que o grupo se esforce em trocar de roupa a toda hora. "É sempre um processo natural de mudança. Entre o nosso primeiro disco e este quarto há um espaço de cinco ou seis anos. A roupa que você usa hoje não é a mesma de tanto tempo atrás", explica.
Ele e o baterista Rodrigo Barba conversaram nesta quarta-feira com o público do bate-papo do UOL por uma hora, na tarde desta quarta, e a platéia foi de 1.241 pessoas (leia a íntegra).
Amarante não gosta de pensar "4" como uma evolução na carreira do grupo. "Não tivemos a intenção de fazer um disco rebuscado, evoluir, essas coisas. A gente está sempre perdido, nunca sabe para onde está indo."
O primeiro clipe tirado do novo CD, "Vento", recebeu uma indicação na categoria MPB do Video Music Brasil da MTV, que anuncia seus vencedores nesta quinta. Curioso para uma banda que antes era rotulada como pop-rock. "A sigla MPB é fetichista, quer perpetuar uma música que teve o seu auge no passado. Tentam nos transformar em novos Chicos e Caetanos. Acho isso estranho e engraçado ao mesmo tempo, não faz muito sentido para mim", diz Amarante.
A proximidade com a tal MPB passa pelo prestígio do compositor Marcelo Camelo junto à cantora Maria Rita, que já gravou cinco músicas suas - três no primeiro disco e duas no novo "Segundo". "Mas não temos essa preocupação em sermos gravados por cantores supostamente sofisticados, que estão mais próximos dos grandes ícones da MPB. Muita gente não acha o DJ Marlboro refinado, e se ele quisesse mixar uma música minha eu acharia o máximo", diz Amarante.
O processo de criação é o mesmo desde o segundo disco, "Bloco do Eu Sozinho". Camelo e Amarante chegam com as composições, e os quatro integrantes se isolam em um sítio para compor os arranjos - no caso de "4", foram seis semanas, de meados de fevereiro ao fim de março deste ano.
"A gente tem tempo para pensar e repensar o nome das músicas, do disco, a turnê que vamos fazer durante os próximos dois anos", explica o baterista Rodrigo Barba. "Da primeira vez foi pra fugir da mídia mesmo, não tínhamos nem telefone nem TV, e o celular pegava muito mal. Agora não estamos mais em fuga, mas esse isolamento sempre nos ajuda".
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