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04/04/2006 - 09h13
Dupla Fixmer/McCarthy leva eletrônica e atitude punk ao Campari Rock
FERNANDO KAIDA Editor-assistente de UOL Música

Representantes de diferentes gerações da música eletrônica estarão juntos no mesmo palco no próximo sábado (8), durante o show da dupla Fixmer/McCarthy no Campari Rock. De um lado, o francês Terence Fixmer, da atual geração de produtores que fazem música inspirada principalmente na eletrônica pesada dos anos 80, mais conhecida como electronic body music (EBM). Do outro, o cantor inglês Douglas McCarthy, metade de um dos grupos mais importantes e influentes do período, o Nitzer Ebb, que deixou de existir na segunda metade dos anos 90 depois de lançar pelo menos um disco fundamental do estilo, a estréia "That Total Age", de 1987. Afastado da música desde então, McCarthy foi procurado por Fixmer por volta de 2002, quando o francês foi um dos DJs convidados a remixar antigos sucessos do Nitzer Ebb para o selo inglês Mute. "Ele (Terence Fixmer) entrou em contato comigo para que eu cantasse em algumas faixas que ele havia feito", contou McCarthy ao UOL Música por telefone, direto de Londres, sobre a parceria. "Eu ouvi o material, e decidimos entrar em estúdio, na França. O trabalho rolou muito bem, então vimos que poderíamos fazer um álbum completo facilmente. Foi assim que nasceu". Do trabalho em conjunto surgiu o disco "Between The Devil", lançado em 2004, que serve de base para os shows da dupla. No disco, a produção atual de Fixmer, dançante e marcada pela influência da EBM e da eletrônica industrial, de nomes como Front 242 e o próprio Nitzer Ebb, casam perfeitamente com os vocais de personalidade forte de McCarthy. A dupla já gravou o segundo álbum, que deve chegar às lojas até o final do ano, após o lançamento de uma retrospectiva do Nitzer Ebb, em junho. Para o show do Campari Rock, festival que acontece em Atibaia (SP) com Supergrass e Ira, Fixmer/McCarthy deve apresentar músicas de "Between The Devil", algo do novo trabalho, cujo single "And Then Finally" saiu em março, e alguns clássicos de sua antiga banda. "Temos tocado 'Join In The Chant', 'Murderous', 'Let Your Body learn' e 'Control I'm Here'. Alguma ou algumas delas estarão no show", disse McCarthy. Sobre a apresentação no palco, o vocalista diz que faz "uma performance muito energética". "Terrence controla todos os equipamentos eletrônicos. Minha atuação é baseada na liberação explosiva de energia. Foi como eu aprendi a me apresentar quando era mais novo. Só sei me apresentar dessa maneira". Questionado sobre as diferenças de tocar ao vivo com Fixmer e com seu antigo parceiro, Bon Harris, McCarthy dá mais dicas do que esperar do show no festival. "Com Terence, a relação é mais livre entre a faixa original e a versão ao vivo. Ele gosta de usar os mixers e equipamentos para colocar efeitos ao vivo e mudar as músicas. É a emoção dele, a minha e a do público que define como será a versão de uma faixa que tocamos".
Retorno do Nitzer Ebb
Apesar de o Nitzer Ebb não gozar de muita popularidade comercial nos anos 80, a influência da banda na produção de nomes atuais não surpreende o cantor. Segundo Douglas, o interesse recente pela música da banda somente "deixa mais claro o impacto que o Nitzer Ebb teve na música eletrônica dançante". "Eu sempre percebi (a influência do grupo na eletrônica atual), mas é bom ver isso reafirmado por outros artistas", diz, referindo-se aos DJs que remixam e colocam músicas gravadas há 20 anos em suas discotecagens. "Quando começamos, nossas grandes influências eram a música disco dos anos 70 e o punk rock da mesma época. Acho que fomos os primeiros a utilizar isso em tudo que fizemos", declara sobre qual seria a importância do Nitzer Ebb para a eletrônica atual. "Essa irreverência sobre como a música deve ser feita e que tipos de música você pode misturar". Para Douglas, o fato de o Nitzer Ebb ser uma espécie de banda punk eletrônica numa época na qual a música feita por máquinas era mais associada ao tecnopop, de nomes como Humam League e Depeche Mode, limitava o espaço dado do grupo. "Os únicos lugares onde podíamos tocar eram clubes punk. Em qualquer lugar onde tocávamos, éramos a única banda sem guitarras".
Depois do sucesso atingido por seguidores como Prodigy e Nine Inch Nails, entre outros, o músico acha que a eletrônica mais pesada deixou de surpreender o público, o que pode ter levado à boa receptividade do seu atual projeto. Com sua volta à música, com o Fixmer/McCarthy, reacendeu o interesse das pessoas pela banda original, o que reuniu McCarthy e Harris novamente. Além da compilação de singles que sai em junho, "estou trabalhando na arte da capa neste momento", diz o cantor, o Nitzer Ebb anunciou uma turnê de retorno que pode vir ao Brasil "entre setembro e outubro". A turnê começa em junho, com shows na Espanha sem nenhum material inédito. "É melhor manter o foco no material antigo. Ele é motivo da volta que estamos fazendo", afirma.
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