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31/08/2006 - 16h51
CocoRosie celebra infância eterna em estréia paulistana

ANTONIO FARINACI
Editor de UOL Música


A dupla americana CocoRosie apresentou na noite de quarta (30) sua estréia no Brasil, para um público de cerca de 640 pessoas, no clube The Week, em São Paulo. O show começou ao redor da 1h e durou aproximadamente de 90 minutos. O espetáculo foi uma celebração da "criança eterna" e um convite à descoberta de sons, sob o comando das irmãs Bianca e Sierra Casady.

No palco, além das duas, mais à frente, estavam o rapper Spleen, o homem do beatbox, Tez, e o guitarrista Ben. Bianca tinha um fino bigode desenhado sobre a boca, e, na maior parte do tempo, cantou em um microfone à direita do palco, além de tocar um teclado de brinquedo. Sierra, à esquerda, tocou teclado e harpa celta, além de cantar. Spleen, com uma cueca colorida na cabeça (que dividia seu black-power ao meio, como orelhas de Mickey), deu um reforço nos vocais. E Tez, com uma máscara branca de mímico, fez um beatbox excepcional.

Um telão, no fundo do palco, que serve de cenário para o show, exibiu uma profusão de imagens que se fundiam --ondas, fotos de Sierra e Bianca, pinturas, desenhos, letras de músicas, animações. Mas uma frase apareceu com insistência: "the eternal child" ("a criança eterna").

A frase é uma chave para se entender o que acontece no palco e na música do CocoRosie. Ela remete ao universo infantil, ao esforço de se ater à expressividade bruta, sem vícios, e a um desejo de se relacionar com a música como se ela fosse um brinquedo, um jogo. Nos discos do CocoRosie isso já estava presente, mas, no palco, isso se potencializa na medida em que ali os músicos parecem estar produzindo alguns sons pela primeira vez, para seu próprio assombro, seja com instrumentos de percussão, seja nos improvisos vocais.

Essa primazia da voz e do ritmo --uma, o primeiro instrumento; o outro, a forma mais primitiva de organização musical-- evoca no show um sentimento de primordialidade e de essência. Aí o show ganha um caráter religioso, de celebração do reencontro com essa criança idealizada, e com o que ela tem de vital para pessoas de qualquer idade.

Como nas gravações, no show, essa profusão de sons e imagens escapa do caos pelo rigor e sofisticação --esses, nada infantis-- que Sierra e Bianca têm no manejo dessas ondas criativas: A duração precisa de cada clima, a contenção do jorro de informação, de barulhinhos e sussurros, e o domínio da linguagem musical e poética.

O show começou mais introspectivo, com "The Sea Is Calm", com o palco escuro. À medida que o espetáculo avançava, as músicas foram ficando mais animadas. "Beautiful Boyz", que originalmente tem participação de Antony (do grupo Antony and the Johnsons), ganhou backing de Spleen. No meio do espetáculo, Bianca improvisou uma versão de "I Wanna Dance with Somebody (Who Loves Me)", sucesso de Whitney Houston.

O som do The Week, local onde aconteceu o espetáculo, correspondeu às necessidades bem diversificadas da música do CocoRosie --foi delicado nos momentos em que precisou e teve os graves saturados necessários para o beatbox. Mesmo assim, deu vontade de ver um show do grupo num local mais intimista --a vocação do espetáculo é camerística.

No bis, o grupo apresentou "Noah's Ark", música que dá nome ao disco mais recente do CocoRosie. Durante a música, Bianca e Spleen ensaiaram uma dança sensual --ainda que uma sensualidade um tanto infantilizada, cheia de rebolados e caretas típicas de uma criança eterna.

O CocoRosie se apresenta novamente em São Paulo nesta quinta (31), depois segue para Recife e Rio de Janeiro.

Spleen
Antes do CocoRosie, o rapper francês Spleen aqueceu a noite com um show supreendente de cerca de 40 minutos. Acompanhado por teclado, baixo, guitarra, bateria e beatbox (percussão feita com a boca), o rapper desfiou seu repertório que mistura funk pesado, da linhagem Sly and the Family Stone, com rap e baladas tristes que lembram o Prince de "Sometimes It Snows in April". Destaque para o solo de beatbox de Tez.



COCOROSIE
com o rapper francês Spleen

São Paulo
31/08
Festival Mutzi
The Week
Rua Guaicurus, 324
Telefone: (11) 3818-3030
R$ 80 (inteira) R$ 40 (meia)

Ingressos também à venda na loja V.Rom (al. Lorena, 1.682) até as 20h
Haverá ingressos à venda na bilheteria da The Week, na hora do espetáculo, até que eles se esgotem


Recife
1º/09
Festival No Ar: Coquetel Molotov
Centro de Convenções da UFPE
Av. dos Reitores, Cidade Universitária
Telefone: (81) 2126.8077
R$ 20 (inteira) R$ 10 (meia)

Rio de Janeiro
02/09
Circo Voador
Rua dos Arcos, S/N
Telefone: (21) 2533-0354
R$ 50 (inteira) R$ 25 (meia)

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