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10/03/2006 - 20h31
Tentar dançar Laurent Garnier no D-Edge foi uma grande roubada
BRUNA MONTEIRO DE BARROS Editora-assistente da Home Page do UOL

Quem tinha a intenção de dançar o som do DJ francês Laurent Garnier na última quinta-feira (9/3) no clube paulistano D-Edge passou por maus bocados e acabou encarando uma roubada sem fim.
Com ingressos caríssimos, vendidos a R$ 80 antecipados, a segurança da casa não se deu ao trabalho de organizar uma fila decente na porta do clube. Quem chegava à alameda Olga, na Barra Funda, por volta da 1h30, encontrava uma maçaroca de gente espremida na porta do estabelecimento. Os seguranças não sabiam informar onde era a entrada de vips ou de quem já possuía ingresso. Havia muita gente tentando falar com a hostess, gritando, e a cotovelada imperava. Espremida pelas pessoas em volta, fiquei 20 minutos em um ponto indicado pelo segurança, tentando entrar e acenando meu convite, quando descobri que estava no lugar errado. Meu ingresso era para outra "fila"... Dirigi-me à aglomeração da esquerda e, após mais uns dez minutos de cotoveladas, consegui entrar, por volta das 2h10.
A casa já estava cheia, mas ainda não havia chegado perto da lotação que atingiria e do forno que viraria. Casa lotada nem sempre é sinal de pista ruim, mas dessa vez foi insuportável. O D-Edge estava abarrotado de um público mal educado e pouco interessado na música. Eu estava sozinha na pista de dança e tudo que eu buscava era um cantinho para curtir o som. Impossível. Cada vez que eu fechava os olhos, era uma cotovelada, um empurrão, um banho de bebida ou uma pessoa inteira pulando em cima de mim. Adoro dançar na pista de frente pro DJ, mas fui obrigada a desistir.
Depois de muito implorar, consegui subir na tal nova sala vip, a área ao lado da cabine do DJ que foi ampliada. Ufa, ganhei um pouco de espaço para dançar, mas o calor só piorava _parecia que o ar-condicionado não estava funcionando. Além disso, havia boatos de que ingressos falsos haviam sido vendidos, e o D-Edge estava com lotação além da permitida. Mesmo na área vip, não agüentei o calor e decidi, com alguns amigos, ir embora no meio do set de Garnier, por volta das 3h30. Quem gosta de música eletrônica sabe que é quase um sacrilégio deixar um set do DJ francês antes do fim, mas, eu garanto, Laurent Garnier não estava Laurent Garnier naquela noite na Barra Funda. Alguma coisa estava faltando. Lá vou eu soltar a frase: estava faltando vibe...
Não havia fila para sair, mas isso não significou que havia ordem. Adivinhe, um bolo de gente, sem nenhuma organização, tentava pagar para sair. É tão complicado assim colocar uns seguranças para organizar uma fila? Depois de brincarmos que estávamos no Carnaval da Bahia e fazermos piada com a roubada, meus amigos e eu fomos surpreendidos com uma cena bizarra.
Um rapaz acompanhado da namorada vem de trás, passa pelo nosso lado e tenta furar a fila, ups!, o bolo. Depois de ser informado de que o fim da fila (ou do que deveria ser uma fila) era lá atrás, o moço resolveu ficar violento, começou a fazer ameaças, armou um tumulto e saiu distribuindo socos. Os seguranças intervieram e surpreendentemente encaminharam o rapaz e mais seis amigos (!) para a frente da fila. Por que a segurança não tirou o briguento e obrigou os seus amigos a pegaram a fila como todos nós? Não dá pra entender.
Nessa noite, ouvi de várias pessoas que aquela era a última vez que pisavam naquele clube e que o D-Edge estava "acabado" para eles. Prefiro acreditar que assim como foi traumática para o público, a noite também tenha sido traumática para o clube e que problemas como esses não voltem a acontecer. O D-Edge está fazendo seu nome na noite paulistana por trazer bons nomes da cena mundial da música eletrônica, só falta agora poder se vangloriar um dia de respeitar o público e ser um lugar agradável de freqüentar.
Outro lado
Em nota de esclarecimento divulgada nesta sexta pelo D-Edge, o clube afirmou que o tumulto na entrada do estabelecimento foi causado por um atraso de 45 minutos na abertura das portas da casa. O sistema de iluminação queimou por volta da meia-noite, hora em que a casa deveria ter sido aberta, e teve de ser reparado. Segundo o D-Edge, o atraso "gerou tumulto por parte do público para entrar no clube; não houve como a segurança controlar o público em filas, como sempre acontece".
Para o clube, o tumulto na saída foi ainda um reflexo do problema na entrada: "Por causa do atraso na entrada, a saída dos clientes do clube também foi prejudicada porque havia muitas pessoas entrando e saindo ao mesmo tempo", afirma o comunicado. O D-Edge informou que foram vendidos 500 ingressos e distribuídos 150 convites, número compatível com a lotação da casa. Segundo a segurança da festa, não houve problemas com convites falsos na porta.
O clube informa ainda que aqueles que compraram ingresso para festa e não conseguiram entrar serão ressarcidos. Basta apresentar o ingresso original na gerência da casa, em horário comercial.
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