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20/07/2006 - 22h48
Integrante das Frenéticas mostra hits da discoteca na Rádio UOL; banda toca em SP com Santa Esmeralda
da Redação

O maior fenômeno da discoteca brasileira, as Frenéticas, encontram no próximo dia 28 o grupo franco-americano Santa Esmeralda, do sucesso "Please Don't Let me Be Misunderstood", para comemorar 30 anos de nascimento do ritmo dançante que virou febre pelo mundo todo e para relembrar os 30 anos de formação do sexteto feminino carioca.
Integrante da formação original da banda, Edyr Duqui, 59, gravou para a Rádio UOL um programa especial em que apresenta suas músicas favoritas que marcaram a era disco. Em entrevista a UOL Música a cantora falou sobre a carreira com as Frenéticas e contou que, para ela, a época do musical hippie "Hair" era mais louca do que a da discoteca.
30 anos de que? É difícil precisar o aniversário da disco, e é fato que muitos sucessos do início dos anos 70 já traziam as características dessa música, como a mistura de ritmos negros e latinos com batidas eletrônicas e baixos pulsantes. O que dá para dizer com certeza é que as Frenéticas, sim, nasceram em 1976.
O grupo surgiu de uma idéia do jornalista carioca Nelson Motta, na época priprietário da boate Dancin' Days, no Rio de Janeiro. Motta encomendou a sua cunhada Sandra, irmã da atriz Marília Pera, que arrebanhasse um grupo de amigas para trabalhar como garçonete do local, que deveriam ter um diferencial: "Quando chegava a meia-noite, tirávamos o avental, subíamos no palco e cantávamos", relembra Edyr.
Edyr era atriz, e havia participado da primeira montagem brasileira de "Hair", de 1970 a 1972, com um elenco estreladíssimo que contava ainda com Sônia Braga, Aracy Balabanian, Denis Carvalho, Wolf Maia, Armando Bogus e Ariclê Peres, entre outros.
"E a Sandra só conhecia atrizes. Ela chamou a Regina. A Regina, a Leyloca e o Don Pepe me indicaram. Daí a Sandra falou com a Dulcilene. E veio a Lidoka de São Paulo". Don Pepe, explica Edyr, era o "discotecário" da boate.
O sucesso das apresentações foi instantâneo e o grupo foi eleito pela revista "Veja" como um dos dez melhores espetáculos do ano.
"Depois começamos a ensaiar no quartinho do Roberto de Carvalho, que, na época, namorava a Rita Lee", relembra Edyr. Desses encontros, surgiu uma demo, com músicas que o sexteto apresentava no palco do Dancin' Days: um popurri que incluía sucessos da jovem guarda como "Exército do Surf" e "O Gênio", e a música "A Felicidade Bate à sua Porta", de Gonzaguinha (que mais tarde se casaria com Sandra Pera).
Um compacto foi lançado e, em seguida, um longa-play. A música de Gonzaguinha se tornou o primeiro sucesso do grupo, com mais de 150 cópias vendidas.
Dancin' Days, da boate à novela A boate que serviu como ponto de partida do grupo, e que funcionava no Shopping da Gávea, durou apenas três meses --algum tempo depois de fechar, reabriu no morro da Urca. Mas, nessa época, em 78, as Frenéticas já tinham estourado e se apresentavam por todo o país.
O segundo LP, "Caia na Gandaia", consolidou o prestígio das Frenéticas, com composições inéditas de figurões da música brasileira, como Roberto e Erasmo Carlos, Rita Lee e Gilberto Gil, feitas sob medida para o humor a um tempo debochado e sexy do grupo.
"Tudo vinha naturalmente", relembra Edyr, "as pessoas eram muito felizes trabalhando com a gente".
O disco representou o auge da popularidade relêmpago das "ex-garçonetes". Duas das músicas foram título e tema de abertura de novelas da rede Globo, a emblemática "Dancin' Days" e "Feijão Maravilha".
Pioneiras Desses anos, Edyr guarda lembranças inusitadas para uma diva da era disco --época geralmente associada às baladas intermináveis, ao hedonismo e ao consumo de drogas.
"Eu sou a mais velha do grupo e já tinha uma filha de dois anos e meio. Eu trabalha, voltava pra casa, cuidava da minha filha e a maior parte do tempo tentava passar com ela. Não tinha muito como aproveitar a balada", garante. "Mais louco era na época do 'Hair'. Quando a gente saía de uma cidade para outra, as pessoas nos seguiam. Daí, a polícia ia atrás e prendia a gente", relembra.
Apesar de todo o sucesso, Edyr conta que não foi possível ganhar muito dinheiro com as Frenéticas. "Nós fomos pioneiras. Você já viu desbravador ficar rico?", brinca. "A Gretchen eu sei que fez dinheiro, porque só excursionavam ela e o operador de som. Nós éramos seis, não abríamos mão de tocar com banda", relembra, e isso significava mais gente pra dividir o cachê.
Edyr, que hoje faz a escrava alforriada Ruth, em "Sinhá Moça", novela das seis da rede Globo, diz que não é saudosista. "Tudo está vivo na minha memória, mas o momento presente é ótimo e o futuro vai ser ainda melhor", avalia.
Da formação original, as Frenéticas hoje mantêm, além de Edyr, Dhu Moraes (ex Dulcilene) e Lidoka. Regina hoje trabalha como produtora do humorista Chico Anysio, Leiloca é astróloga e atriz, e Sandra, que trabalha como diretora de teatro, está atualmente em cartaz com a peça "Um Espírito Baixou Lá em Casa", no Rio. Essas vagas foram preenchidas por Gabriela Pinheiro, Cláudia Borioni e Liane Maya.
FRENÉTICAS e SANTA ESMERALDA
participação especial do grupo QUASÍMODO
28 de julho 22h
Via Funchal Rua Funchal, 65
Venda de ingressos e mais informações pelos telefones (11) 3089-6999 e (11) 3897-4456.
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