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14/09/2006 - 19h32
O som das ruas é mais interessante que qualquer disco, diz DJ Andrew Weatherall

FERNANDO KAIDA
Editor-assistente de UOL Música


Divulgação

O DJ e produtor inglês Andrew Weatherall

O DJ e produtor inglês Andrew Weatherall


Você pode não o conhecer pelo nome, mas há cerca de 20 anos Andrew Weatherall presta bons serviços à música. DJ e produtor, o inglês trabalhou com o Primal Scream no disco "Screamadelica" (1991), clássico da banda e do indie dance do início da década de 90 que sacudiu o rock independente britânico, já assinou remixes para nomes como New Order e My Bloody Valentine e fez parte de projetos como Sabres of Paradise e Two Lone Swordsman, entre outros.

Agora, aos 43 anos, se prepara para lançar em outubro o primeiro trabalho sob seu próprio nome, o single "The Bullet Catcher's Apprentice" --que mistura electro, rock e house--, e faz sua primeira viagem ao Brasil, onde toca no festival Motomix, na madrugada de sábado para domingo, às 4h40.

Com duração de uma hora e meia, a discotecagem deverá contar com uma mistura de novidades do electro-rock e clássicos da acid house. "Vou tocar muita coisa nova", promete o DJ. Produções de nomes como Radioactive Man, ainda não lançadas oficialmente, farão parte da seleção.

Dono de seu próprio estúdio em Londres, o produtor revela que, fora do trabalho, não segue a tecnologia. Além de não ter um computador em casa e de nunca ter baixado um MP3, Weatherall acha o iPod uma invenção "horrível" e compara o aparelho a uma enorme caixa de chocolates.

"(É como se ) você pegasse um pedaço de chocolate, mordesse e devolvesse o resto. É muita opção junta. Eu tenho uma coleção de discos enorme, mas o som das ruas é mais interessante do que qualquer disco", afirma o DJ, que não gosta de ser "separado" do som ao seu redor por um aparelho portátil. "É bom ficar um pouco afastado da música. Se você tem acesso a toda música do mundo a qualquer minuto do dia, ela deixa de ser especial".

"Não preciso tocar em festas ruins"

Em duas décadas de dedicação à cultura da dance music, o DJ vê com bons olhos o momento atual, com a volta da popularidade dos clubes pequenos no lugar dos superclubes dos anos 90. "(A cultura dance) está mais centrada em pessoas que organizam festas pequenas, gente que ama mais a música do que o dinheiro", afirma.

Apesar de não desfrutar do mesmo reconhecimento de outros nomes contemporâneos, como Carl Craig, Dave Clarke ou Carl Cox, Weatherall atingiu um ponto em sua carreira no qual não precisa "tocar em festas ruins". "Sempre preferi tocar em um clube bom por pouco dinheiro do que em um ruim para ganhar mais. Não vejo um show pequeno como um retrocesso".

Rock dançante

Se hoje em dia a união entre o rock e as batidas dançantes estão por toda parte, dentro e fora das pistas, parte da responsabilidade pode ser creditada a seu trabalho. Com remixes para artistas como Happy Mondays e My Bloody Valentine, e a produção do disco "Screamadelica", do Primal Scream, Andrew Weatherall ajudou a estabelecer um dos pilares do indie dance. Prestes a completar 15 anos de seu lançamento, "Screamadelica" ainda soa bem, segundo o inglês. "Eu devo ouvi-lo uma vez por ano, mas sempre me arrepio".

Para o produtor, nem todas as bandas de rock que flertam com a eletrônica merecem atenção. Um exemplo é o Kasabian, de Leicester, que acaba de lançar seu segundo disco, "Empire". "É como se eles (Kasabian) tivessem recebido um resumo sobre o que foi o indie dance de sua gravadora. As influências são muito óbvias. Quando você copia quatro bandas em uma única música, você foi longe demais".

Empolgado como há muito tempo não ficava com a música dançante, Andrew Weatherall conta que o tipo de som do qual mais gosta está novamente por aí. "São músicas sujas o suficiente para agradar aos garotos e sensuais do jeito que as garotas gostam", afirma, sem revelar nomes.

Enquanto nas pistas Weatherall prefere as batidas sujas e sensuais, em casa a música eletrônica dá lugar a artistas roqueiros como Mark Lannegan, Cramps, Bob Dylan e Billy Childish. "Eu adoro música eletrônica para dançar, mas não ouço (em casa)", revela.

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