UOL Música
UOL BUSCA

Publicidade

14/08/2006 - 21h25
Nhocuné Soul mostra seu samba-rap engajado e romântico

Da Redação

A banda Nhocuné Soul apresenta nesta terça (15) sua mistura de samba, rap e funk, entre o romantismo e o engajamento, no Grazie a Dio! em São Paulo.

Fã de Itamar Assumpção e Benito Di Paula, o vocalista do grupo, Renato Gama, vocalista e compositor do grupo, falou por telefone com UOL Música, direto da laje da casa de sua mãe, na Vila Nhocuné (zona leste de São Paulo), bairro que empresta seu nome à banda.

O grupo tem um disco lançado "Samba Rap Periférico" (2003) e se prepara para lançar ainda este ano "Amando e Sambando", por seu próprio selo. Sobre os scratches old school do DJ Marcianno, cuícas e tamborins, a voz grave de Gama canta sobre violência na periferia, mas também sobre o amor.

Gama, para quem "a única revolução possível é a artística", falou sobre os shows, sobre o disco novo e sobre engajamento político. Leia abaixo trechos da entrevista com cantor.

UOL Música: Como foi o início da banda?
Renato Gama: Quando se vive na periferia e quer ser músico, sobram duas opções, ou é samba ou hip hop. Eu queria ir além desta história. Eu cresci ouvindo, Jorge Ben Jor, Bebeto, Marku Ribas, Trio Mocotó, porque minha mãe adorava dançar samba-rock e as aulas eram na nossa casa. Mas eu também gosto mesmo é de Itamar Assumpção e Benito de Paula.

UOL Música: E a formação dos músicos?
RG: Eu, meu irmão, Ronaldo Gama, contrabaixista, e o Juninho, percussionista, sempre fomos músicos. O guitarrista Luiz Couto é psicólogo e ainda exerce a profissão; Tico Taques, baterista, é cenógrafo; o DJ Marcianno trabalha numa empresa na área administrativa, e o Jhony Gima, também percussionista, trabalha num hospital.

Quando resolvemos montar a banda, pensei que não podíamos ser todos da periferia, queria que nossa mensagem fosse entendida tanto no centro de São Paulo, quanto na Bahia. Prestei faculdade de Letras no Mackenzie e brinquei que ia entrar só para conseguir um guitarrista. Isso realmente aconteceu, entrei e conheci o Luiz, que fazia Psicologia e tocava guitarra. Larguei o curso porque era caro, mas continuei com a banda.

UOL Música: Porque resolveram colocar o nome da Vila Nhocuné na banda?
RG: No começo, em 95, o nome era Clã. Já tinha DJ, mas o som era meio Secos & Molhados. Em 98 gravamos uma demo, "Cabeça de Nego" e como o som tinha mudado, mudamos o nome da banda. Vila Nhocuné é um dos bairros mais violentos da Zona Leste e quando os moradores iam fazer ficha de emprego, evitavam dizer que eram daqui.

UOL Música: Em 2003, vocês lançaram o CD "Samba Rap Periférico". Qual a termática central?
RG: No disco a gente fala de periferia, de tráfico, miséria, discriminação... Do nosso cotidiano é de guerra declarada. O poder paralelo está aí. Não tenho como escapar disso.

UOL Música: Além desse lado mais engajado, o disco tem também canções românticas, não é?
RG: Mas não sou 100% raiva. Tem o amor, tem a família, a figura da mãe, que quando o pai some, é ela que segura o B.O. No próximo disco, "Amando e Sambando" isso fica mais forte.

UOL Música: Que trabalhos sociais vocês fazem?
RG: Dentro da ONG Estação da Arte, do bairro da Penha, na Zona Leste, desenvolvo desde 2004, o projeto Som da Gente, com oficinas de produção musical, com aulas práticas e teóricas, para que jovens descubram suas habilidades e conheçam o universo de produção de shows e eventos.

Seis adolescentes da primeira turma já participam de eventos fora da Estação da Arte e têm trabalhado como auxiliares de produção em shows no SESC e no Centro Cultural São Paulo. Três ex-alunos dão aulas no CEU Aricanduva e discutem a articulação de bandas, de cooperativas de novos meios de produção e difusão artística.

UOL Música: Como vai ser o próximo álbum?
RG: Continuamos a explorar a mistura de samba, hip hop e funk. No primeiro trabalho eu penso que éramos mais rústicos, mais da periferia. Neste CD, o amor fala mais alto, talvez porque seja um dos sentimentos chaves para a situação que estamos vivendo.

Mas também tem o lado social, que não tem como deixar de lado, porque a única revolução que acho possível é a artística. A arte coloca eu e você em pé de igualdade. Por exemplo, ano passado ganhei uma passagem para conhecer o trabalho do AfroReggae lá no Vigário Geral e eu pude levar um aluno. Tinha um show dos Paralamas, e, quando eu vi, este aluno estava lá conversando com o Barone, que era um ídolo para ele. E eles estavam conversando de música, de igual para igual.

UOL Música: E vocês apresentam no show alguma música nova, do próximo disco?
RG: Tocamos "Faz que Nada", que fala de pessoas que nos cumprimentam sem olhar no olho, e "Menino-Moço", que fala de um grupo de pagode de jovens da periferia que busca uma fórmula diferente de samba. Esta faixa, no disco, terá a participação do grupo Barbatuques, que faz percussão com o corpo.

UOL Música: E quais são seus próximos projetos?
RG: Neste momento estou produzindo uma faixa para o próximo disco da cantora paulistana Luama, e o próximo disco da cantora carioca Joana Flor. Paralelamente, estamos estruturando nosso selo de música, o Carambolô, por onde queremos lançar nosso próximo disco, "Amando e Sambando", que deve ficar pronto entre o final de outubro e começo de novembro.

(Entrevista a Ricardo Oliveros)



Nhocuné Soul
Quando: 15 de agosto, às 20h30
Onde:Grazie a Dio! (rua Girassol, 67)
Quanto: R$13 (couvert artístico)
Informações: tel.(11) 3031-6568.

ÍNDICE DE NOTÍCIAS  IMPRIMIR  ENVIE POR E-MAIL


ÚLTIMAS NOTÍCIAS
16/06/2009

13h46- Aerosmith toca íntegra de disco clássico de 1975 em turnê

12h30- Primeiro festival de documentário musical começa dia 25 em São Paulo

12h15- Integrante da banda The Ventures, Bob Bogle morre aos 75 anos

12h07- http://img.uol.com.br/ico_assistir.gif Jeff Beck toca "Where Were You" ao vivo

12h05- http://img.uol.com.br/ico_assistir.gif Guitarrista inglês Jeff Beck toca "Big Block"

12h02- http://img.uol.com.br/ico_assistir.gif Clipe ao vivo de "Scatterbrain" com Jeff Beck

12h00- http://img.uol.com.br/ico_assistir.gif Jeff Beck toca "Goodby Pork Pie Hat" ao vivo

11h58- http://img.uol.com.br/ico_assistir.gif Jeff Beck toca "Led Boots" ao vivo em Londres

11h43- Spyro Gyra e homenagem a Carmen Miranda passam por palcos paulistanos

11h39- Violinista Hilary Hahn apresenta repertório erudito na Sala São Paulo

Mais Notícias