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25/11/2005 - 19h22
"Detalhes" é o sucesso número um de Roberto Carlos; conheça as dez mais
da Redação

De acordo com a opinião dos internautas do UOL, a música "Detalhes" é o sucesso favorito de Roberto Carlos, eleita com 38% dos votos em uma enquete online que ficou no ar de 18 a 25 de novembro e recebeu mais de 10 mil votos.
Ivete Sangalo, Gal Costa, Roberto Frejat, Lorena Calábria, Pedro Alexandre Sanches e outros artistas e jornalistas da área musical comentam, abaixo, as dez músicas que participaram da votação. Clique nos links para ler os depoimentos.
1º - "Detalhes", por Lorena Calábria 2º - "Outra Vez", por Antonio Farinaci 3º - "Como É Grande o Meu Amor por Você", por Kid Vinil 4º - "Emoções", por Gal Costa 5º - "Como Vai Você", por Zizi Possi 6º - "Cavalgada", por Fernando Catatau 7º - "O Portão", por José Simão 8º - "As Curvas da Estrada de Santos", por Roberto Frejat 9º - "Além do Horizonte", por Ivete Sangalo 10º - "Jesus Cristo", por Pedro Alexandre Sanches
 | por Lorena Calábria, 41 (apresentadora de TV) "Detalhes" é uma música que logo remete a minha infância. Quando ela foi lançada, naquele disco do Roberto de 1971, eu devia ter uns sete, oito anos. Era a primeira faixa do vinil e era a de que eu mais gostava, sem saber por quê. Só aquela introdução, achava uma maravilha. Claro que nem entendia o que a letra queria dizer. Isso só fui perceber mais tarde, na minha fase pré-adolescência. E foi como uma flechada no meu coraçãozinho. Estava eu na platéia do Canecão, ao lado da minha família, assistindo ao "novo" show do Rei, cena que se repetiu por vários anos. Roberto começa a cantar "Detalhes". Então, veio a luz: é isso, a letra fala de um casal que não é mais casal. E o cara está saindo por cima, com uma dor de cotovelo daquelas, mas não está nem aí. Admite ciúmes de um cabeludo e ainda se gaba de que a garota não vai esquecê-lo tão facilmente. Uau! E eu, com meus doze anos de inocência, descobria, enfim, as dores de amor, sem nunca ter me apaixonado. Pelo menos, eram os detalhes que me contavam Roberto e Erasmo. Anos depois, muitas paixões depois, ainda acho a melhor música de dor-de-cotovelo. Porque não tem vingança, não tem ódio. É sarcástica, provocativa. E traz a certeza de que toda pessoa amada não vai embora nunca --fica pra sempre na memória. E "os detalhes tão pequenos" se agigantam com o tempo. |
 | por Antonio Farinaci, 37 (editor de música do UOL) Acho que esta é uma das gravações mais marcantes de Roberto Carlos, de sua fase romântica. Nela, ele aparece apenas como intérprete --e ele é provavelmente o maior intérprete brasileiro "moderno" de repertório romântico. A interpretação dele é sempre muito contida, reservada, mas, lá no fundo da voz, se você prestar atenção, tem uma tristeza mansa, que nunca se coloca em primeiro plano, mas que está lá. Acho que essa sutileza se deve a uma sofisticação intuitiva que Roberto Carlos tem como cantor. Lembro que essa música foi trilha do par romântico feito por Sônia Braga e Antonio Fagundes, na novela "Dancin' Days", em 78, e foi incluída na trilha a pedido da própria Sônia. Era só eles aparecerem pra começar: "você foi... o maior dos meus casos... de todos os abraços, o que eu nunca esqueci". Esta é uma composição marcante da Isolda, autora de um outro clássico do repertório de RC (e também de Bethânia), "Um Jeito Estúpido de te Amar". |
 | por Kid Vinil, 50 (músico e jornalista) Essa balada era música de casamento! Chegava a substituir a "Marcha Nupcial" como tema para a entrada da noiva. É uma balada ainda da primeira fase do Roberto, antes de ele virar totalmente um cantor romântico. Eu gosto mais da fase roqueira dele, da jovem guarda, de músicas como "É Proibido Fumar", "Eu Sou Terrível", "Quero que Vá Tudo pro Inferno". Depois, ele abandonou esse lado roqueiro e ficou definido por essa coisa mais romântica. |
4º - "Emoções" (Roberto Carlos e Erasmo Carlos) 
por Gal Costa, 60 (cantora) Na época em que esta música foi lançada e fez sucesso, ela era sempre a primeira música que eu ouvia no dia, logo que eu acordava. É uma música tão pra cima, que a gente ouve e já sai dançando. Ela tem o poder de levantar o astral, de deixar a gente alegre. O Roberto é uma pessoa muito iluminada, generosa, que transmite uma energia muito positiva, e isto está nesta canção. |
5º - "Como Vai Você" (Antônio Marcos) 
por Zizi Possi, 49 (cantora) Esta é uma das músicas mais bonitas daquela época (1972), e com certeza de todas as épocas, enquanto houver desejo e afeto entre as pessoas. Roberto tem na voz o dom de expressar um coração concentrado, íntegro, capaz de mover montanhas pelo seu amor. Quem haverá de não se emocionar? |
