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26/11/2005 - 22h08
Fantômas faz show rigoroso e fora dos padrões pop no Claro Que É Rock

ANTONIO FARINACI
Editor de Música do UOL


O grupo Fantômas, liderado pelo ex-vocalista do Faith No More, Mike Patton fez uma corajosa apresentação no Claro Que É Rock, em que a banda brincou com estruturas e timbres de heavy metal, pop e trilhas de cinema, sem fazer nenhuma concessão a formatos tradicionais de canções, com refrão e melodias cantáveis.

O trabalho de Patton à frente do Fantômas remete mais a experimentalismos de vanguarda e a compositores da música contemporânea como Berio e Stockhausen do que ao seu passado de roqueiro pop.

O show é rico em texturas e dinâmicas, mudanças drásticas de climas, e um senso de humor que pende para o humor negro. As músicas são construções rigorosas, recortes complexos, com tempos compostos, cheios de marcações rítmicas, que Patton rege, de seu teclado, como a um conjunto de câmara. O cantor aliás, parece um maestro lunático, com seu bigodinho ralo, fazendo uma coreografia expressionista para marcar as passagens da música.

Seu canto é processado por filtros e funciona mais como uma textura do que como um solo propriamente dito. Em diversos momentos, Patton se auto-ironiza, imitando trejeitos de cantores de rock pesado e recorre a clichês do estilo, como urros guturais ou vocalizações agudas. Mas, com toda sua ironia, Patton não cospe no prato em que comeu. A música do Fantômas é mais uma homenagem ao rock, elaborada e inteligente, do que um ataque ou tentativa de atestar seu óbito.

No repertório, releituras personalíssimas de temas de filmes de terror, como "Bebê de Rosemary", "A Profecia", e de clássicos como "O Poderoso Chefão", entre outras pérolas.

Além de Patton, o Fantômas conta ainda com o guitarrista Buzz Osbourne, do grupo Melvins (que, conta a lenda, era a banda favorita de Kurt Cobain), o baixista Trevor Dunn (do grupo Mr. Bungle, do qual Patton também participa) e o baterista Dave Lombardo (do Slayer), que no Brasil foi substituído por Terry Bozzio, que já tocou com Frank Zappa e na banda new wave Missing Persons.

O grupo, formado em 1998, logo após o término do Faith No More, tem quatro discos lançados, "Fantômas", de 1999; "The Director's Cut", de 2001; "Millennium Monsterwork" (em parceria com os Melvins), de 2002, e "Delirium Cordia", de 2004.

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