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11/05/2006 - 19h42
"Fiz minha carreira roubando sons dos outros, não ligo se roubarem os meus", diz Liam Howlett, do Prodigy

ANTONIO FARINACI
Editor de UOL Música


FERNANDO KAIDA
Editor-assistente de UOL Música


O grupo Prodigy, um dos primeiros grupos a misturar rock, hip hop e música eletrônica, e a levar essa mistura para as paradas de sucesso com músicas como "Firestarter" e "Smack my Bitch Up", toca no próximo sábado (13), em São Paulo, no Skol Beats.

Para falar sobre essa segunda vinda da banda ao Brasil (a primeira foi em 1999, quando tocou no Rio e em São Paulo), Liam Howlett, produtor e mentor musical do Prodigy, conversou com UOL Música, direto de seu estúdio, em Londres.

Howlett, que está trabalhando no próximo disco da banda, falou ainda sobre música eletrônica, Internet e a carreira da banda. Para ele, hoje em dia o interesse e o "hype" não estão mais na música eletrônica, mas na música de qualidade e no novo.

"Eu fiz a minha própria carreira roubando sons dos outros em meu próprio benefício. Se alguém quiser se inspirar ou roubar algo da nossa música para fazer algo novo, não tem importância", arrematou.

Leia abaixo os melhores trechos da entrevista:

UOL Música: Quando o Prodigy começou a carreira, no início dos anos 90, havia poucos nomes famosos na música eletrônica; eram praticamente só vocês, o Fatboy Slim e o Chemical Brothers. Como você vê o panorama da música eletrônica hoje?
Liam Howlett: Acho que vivemos uma época ótima. Acho que o "hype" hoje está concentrada nas pessoas que fazem boa música (e não na música eletrônica). Alguém que faz um disco incrível, que apenas por acaso é um disco de música eletrônica, vai aparecer. Não há competição dentro da música eletrônica.

UOL Música: E que nome vocês dão à música que vocês fazem?
LH: Acho que fazemos música do Prodigy. Não nos vemos em nenhuma categoria. Não estamos tentanto seguir a dance music. Só queremos fazer uma música animada. Eu misturo eletrônica, hip hop, punk rock... Todas essas influências estão na minha cabeça, são coisas de que gosto, então isso aparece em algum lugar da música. Eu não estou nem aí se é dance ou não. Se fosse assim, ia ser chato.

UOL Música: O que você lembra d aprimeira vez que vocês tocaram no Brasil, em 1999 (no festival Close-up Planet, em São Paulo e no Rio)?
LH: O Brasil é um lugar "selvagem" pra mim. As pessoas são loucas por uma festa e me parece o lugar ideal para a nossa banda tocar. Esta é a minha lembrança da primeira vez. É um lugar muito colorido. Estamos muito animados de voltar. Nós vamos fazer apenas um show, pena que não vamos fazer mais. Depois que o disco novo sair, no ano que vem, quero voltar para fazer uma turnê de verdade.

UOL Música: O que o público pode esperar do show no Skol Beats?
LH: Que será ainda melhor do que da outra vez.

UOL Música: Melhor em que sentido?
LH: Ah, a gente arrasa! É o que a gente sabe fazer. A gente também quer se divertir, e se as pessoas estiverem a fim de se divertir, é isso o que a gente vai dar.

UOL Música: Vocês vêm com músicos para tocar ao vivo?
LH: Sim. Nós temos um grupo de apoio que é o mesmo nos últimos oito anos. Sou eu, o Keith e o Maxim, o Rob na guitarra e o Kieran na bateria. São sempre cinco pessoas no palco.

UOL Música: O que vocês vão tocar?
LH: Vamos tocar músicas de toda nossa carreira, mas em versões diferentes, renovadas. A gente não está indo pra fazer um show tipo greatest hits. Vamos tocar sucessos e algumas músicas novas, mas de uma forma que também seja nova pra gente.

UOL Música: Vocês vão tocar músicas do disco novo no show?
LH: Sim. Temos duas faixas prontas que entrarão no show. Nossos fãs já devem conhecer da Internet, mas elas ainda não foram lançadas.

UOL Música: Tem alguma banda que vai tocar no festival cujo show você gostaria de assistir?
LH: Sim. O LCD Soundsystem.

UOL Música: Em que pé está o disco novo?
LH: Acabamos de começar. Estamos experimentando idéias. Estamos muito animados de estar no estúdio gravando. Mas está bem no início. Nem temos um nome pro disco. Só deve ser lançado no ano que vem.

É um disco muito "rápido". Tem a ver com o show que estamos fazendo ao vivo. Vai ser mais intenso e mais rápido (do que o anterior "Always Outnumbered, Never Outgunned", de 2004). E também mais melódico. O outro disco era só eu e os convidados, neste, estamos de volta com o Maxim e o Keith na banda (mesmo assim, continuamos cantando ao vivo algumas músicas do disco anterior de que gostamos).

UOL Música: A Internet e o compartilhamento de arquivos de som online tem sido bom ou ruim para o Prodigy?
LH: Acho que a Internet tem um lado bom e um ruim, como tudo, e a gente tem que reconhecer as coisas boas e passar por cima das ruins. O lado ruim é que nós sempre queremos ter uma coisa "nova". E, com a Internet, logo depois que você toca uma música nova num show ela já está na rede para o mundo todo. Às vezes, a música ainda nem está pronta e já está na Web. Agora, o lado bom é que, se a música for boa e as pessoas gostarem dela, isso cria um burburinho e vai todo mundo ouvir e conhecer o seu trabalho. Quanto mais gente pode ouvir a sua música, melhor. Esse é o lado bom.

Você percebe a influência do Prodigy em bandas novas?
LH: Aqui e ali... Há muitas bandas de rock hoje, muitas são boas, e elas utilizam métodos de produção que é possível que já tenhamos usado. Mas eu não consigo me lembrar de nenhuma em que isso seja bem óbvio. Mas eu não sou preciosista quanto a isso. Eu fiz a minha própria carreira "roubando" sons dos outros em meu benefício. Se alguém quiser se inspirar ou "roubar" algo da nossa música para fazer algo novo, não tem importância.

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