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01/09/2006 - 19h42
Slayer se define como banda thrash metal definitiva e promete show demolidor no Brasil
LUIZ CÉSAR PIMENTEL UOL Música, de Reading, Inglaterra

Arme-se de crucifixo, alho, sal grosso e água benta: os quatro cavaleiros do apocalipse metal estão no Brasil. Os californianos do Slayer, conjunto de metal extremo que completa 25 anos, se apresentam no país de 1º a 6 de setembro, na turnê "Christ Illusion", em São Paulo, Belo Horizonte e Rio (veja datas e locais).
UOL Música esteve no último show da banda antes de embarcar para o Brasil, no Festival de Reading, na Inglaterra, domingo, dia 27. A ocasião serviu para trocar umas palavras com o imodesto guitarrista Kerry King, que definiu o Slayer como "'A' banda thrash metal" e disse que os shows no país serão "demolidores".
Apesar da pose --ou justamente por causa dela--, o Slayer foi recebido no palco principal de Reading com sorrisos indies de fãs do Arctic Monkeys e Franz Ferdinand, e até dos grunges que apareceram para ver a atração principal do dia, Pearl Jam.
Antes do show, formou-se uma fila à frente da tenda onde o conjunto distribuía autógrafos que, fosse na rua, daria voltas no quarteirão.
Por todo o espaço onde o festival acontecia, uma imensa fazenda, grande o suficiente para abrigar quatro palcos distintos e centenas de barracas de comida, fãs mostravam dedo indicador e mindinho para cima, formando o chifrinho heavy metal, e gritavam o nome da banda, com um urro.
A música que abriu o show foi "South of Heaven", do álbum homônimo, de 1988.
Tom Araya, vocalista e baixista, tem a barba grisalha, assim como chumaços dos longos cabelos. O baterista Dave Lombardo --que era da formação original, ficou mais de uma década afastado e voltou para a gravação do álbum "Christ Illusion"-- usa uma bandana a prender os cabelos agora bem mais curtos. Jeff Hanneman, um dos guitarristas, está todo de preto, com as famosas caneleiras de hóquei cobrindo as pernas inteiras. E Kerry King, o outro guitarrista, se posiciona do lado direito de quem assiste, com o corpo atarracado coberto quase que integralmente de tatuagens. No braço, uma chama atenção: "God Hates us All" (Deus nos odeia a todos).
O quarteto, cujos integrantes têm todos mais de 40 anos, mostra que continua responsável pela apresentação mais brutal da atualidade.
O conjunto tem um quarto de século e não está no Brasil para raspar o tacho do sucesso passado. O Slayer acaba de lançar o melhor disco em duas décadas, desde que gravaram a pedra fundamental do thrash mundial, "Reign in Blood", de 1986.
A capa do novo trabalho, censurada em muitos países por apresentar um Jesus Cristo mutilado, mergulhado até a cintura em um mar de sangue e cabeças decepadas, serve como pano de fundo no cenário tão simples quanto assustador. Mesmo, como é o caso, que o show aconteça debaixo de sol.
Eles não estão preocupados com quem mexem. Em "Reign in Blood" fizeram uma música sobre Joseph Mengele, "Angel of Death". Neste disco novo, em "Jihad", contam uma história da perspectiva de um terrorista.
"O Slayer é uma banda que pode escrever sobre qualquer coisa e as pessoas não vão estranhar realmente, pois nós encaramos qualquer uma. E esta música não é uma defesa ou ataque ao terrorismo --é tão somente uma narrativa sob o ponto de vista do terrorista", justificou King em entrevista ao UOL.
É ele quem dá a senha com acordes de guitarra, e em instantes uma roda de pogo (dança de punks, que ficam trombando uns contra os outros) gigantesca se forma em frente ao palco.
Tocam apenas uma música do disco novo, o single "Cult". Tom Araya explica antes da música: "Esta canção fala sobre guerras religiosas". E emenda rindo: "Como se vocês se importassem" ("Like you fuckin´ care", foram as palavras exatas).
Na seqüência, hit após hit, completam o set curto, que não alcançou uma hora de duração. O suficiente para apresentarem gemas como "War Ensemble", "Disciple", "Deadskin Mask", "Seasons in the Abyss" e "Postmortem".
A promessa do guitarrista é fazer os shows no Brasil com duração de uma hora e meia. No setlist, até três músicas novas e muitas outras antigas. "Podem esperar shows demolidores", garante.
Ao final do espetáculo, concluem com a dona de um dos riffs clássicos da história do metal, "Raining Blood". King diz que essa é sua música favorita entre as quem montam a história de 10 discos do conjunto.
Eles deixam o palco e passam a batata quente como brasa aos góticos-emo do My Chemical Romance. Quando o apresentador do festival anuncia isso, o ambiente é tomado por vaia em altíssimo volume. E o conjunto que recebe a missão de levar adiante o festival é recepcionado por uma chuva de garrafas de plástico.
King dispensa a modéstia para definir o segredo do "envelhecimento digno" de sua banda e defende suas crenças no cenário mais brutal da música: "Nunca mudamos o nosso estilo, somos 'A' banda thrash metal".
SLAYER
São Paulo Dias 1º e 2 de setembro Via Funchal Rua Funchal, 65 Tel: (11) 3089-6999 R$ 100 a R$ 200
Belo Horizonte Dia 3 de setembro Chevrolet Hall Avenida Nsa. Sra. do Carmo Tel: (31) 2191-5700 R$ 100 a R$ 120
Rio de Janeiro Dia 6 de setembro Fundição Progresso Rua dos Arcos, s/ nº Tel: (21) 2220-5070 R$ 70
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