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08/11/2006 - 18h54Cansei de Ser Sexy foi a nossa melhor banda de abertura, diz integrante do Ladytron
FERNANDO KAIDA
Conhecido por sua postura e visual "cool", o quarteto inglês Ladytron passou recentemente por um tratamento de choque em matéria de agito no palco. Entre setembro e outubro deste ano, a banda excursionou pelos EUA com os brasileiros do Cansei de Ser Sexy como banda de abertura. "O CSS foi nossa melhor banda de abertura até agora", contou ao UOL Música o músico Reuben Wu de um hotel em Hollywood, onde o Ladytron se apresentou na semana passada, já sem a companhia do sexteto paulistano. Para Wu, a diversão promovida pelo CSS nos shows "energizou" a platéia das apresentações. "Nós os convidamos", disse o tecladista Daniel Hunt, que também compõe o Ladytron com as garotas Helena Marnie e Mira Aroyo. "Sugeriram a banda para nós, ouvimos algumas das músicas novas e gostamos." A turnê do Ladytron segue para a América do Sul, e a banda se apresenta ao vivo pela primeira vez no Brasil, no festival Nokia Trends, dia 25, em São Paulo. Wu e Hunt já estiveram juntos no país em 2004 para discotecar na edição local do festival Sónar em SP. Depois disso, Hunt voltou mais duas vezes ao país, sempre como DJ solo; a mais recente foi em setembro passado, quando tocou em São Paulo, Campinas e Belo Horizonte. Wu conta que o show da banda será um passeio pela carreira do Ladytron, com canções antigas, como "Playgirl", mas em versões mais "vigorosas", graças a presença extra de um baterista e uma baixista no palco. O terceiro e mais recente álbum da banda, "Witching Hour", de 2005, sai só agora no Brasil, pela Trama. Desse disco, Reuben Wu promete tocar em SP músicas como "International Dateline" e "Destroy Everything You Touch", e Daniel Hunt fala abaixo sobre o fato de serem mais populares nos EUA do que na Inglaterra, apesar de serem de Liverpool: UOL Música - Vocês fizeram alguns shows com a banda brasileira Cansei de Ser Sexy nos EUA. Como foi a experiência? Reuben Wu - Foi incrível, muito bom mesmo. O CSS foi nossa melhor banda de abertura até agora porque consegue energizar a platéia. Eles são muito divertidos e um ótimo complemento ao Ladytron. Ao todo, foram cerca de 30 shows com eles. UOL - Como foi a resposta do público do Ladytron ao CSS? Wu - A resposta foi muito boa. É ótimo poder mostrar nova música às pessoas. Acho que podemos assumir tranquilamente que os fãs do Ladytron vão gostar do CSS. UOL - Você acha que há alguma semelhança entre Ladytron e CSS? Wu - São estilos diferentes. Eles são mais pop e soltos do que nós, que somos mais presos, sempre em controle de tudo. O CSS é mais rock e menos organizado. UOL - O que vocês estão preparando para o show em São Paulo? Wu - Como será nossa primeira vez no Brasil, vamos tocar músicas de todos os três álbuns. As pessoas nos conhecem há muito tempo e querem ouvir faixas antigas, como "Playgirl", "He Took Her To a Movie" e "Seventeen". Obviamente, também tocaremos músicas de "Witching Hour", como "International Dateline" e "Destroy Everything You Touch". UOL - As músicas do primeiro disco soam muito diferentes ao vivo hoje em dia? Wu - Sim. Quando começamos a tocar ao vivo, no início da carreira, percebemos que a música soaria muito melhor se tivéssemos bateria e baixo ao vivo. Desde 2002 temos tocado as canções antigas desse jeito. Faixas como "Playgirl" e "He Took Her To a Movie" soam muito mais vigorosas e poderosas do que no disco. Daniel Hunt - A diferença é que hoje em dia as pessoas podem ver nosso show mais recente 24 horas depois no Youtube e ter uma idéia do que é a banda ao vivo. [O show] É uma mistura de músicas dos três álbuns e é construído em torno de "Witching Hour", com os principais momentos dos dois anteriores, de uma forma que funcione bem neste contexto. UOL - No palco são vocês quatro nos sintetizadores e vocais, além de um baterista e um baixista? Wu - Sim, o baterista é Keith York, que vem tocando conosco desde o início. Ele é um grande músico, tocou com diversas bandas. A baixista é Andrea, que está conosco há cerca de um ano. Ela é muito boa e equilibra a equipe em termos de gêneros sexuais. São três homens e três mulheres no palco. UOL - Durante todos esses anos de carreira, a postura de vocês no palco não mudou muito. Apesar de tocarem músicas dançantes, vocês não se movem no palco. Por quê? Wu - Eu não posso me mexer porque tenho de cuidar dos