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23/02/2006 - 18h40
Leia a íntegra da entrevista com Alex Kapranos à TV UOL traduzida
da Redação

UOL - Como surgiu o convite para abrir os shows do U2? Alex Kapranos - Tudo começou há um ano, um ano e meio, num show que fizemos em Dublin, e o The Edge foi assistir, e ele foi no camarim depois, com a filha. Ele foi muito legal. E uns meses depois a gente recebeu um telefonema deles, nos convidando pra tocar com a banda na Espanha. E nós tocamos com eles na Espanha, no final do ano passado e foi ótimo. A gente se divertiu muito, eles são super bacanas. Depois eles disseram que iam tocar na América do Sul e nos convidaram pra vir junto. E agente disse que sim. E aqui estamos.
UOL - Vocês tiveram um público de mais de 70 mil pessoas em cada show. Este foi a maior platéia que vocês já tiveram? AK - Às vezes a gente toca em festivais, que levam muitas pessoas, mas nunca fizemos um show pra um público tão grande. A gente nunca tinha tocado num estádio grande. E era uma platéia incrível.
UOL - E as pessoas chegaram a cantar junto com vocês em "Take me Out". Vocês esperavam essa receptividade? AK - Eu fiquei impressionado com o jeito como as pessoas entraram de cabeça. É estranho. Porque a gente entra no palco, mas não tem idéia se as pessoas conhecem as músicas. E é nossa primeira vez no Brasil. Ainda mais pra uma platéia grande. Foi incrível. Eu fiquei emocionado. Tipo: Essa platéia sabe mesmo dar um show pra gente. É como se a platéia desse um show pra gente.
UOL - É verdade que vocês passaram a terça feira no estúdio, gravando? AK - É verdade. A gente gosta de gravar durante a turnê. A gente ouviu dizer que tinha bons estúdios em São Paulo. A gente trabalhou com um técnico chamado David, ontem, que foi muito legal. O Nick e eu gravamos durante o dia as bases de umas músicas. Daí a gente voltou depois do show e ficamos lá até as oito da manhã. Passamos a madrugada gravando.
UOL - E o que vocês gravaram? AK - A gente gravou três músicas novas.
UOL - Pro disco novo? AK - Provavelmente. E uma das músicas novas que gravamos ontem tinha um naipe de metais, o que é uma novidade pra gente. A gente nunca tinha usado metais em uma música. E os metais fazem uma frase bem marcada. Eu compus o riff na guitarra, mas achei que ia ficar legal se fosse tocado pelos metais.
UOL - Uma coisa tipo ska? AK - Não é bem ska. É mais pra soul, mais pra Sly Stone. Ou quem sabe Dexy's Midnight Runners.
UOL - E quando o disco vai ficar pronto? AK - Quando terminar. Não sei ainda. Mas a gente não é do tipo de banda que fica enrolando. Não é uma coisa pra daqui a dez anos. É pra breve.
UOL - Vocês estão sendo acompanhados pelo cineasta Don Letts. O que é que vocês estão fazendo juntos? AK - O Don Letts é um cineasta incrível e ele queria captar a banda num ambiente particularmente estimulante. E eu não posso imaginar uma coisa mais estimulante do que vir ao Brasil, à Argentina.
UOL - Ainda mais com uma platéia tão grande! AK - Claro. E dá pra mostrar lados diferentes da banda também. E é incrível trabalhar com o Don Letts...
UOL - E o que isso vai virar no final? Um DVD, um filme? AK - Não sei. A idéia é fazer um filme. Algo que tenha um certo sentido de aventura e experimentalismo.
UOL - O primeiro DVD de Vocês vai sair no Brasil. O que ele traz? AK - Quando a gente lançou o primeiro disco, a gente fez muitos shows. Foi uma fase muito empolgante pra gente, como banda. Foi uma das épocas mais emocionantes da minha vida, com os shows, as pessoas começando a conhecer a banda, os shows eram muito emocionantes. A gente fez muitas filmagens nessa época. Acho que a gente conseguiu captar um momento da história da banda. E é isso o que você vê no DVD. Um período muito especial para a banda.
UOL - Então é basicamente turnê? AK - Tem turnê, mas tem outras coisas. Tem uma parte de documentário. Tem também uma parte que é um karaokê, que a gente colocou lá de brincadeira. Todas as bandas, quando fazem apresentações na TV, fazem uma coisa horrível, que é apresentar o vocal ao vivo, mas os instrumentos são gravados num playback. No começo, a gente ficava meio com vergonha de fazer isso. Mas daí a gente percebeu que era que nem karaokê. E se você gosta de karaokê, então o melhor é ir lá, fazer e achar graça. E a gente pensou que se a gente tirava uma onda de karaokê, nossos fãs também podiam gostar. Daí a gente pegou umas faixas, fez um vídeo pra elas e colocou a letra em baixo.
UOL - É tipo um "siga a bolinha"! AK - É. Mas não é um simples karaokê. É mais legal. Porque é com a gente mesmo tocando. É mais divertido.
UOL - Nos anos 60, o rock tinha a ver com rebeldia e com juventude. Hoje em dia, já existem gerações de roqueiros na faixa dos 50 e 60 anos. Você acha que isso muda a definição de o que é rock? AK - Eu acho que uma atitude rebelde é definitivamente importante. E eu não me refiro a um clichê de rebeldia, com jaqueta de couro e um cigarro pendurado na boca. Mas, eu acho que pensar de uma maneira fora do convencional é importante. E quanto à idade... Eu sei que os Rolling Stones tocaram aqui e eles estão todos na faixa dos 60, mas se você pensar nos caras que foram a inspiração deles, eles também eram mais velhos... Howlin' Wolf, por exemplo, ele já tinha 50 anos quando começou a fazer as coisas dele. A idade é irrelevante. É a atitude o que importa.
UOL - Como você vê o Franz Ferdinand daqui a 30 anos? AK - Sei lá! Eu mal posso ver o que vai acontecer daqui a cinco anos, que dirá 30!
UOL - Daqui a 30 anos você prefere estar como Ozzy Osbourne, Mick Jagger, Iggy Pop ou Elton John? AK - Eu espero que quando eu chegue a idade do Iggy, por exemplo, que está com quase 60, eu espero que eu ainda tenha aquela energia, aquele pique de subir num palco e dar um show. Isso seria fantástico.
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