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11/11/2005 - 20h18
Líder do Flaming Lips quer andar sobre público brasileiro em sua "bolha espacial"
FERNANDO KAIDA UOL Música

Das atrações internacionais escaladas para o Claro que é Rock, festival que acontece no dias 26 e 27 de novembro, em São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente, o trio norte-americano The Flaming Lips é, possivelmente, o nome com o qual o público brasileiro está menos familiarizado, em comparação a outras atrações como Sonic Youth, Iggy Pop, Good Charlote ou Nine Inch Nails.
Sem discos lançados no país, a banda criada em Oklahoma no início dos anos 80 não freqüenta a programação das rádios brasileiras e muito menos pode ser vista com regularidade na MTV. Ainda assim, a apresentação do trio liderado pelo cantor e guitarrista Wayne Coyne, 44, deve ser colocada na lista de shows "imperdíveis" do evento.
"Não sabemos o quanto somos conhecidos pelos brasileiros, mas, não importa o que aconteça, vamos nos divertir muito. Vou implorar para que o público demonstre entusiasmo, mesmo sem conheçer as músicas", brincou Coyne durante entrevista concedida a UOL Música, direto de um estúdio em Nova York onde o próximo disco da banda é finalizado.
Com 10 álbuns em sua discografia, o som dos Flaming Lips vai do rock cru, distorcido e barulhento ao pop melódico e orquestral com a presença de efeitos de estúdio, manipulações eletrônicas e sempre carregado de muita psicodelia. Seu maior sucesso até hoje é a canção "She Don't Use Jelly", do disco "Transmissions from the Satellite Heart", de 1993, que entrou no top 40 norte-americano.
Se em disco os integrantes surpreendem com novas misturas e experimentações, ao vivo o trio vai além de apenas subir ao palco para mostrar suas canções. Com o auxílio de apetrechos como máquinas de fumaça, globos espelhados, chuvas de papel picado, balões e telões com imagens diversas, entre outros, o Flaming Lips faz de suas apresentações uma divertida experiência visual e sonora.
Em turnês mais recentes, o grupo passou ainda a tocar vestindo fantasias de bichos de pelúcia --Justin Timberlake chegou a se apresentar com a banda no programa "Top of The Pops", da TV inglesa, vestido de golfinho, em 2003. Wayne criou ainda uma bolha de acrílico (que chama de "bolha espacial") na qual entra e anda sobre a platéia, nos shows.
Graças a suas apresentações, a revista inglesa "Q" colocou o Flaming Lips em sua lista de "50 bandas que você deve assistir antes de morrer", publicada em 2002.
O vocalista não considera o fato da banda ser pouco conhecida no Brasil uma barreira muito grande com a platéia: "É nossa função fazer com que eles gostem de nós. Não acho que você precise conhecer tanto uma banda para gostar do show. Quero que fiquem enlouquecidos".
Além disso, Coyne confia no poder de persuasão de seus fãs: "Eu sempre posso contar com as pessoas que conhecem a música do Flaming Lips para inspirar os que não a conhecem. É incrível como uma platéia pode se tranformar ao ver alguém possuído por algo".
De acordo com o cantor, o repertório das apresentações será centrado em álbuns mais recentes, conhecidos e aclamados da banda, como "Clouds Taste Metallic", de 1995; "The Soft Bulletin", de 1999; e "Yoshimi Battles The Pink Robots", de 2002, além do hit "She Don't Use Jelly" e talvez uma faixa do próximo disco, "At War With The Mystics", que deve sair em abril de 2006.
O Flaming Lips são conhecidos também por fazer regravações inusitadas de canções, como "Seven Nation Army", dos White Stripes (cuja letra foi alterada para "comparar" George Bush com Harry Potter), ou "Can't Get You Out of My Head", de Kylie Minogue, que ganhou uma versão acústica, ao violão. No Brasil, Coyne pretende mostrar duas covers de clássicos do rock: "Bohemian Rhapsody", do Queen ("é uma canção maravilhosa e tão popular que quando a tocamos o show se torna uma espécie de karaokê gigante"), e "War Pigs", do Black Sabbath.
Essa última canção, aliás, desempenhou papel importante na elaboração do novo álbum, já classificado como mais "roqueiro" que seus antecessores.
"Há cerca de um ano e meio começamos a tocar 'War Pigs', do Black Sabbath. Vendo como sua dinâmica funcionava, encontramos um novo caminho para nosso som. Isso mostra como o mundo tem possibilidades infinitas. O rock é uma das melhores coisas já inventadas, ao lado do salto-alto e do sorvete", brincou.
Além de participar de diversas compilações, entre elas um disco em tributo ao Queen, "Killer Queen" (que reúne ainda Joss Stone, Los Lobos e Sum-41), Wayne terminou recentemente as filmagens de "Christmas in Mars", filme dirigido por ele e estrelado por outros músicos e amigos da banda. A história gira em torno de cientistas que celebram seu primeiro Natal em uma colônia no planeta Marte. Para lançar o longa, Coyne tem planos que seguem a experiência ao vivo do Flaming Lips e flertam com "Rocky Horror Picture Show".
"Gostaríamos de poder mostrá-lo em teatros com um sistema de som gigante, com máquinas de fumaça e coisas caindo do teto. A platéia poderia ficar bêbada, fumar maconha, transar, fazer o que quisesse enquanto o filme passa", imagina Coyne. "Acho que assim teria mais impacto e força do que se fosse lançado apenas em DVD. Não é que não ficaríamos felizes (com o DVD), mas queremos algo próximo de uma experiência que pode mudar sua vida, assim com um show de rock. É o que tentaremos fazer, mas não sei se conseguiremos", pondera.
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