6º - "Cavalgada" (Roberto Carlos e Erasmo Carlos) 
por Fernando Catatau (Cidadão Instigado), 34 (músico) Roberto Carlos é meu artista favorito da música brasileira, e "Cavalgada" é uma das canções dele de que eu mais gosto. Acho linda demais. Não sei se é verdade, mas dizem que ele fez pra Fafá de Belém. O primeiro disco de "música adulta" que eu tive foi de Roberto Carlos, aos dez anos, um disco que tinha "Guerra dos Meninos" (1980) e que eu guardo até hoje. O disco que tem "Cavalgada" (1977) eu comprei há pouco tempo, para completar minha coleção da fase dele de que eu gosto mais, do final dos anos 60 até meados dos 80, e que vai mais ou menos do fim da jovem guarda até "Cama e Mesa", "Amor Perfeito"... Acho que não há ninguém como Roberto Carlos para falar de amor. Eu me identifico muito com as músicas dele, porque me lembram minha infância, meus avós paternos... É muito afetivo. |
7º - "O Portão" (Roberto Carlos e Erasmo Carlos) 
por José Simão, 60 (colunista) O Roberto Carlos tem um monte de músicas de que a gente não sabe o nome nem sabe cantar inteira. Tipo esta. Todo mundo conhece o refrão "eu voltei... agora pra ficar... porque aqui... aqui é o meu lugar". Mas ninguém sabe o nome, "O Portão". E a gente sempre canta as músicas do Roberto Carlos. Sabe por quê? De tanto ouvir! Toca tanto que a gente também canta. Ainda mais que esta música foi trilha de um comercial de TV (de uma marca de cigarro, nos anos 70). Eu adoro essa fase mais antiga do Roberto Carlos. Mas eu não conheço ele. O mais próximo que eu já cheguei dele foi uma vez, no Réveillon de 2003 para 2004, que a Luciana, filha dele, passou no meu barco, em Salvador. Daí, à meia-noite, o Rei ligou no celular dela, pra desejar feliz ano novo! |
8º - "As Curvas da Estrada de Santos" (Roberto e Erasmo) 
por Roberto Frejat, 43 (músico) Quando eu era pequeno, "As Curvas da Estrada de Santos" me passava todo o imaginário de velocidade e do perigo, porque falava de uma estrada reconhecidamente perigosa. Depois, mais na frente, quando fui produzir a versão maravilhosa do Kid Abelha para esta música, para o disco "Rei", em 1995, é que percebi que ela tinha toda essa dimensão de solidão e dor de cotovelo da letra. Uma coisa bem mais intensa do que um mero namoro adolescente. |
9º - "Além do Horizonte" (Roberto Carlos e Erasmo Carlos) 
por Ivete Sangalo, 33 (cantora) Era um sonho para mim, como para qualquer mortal, cantar com o Rei, e, quando pintou aquela oportunidade (de cantar no especial de final de ano de Roberto Carlos em 2004), pensei estar sonhando. Tanto que falei que tinha sido meu presente de Natal! E ainda por cima duetar! Cantei (sozinha) "Se Eu Não te Amasse Tanto Assim" (de Herbert Viana) e fizemos um dueto em "Além do Horizonte", que é um classico do repertório dele. Foi o máximo! Desde pequena que ouço as músicas dele e um dia espero gravar alguma canção com o rei. Será mais um sonho a se realizar. |
10º - "Jesus Cristo" (Roberto Carlos e Erasmo Carlos) 
por Pedro Alexandre Sanches, 37 (jornalista) "Jesus Cristo" foi a primeira canção explicitamente religiosa do Roberto Carlos, e era um hino genial de devoção, com fortes toques de gospel e de soul. Apareceu quando eu tinha dois anos de idade, e eu posso dizer que não sei o que é o mundo sem esses versos "Jesus Cristo, Jesus Cristo, Jesus Cristo, eu estou aqui", embora durante a infância e a adolescência eu detestasse os versos, a música, o cantor. Hoje acho que era por imaturidade e preconceito --contra a religiosidade panfletária, contra a popularidade da canção, contra certos fanatismos não só religiosos que ele passou a nutrir, contra o próprio RC. Além de considerar, hoje em dia, que é uma obra-prima do pop sob qualquer ponto de vista que quisermos tomar, passei a ficar encafifado com uma outra coisa, que me parece meio subterrânea em "Jesus Cristo". À época, era entendida pela esquerda e pelos intelectuais como mais uma manifestação de como Roberto vivia alienado de tudo, inclusive do clima de terror que o país vivia. Mas ela me parece, na minha opinião, o modo mais sincero e prosaico que ele encontrou de também protestar, de dizer que tudo ia muito mal no Brasil de 1970. Falo daqueles versos tipo "em cada esquina eu vejo o olhar perdido de um irmão", que retratam, à sua maneira meio torta, a terra arrasada que era o Brasil na época. |
As dez músicas que participaram desta enquete foram selecionadas de uma lista com mais de 60, de todas as músicas de Roberto Carlos que já estiveram no top 100 das rádios brasileiras (segundo ranking do site Hot100Brasil), desde 1963, ano de lançamento de seu primeiro long-play oficial, "Splish Splash".
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