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23/10/2005 - 18h01
Segunda noite do Tim destacou hip hop, rock independente e funk carioca

FERNANDO KAIDA e FELIPE VAZQUEZ
Enviados especiais ao Rio


O hip hop do De La Soul, o rock das bandas Arcade Fire e Wilco, e a mistura de eletrônica e funk carioca de M.I.A. e Diplo marcaram a programação da segunda noite do Tim Festival, no Rio de Janeiro.

O trio norte-americano De La Soul abriu o Main Stage por volta das 22h20, e, desde o início do show, não deixou a animação cair por um momento sequer. A resposta positiva do público fez o rapper Trugoy comentar que o "Rio é melhor que São Paulo", referindo-se ao primeiro show do grupo no Brasil, em 1999.

Com mais de 15 anos de carreira, o De La Soul soube como cativar a platéia, que pulou e dançou ao som de hits antigos como "A Rollerskating Jam Named 'Saturdays'" e "Me Myself And I", além de faixas mais recentes como "Oooh", "All Good" e "Grind Date".

Logo após o De La Soul, foi a vez da novata cantora inglesa M.I.A., que graças a seu primeiro disco, "Arular", lançado este ano, é um dos nomes mais falados da música pop atual.

A apresentação começou morna, sem repetir o mesmo clima de festa deixado pelo De La Soul. Porém, logo que a música "Buck Done Gun" começou a sair das caixas de som, o público reagiu com entusiasmo. A faixa traz um sample de "Injeção", funk carioca interpretado por Deise Tigrona. A funkeira fez participação especial no show para delírio da pista, que dançava ao som da mistura de rap, electro e funk carioca.

A tarefa de encerrar a programação do Main Stage ficou a cargo do rapper inglês Dizzee Rascal, que começou sua apresentação pouco depois da meia-noite e meia e mostrou músicas de seus dois discos, "Boy in da Corner" e "Showtime", ambos de 2004.

Rock alternativo no Tim Lab

Diferentemente do que ocorreu na sexta (21/10), quando teve público pífio (400 pessoas, aproximadamente), no sábado o palco Tim Lab lotou para receber os novatos Arcade Fire e a banda ícone da música alternativa Wilco.

O público de cerca de 2.000 pessoas precisou mais uma vez de certa dose de paciência: todas as apresentações do Tim Lab foram adiadas por mais de uma hora, começando só após o término da programação do vizinho Tim Club, devido ao vazamento de som de uma tenda para outra.

Por volta da meia-noite o público já começava a protestar pelo atraso com algumas vaias e foi nesse clima que o duo brasileiro Lado 2 Estéreo teve que abrir a programação do Tim Lab, com sua mistura de metal, ritmos brasileiros e algumas intervenções eletrônicas.

Logo após a apresentação do grupo brasileiro, a banda canadense Arcade Fire subiu ao palco à 1h15 da madrugada de sábado para domingo, e mostrou muita vitalidade, presença de palco e constante troca de instrumentos entre os músicos da banda.

Com direito a escalada na torre de iluminação do palco por parte do músico Jeremy Gara, o que levou o público ao delírio, o repertório do show foi baseado no álbum "Funeral" - além de versões de "Age of Consent" do New Order e "Aquarela do Brasil" de Ary Barroso -, culminando no final com um medley dos hits "Power Out" e "Rebellion". O show não teve bis, apesar de muitos protestos da platéia.

Se o Arcade Fire não atendeu aos pedidos de bis, a banda norte-americana Wilco, atração seguinte, foi mais genenosa e fez um show com cerca de duas horas.

Com mais de 20 músicas, o repertório passeou por toda a discografia do grupo formado em 1994 e teve canções como "Poor Day", "Monday", "Outta Side" e "I'm a Wheel". A banda mesclava momentos de tranquilidade com passagens apoteóticas cheias de ruídos e distorções. Ao vivo, o rock com influências da country music do Wilco ganhou mais peso e experimentalismo, remetendo a bandas como The Band e Sonic Youth.

O público reagia com entusiasmo a cada nova introdução e, ao final, foi premiado com um bis com cerca de meia hora de duração. Antes de continuar o show, o vocalista e guitarrista Jeff Tweedy afirmou: "Já que não estamos por aqui com frequência, vamos ficar tocando por um tempo". Com a insistência dos presentes, que incluía o cantor Caetano Veloso, o Wilco voltou para um segundo bis, de uma música apenas, para se despedir de um público extasiado com o que acabara de assistir.

Motomix

Enquanto o o público de rock se deliciava com o rock alternativo do Tim Lab, no Motomix a noite continuava com hip hop, electro e funk carioca. A abertura ficou por conta de KL Jay, DJ dos Racionais MCs, que misturou sucessos da black music, soul e algumas faixas de rap nacional, e esquentou o público para a apresentação do norte-americano Cut Chemist.

O DJ, que fez parte do grupo de hip hop Jurassic 5, fez a platéia do Motomix dançar a sua habilidosa sequência de troca de discos, usando com maestria as picapes até às 3h30.

Coube ao DJ norte-americano Diplo, namorado de M.I.A. e um dos responsáveis pela atual onda do funk carioca no exterior, fechar a programação de sábado do Tim Festival. Diplo misturou clássicos do miami bass, do pop eletrônico ("Blue Monday" do New Order e "Sweet Dreams" do Eurythmics) e sucessos do funk carioca como "Kabo Kaki", de Tati Quebra Barraco, para um público que dançou até o amanhecer.




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