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25/07/2006 - 10h42
Edgard Scandurra faz dez anos de namoro com eletrônica e prepara disco novo do Benzina

da Redação

Folha Imagem

O guitarrista Edgard Scandurra, que faz dez anos de Benzina

O guitarrista Edgard Scandurra, que faz dez anos de Benzina

Hoje, com a nova popularidade reencontrada do rock nas pistas de dança, é cada vez mais normal encontrar fãs de música eletrônica e roqueiros dividindo a mesma balada e até DJs que misturam esses dois gêneros em sua discotecagem. Mas Edgard Scandurra, guitarrista do Ira! que completa este ano uma década de seu projeto solo Benzina --pioneiro dessa mistura no Brasil-- e com o qual se prepara para lançar disco novo, lembra que isso nem sempre foi assim.

Em 1996, quando ele começou a fazer suas primeiras apresentações em que aplicava solos de guitarra e elementos de rock sobre bases de tecno, teve de enfrentar o nariz torcido das duas tribos: clubbers que viam com desconfiança sua presença roqueira em raves e também da turma do rock, que "por ignorância", segundo ele, menosprezava a música eletrônica.

"Para eles era tudo bate estaca ou poperô. O pessoal do rock não conhecia as diferenças entre gêneros eletrônicos como tecno, drum'n'bass, house, e nem dominava essa nomenclatura", relembra.

Hoje, momento em que as fronteiras entre os dois gêneros fica cada vez mais tênue, graças ao trabalho de outros pioneiros como Chemichal Brothers e Prodigy, e mais recentemente Mylo e LCD Soundsystem, Scandurra avalia que a convergência entre os dois gêneros trouxe ao rock uma possibilidade de avanço para além da auto-referência e do passadismo.

"O rock botou a cabeça pra fora da água. Ele estava se afogando em referências do passado. Com a eletrônica, ele parou de olhar para trás e ganhou novas possibilidades, não só no campo musical mas na atitude", avalia. O músico acredita ainda que a eletrônica, com seus clubes, DJs e festas, tenha resgatado o universo underground.

"Desde o punk eu não via uma cena surgida dos subterrâneos, de locais onde o banheiro é sujo e o whisky é de procedência duvidosa. A música eletrônica resgatou a madrugada e a vontade das pessoas de se reunir para ouvir música e se divertir", teoriza.

Do novo disco do Benzina, "Amor Incondicional", que já está pronto e deve ser lançado "entre agosto e setembro", Scandurra adianta as participações especiais de sua mulher Andréa Merkel, nos vocais da música "La Décadence", de Serge Gainsbourg; de Gigante Brasil, na bateria, e do baixista Paulo Lepetit, ex-colaborador do compositor Itamar Assumpção, morto em 2003.

"O primeiro disco do Benzina era bem eclético, com elementos acústicos misturados à programação eletrônica. O segundo ('Dream Pop') era mais direcionado às pistas, sem nem precisar de remix. Este terceiro traz um reecontro das possibilidades acústicas do rock dentro da pista de dança", avalia. "Esse reecontro trouxe para mim a mesma possibilidade que a música eletrônica me dava, de emoção e viagem. É um disco para as pessoas ouvirem de olhos fechados, batendo os pés, e viajando".

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