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07/09/2006 - 02h58Pop rock de Cardigans e pós-punk de Gang of Four levantam público do Campari Rock
da Redação
A noite abriu com a apresentação do grupo cearense Montage, às 22h, que mostrou sua mistura de glam, electro-rock e ponto de umbanda. De preto, com asas de penas, o vocalista Daniel PXT apresentou músicas como "I Trust my Dealer", "Love me without Pants", "Hard" e o cover de "Money, Success, Fame, Glamour", da trilha do filme "Party Monster" (em que é cantada pelos atores Macaulay Culkin e Chloé Sevigny). No palco, o cantor dança freneticamente, simula fazer sexo com uma caixa de retorno, troca de figurino e derrama sobre sua cabeça uma garrafa de espumante. O show teve ainda a participação de Fernanda Cardoso, do Bonde do Pantera, na música "Ginastas Cariocas".
Simpática, Nina conversou com o público entre quase todas as canções. "Eu queria tanto falar português melhor", lamentou. Com cinco álbuns em sua discografia, a banda apresentou um repertório que foi do indie pop mais delicado do início da carreira, como em "Rise and Shine" e "Lovefool", ao pop rock mais centrado nas guitarras, como em "Communication". O primeiro sucesso que o grupo tocou foi "Erase/Rewind". "A camisa da seleção brasileira não é da mesma cor da seleção sueca", perguntou a cantora, ao que platéia confirmou em coro. "Viram? Temos essa conexão! É legal!", disse Nina depois. O grupo tocou seu maior sucesso, "Lovefool", que esteve de fora da maioria dos shows da turnê do grupo, quase no fim da apresentação, para delírio do público. A apresentação, de cerca de uma hora, terminou com "My Favourite Game", hit do disco "Gran Turismo", de 1998. Em seguida vieram os ingleses do Gang of Four, que começaram o show à 1h da madrugada de quinta (7). Já no auge da energia, o quarteto mostrou principalmente músicas de seu primeiro disco, o influente "Entertainment", de 1979. O grupo abriu com "Return the Gift", "Not Great Men", "Ether" e "At Home He's a Tourist", todas clássicos de sua carreira. As músicas, que serviram de matriz para grande parte das bandas de hoje, como Franz Ferdinand, Bloc Party, The Rapture e Supersystem, ganharam a platéia com sua crueza e atualidade. Cantando nos três microfones colocados no palco, o vocalista Jon King andava de um lado para o outro, em uma performance que teve direito até a percussão em um forno de microondas, que era golpeado com um taco de beisebol. Intercalando faixas mais dançantes com outras mais densas e lentas, e até mesmo momentos de silêncio no meio das canções, o grupo mostrou grande entrosamento e domínio de palco. Sem medo de perder a voz, King despejou as letras meio cantadas, meio declamadas das músicas, cheias de referências políticas e de um romantismo invertido, presente em "Anthrax" ou "Damaged Goods", maior sucesso do grupo, que a platéia cantou em coro, no meio do show. A banda encerrou o festival pouco antes das 2h, com "To Hell with Poverty", e dois bis, "I Love Men in Uniform" e "I Found that Essence Rare", que levantaram, mais uma vez, o público paulistano.
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