sintetizadores. Se eu ando por aí, a música pára. O baterista não pode se mover porque toca sentado. Mira toca sintetizadores e canta, também não pode se mover muito. Helena é a que pode se mexer mais, pois tira o microfone do pedestal e não toca muitos sintetizadores. Para ser honesto, ela tem se movido pelo palco nessa turnê mais do que em qualquer outra. Em termos de como somos no palco, demos um grande salto na qualidade da produção. Não apenas Helen está mais energética, mas também temos luzes novas que criam um visual muito bom. Hunt - As pessoas dizem: "Vocês não podem vir um pouco mais para a frente?". É sempre sobre geometria, o formato da sala, onde a banda fica. Não estamos nos escondendo. Achamos que todo mundo pode nos ver. UOL - "Witching Hour" é o seu disco mais roqueiro, com toques de bandas dos anos 90, como Stereolab. Era o que vocês ouviam durante as gravações? Wu - Eu gosto de ouvir bandas cujas instrumentações não são óbvias, como quando você ouve um som e não sabe se é um sintetizador ou uma guitarra. Durante a produção do disco ouvíamos muitos grupos como Cocteau Twins, My Bloody Valentine, Neu! e Curve. Mas também há outras experiências que você carrega há muito tempo e que influenciam o álbum. Há uma dinâmica mais roqueira no disco e isso vem de tocarmos ao vivo com mais confiança e energia. UOL - Como você vê a música eletrônica hoje em dia, mais de seis anos depois de começar a banda? Wu - As coisas estão melhores para nós hoje. Com os dois primeiros discos, fomos colocados dentro do movimento electro, que estava em alta. Isso teve conseqüências boas e ruins. O lado bom foi que passamos por isso e, quando o movimento morreu, as pessoas nos viam como uma banda que se manteve, sobreviveu a tudo. Quando começamos, não havia muita gente misturando rock e sintetizadores, exceto Broadcast e Stereolab, então era difícil nos categorizar. Agora, nos vêem como uma banda que lança bons discos, que evolui e não fica presa a um mesmo estilo musical. Hunt - Quando começamos, diziam que éramos uma banda electropop, o que era ok. Então veio o electroclash, e não achamos que somos electroclash. Depois de falarmos isso por um tempo, as pessoas começaram a acreditar e aceitar. UOL - Vocês os convenceram? Hunt - Acho que precisavam ser convencidos. Se você ouve o disco até o fim, não há quase nada em comum [com electroclash]. Talvez alguns remixes soassem um pouco como electroclash, mas não acho que isso ainda importe. Agora, nos últimos dois anos, tem-se falado de electro-rock, que acho que descreve melhor nosso som. Mas sempre será electro isso, electro aquilo. Nós percebemos que gostamos de sons e não nos importamos com o que é. Queremos ver o que podemos fazer com qualquer coisa. É mais sobre efeitos e modulações do que geração de tons. UOL - Como você define a música do Ladytron? Hunt - Se eu estivesse em um táxi em Liverpool e o motorista me perguntasse se eu faço parte de uma banda e como ela soa, eu diria que é como o New Order com algumas garotas cantando. É uma forma simples de descrever. UOL - Vocês soam muito ingleses, mas são mais populares nos EUA do que na Inglaterra. Hunt - Eu sei. Na Grã-Bretanha, somo populares em um nível "cult". Fazemos shows grandes, mas nunca tivemos um hype, nunca tivemos muito dinheiro por trás. É uma situação boa. Podemos continuar a fazer discos sem pressão. Nos EUA as pessoas talvez estejam mais interessadas na música e não na moda. Na Grã-Bretanha as pessoas se interessam por uma banda apenas por dois ou três meses, a não ser que ela seja muito grande. Em todo lugar fora do Reino Unido é diferente. As pessoas gostam e respeitam a banda por ter feito cinco discos e não por ser a "banda da semana". A imprensa britânica deveria ter um limite. UOL - De quais artistas novos que misturam rock e eletrônica você gosta? Wu - O CSS é muito bom. Há também uma banda da Austrália chamada Midnight Juggernauts, que lança discos pelo selo Modular. Tem o New Young Pony Club, de Londres. Se o New Young tivesse aparecido na mesma época que nós, teria sido chamado de electroclash, o que obviamente ele não é. UOL - O que você pretende fazer em suas semanas de férias antes de vir ao Brasil? Wu - Quero viajar em meu carro pelo interior da Inglaterra, fazer exercícios, comer bem e tomar um bom vinho. Eu tenho um carro esporte conversível que é ótimo para dirigir com o vento no rosto. Colaborou Marcelo Negromonte
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