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16/08/2006 - 23h40
Nelson Motta promove encontro de Marcos Valle e convidados em SP; leia entrevista
da Redação

O público de São Paulo terá nesta sexta (18) a oportunidade única de assistir ao encontro de Marcos Valle, João Donato, Ed Motta, a cantora Roberta Sá e o DJ Marcelinho da Lua. O show, idealizado pelo jornalista Nelson Motta, sob encomenda, para uma empresa que queria apresentá-lo apenas para convidados --uma vez no Rio, uma em São Paulo--, acabou ganhando também uma apresentação paulistana, aberta ao público.
"Ficou uma coisa maior do que a gente imaginava", explica Motta sobre o encontro que deve virar ainda um CD e ganhar novas edições, com outros artistas, em 2007 e 2008.
"Quando me chamaram, me pediram um artista com uma carreira sólida, mas que ao mesmo tempo tivesse uma capacidade de transformação. Imediatamente pensei no Marcos Valle", conta Motta, "ele começou pela bossa nova; depois misturou funk e soul à MPB; nos anos 90, misturou eletrônica e drum'n'bass, DJs em Londres começaram a trabalhar em cima de músicas dele".
A idéia, segundo Motta, é que cada um desse um toque de si nas composições de Valle. Ed Motta entrou com seu lado jazzístico, Roberta Sá com seu samba-rap, a bossa suingada de João Donato e o eletrônico de Marcelinho da Lua. No repertório, músicas novas e clássicos como "Viola Enluarada" e "Preciso Aprender a Ser Só". "No final toca todo mundo junto uma versão ultraeletrônica de 'Samba de Verão'", conta Motta.
Não existe nada mais antigo... Não é de hoje que Marcos Valle e Nelson Motta têm seus caminhos profissionais cruzados. Na década de 70, os dois mais Paulo Sérgio Valle e André Midani, então presidente da gravador Philips, tinham uma empresa de jingles, a Aquarius, e um dos seus maiores clientes era a rede Globo.
Para a emissora produziram diversos jingles da programação infantil. Valle e Motta marcaram gerações com o tema de abertura de programas como "Globinho" (dos versos "todo dia é dia, toda hora é hora") ou ou "Globo Cor Especial" (que dizia "não existe nada mais antigo do que cowboy que dá cem tiros de uma vez"). Mas o que permanece até hoje no imaginário popular é a canção de fim de ano da emissora: "Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou".
"Foi uma surpresa fabulosa, não tinha uma festa de fim de ano no Brasil em que não tocasse esta música. Virou um clássico de Natal. Nunca imaginamos que íamos ter na nossa discografia um clássico natalino", relembra Motta, "e é bom quando a Globo vende esse jingle para um patrocinador, aí dá uma grana legal", anima-se.
Letrista Parcerias bem sucedidas marcaram a carreira de Motta, que além de jornalista é letrista, produtor musical e escritor. Com Lulu Santos, compôs pelo menos dois grandes hits dos anos 80, "Como uma Onda" e "De Repente Califórnia". Para Rita Lee, escreveu a letra de um dos maiores sucessos da discoteca brasileira, "Perigosa", gravado pelas Frenéticas.
A lista de parceiros é extensa, e abarca diversas gerações. Além dos já citados acima, juntam-se Djavan, Guinga, Ed Motta, Max de Castro e Arrigo Barnabé, entre outros. Mas, para ele, continua faltando um,a parceria, por coincidência, com um dos convidados do show, João Donato. "Estamos há 30 anos para fazer uma música e não fizemos ainda. Mas eu ainda levo fé, porque o Donato é um dos meus compositores favoritos, junto com o Tom Jobim e o Cole Porter", elogia o letrista.
"Não faço mesmo" Se, por um lado, Motta ainda vê espaço para crescimento em seu currículo do compositor, ele, que lançou artistas tão diversos como Marisa Monte, Sandra de Sá e Frenéticas, e já trabalhou com Raul Seixas, Daniela Mercury e Elis Regina, entre outros, considera praticamente encerrada sua carreira de produtor: "Eu não tenho mais saco de entrar num estúdio para gravar, não faço mesmo. Só fiz o 'MTV Ao Vivo' (2004) da Daniela Mercury porque era um show ao vivo".
"Meu trabalho (como produtor) é de fazer críticas e oferecer opções. Porque cantar bem, muita gente canta, mas canta músicas ruins, músicas que não apropriadas para ela", explica. "Quando o artista vem e diz 'eu adoro esta música', eu digo 'tem que ver se esse amor é correspondido, tem que ver se a música gosta tanto de você o quanto você gosta dela'", brinca.
Livro gordo como Tim Maia Enquanto desacelera a carreira de produtor, Motta tem-se dedicado a escrever. Depois de terminar "Ao Som do Mar e à Luz do Céu Profundo", sobre os últimos dia da cidade do Rio de Janeiro como capital do país, Motta se dedica à uma biografia do cantor Tim Maia (ainda sem título): "O livro vai ser gordo que nem ele, tenho mais de cem páginas escritas. O lançamento está previsto para junho de 2007, porque tem muita história. Estou colocando trechos no meu site".
Motta, que tem seu site, "Sintonia Fina", no UOL, conta que se tornou escritor "na época da Internet", e que a Web o ajuda a escrever. "É um show na hora de pesquisar. Meu terceiro livro de ficção, 'Ao Som do Mar e à Luz do Céu Profundo', é passado 1960 em Copacabana num momento de transição da história do Brasil. Consegui todas as coisas que eu queria na Internet: nomes de botequins, programas de televisão, de rádio", anima-se. (Entrevista a Ricardo Oliveros)
MARCOS VALLE RECEBE João Donato, Ed Motta, Roberta Sá e DJ Marcelinho da Lua
Sexta-feira (18), às 21h30 R$ 30,00 a R$ 100,00
Tom Brasil Nações Unidas Rua Bragança Paulista, 1281 Telefone: tel.: (11) 2163-2000
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