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22/12/2006 - 16h35Beastie Boys, Daft Punk, Stones e Franz Ferdinand fizeram os melhores shows em 2006
MARCELO NEGROMONTE
Se em 2005 o cardápio de shows que passaram pelo Brasil foi numeroso e variado (Iggy Pop, Strokes, Moby, Elvis Costello, Pearl Jam, The Kills, White Stripes etc.), 2006 viu o espectro pop das atrações se ampliar, ainda que o rock tenha predominado nos dois anos, especialmente em festivais com patrocínio de empresas de celular (Tim, Motorola e Nokia). Os melhores do ano: Daft Punk, Beastie Boys, Rolling Stones e Franz Ferdinand. As boas atrações eletrônicas se tornaram mais constantes, pelo menos em SP, com performances quase semanais de DJs em clubes, shows e festivais. O fato de serem estrangeiras provocou cada vez menos histeria e expectiativa, um sinal claro de presença mais habitual no país. Exceção ao Daft Punk, um dos grupos que menos faz apresentações ao vivo na história e que veio pela primeira vez ao Brasil, para shows no Rio e em SP, no Tim Festival. No palco, Thomas Bangalter e Guy Manuel de Homem-Christo criaram um ambiente que pode ser definido como "futuro do pretérito", em que o porvir idealizado no passado ganhou forma com os robôs, as luzes oitentistas, os vocoders. Músicas dos três álbuns dos franceses foram remixadas entre si no show conceitual, que mostrava a jornada de transformação de robôs em humanos, tema constante na carreira do DF, em especial no último disco, "Human After All", e no filme "Electroma", dirigido pelos dois. Também no Tim, os Beastie Boys, mais populares e de carreira mais longa que os franceses, empolgaram bem mais, com hip hop, rock e punk, numa apresentação coesa e raramente vigorosa para grupos formados há 20 anos. Os adolescentes quarentões, acompanhados do habilidoso DJ Mix Master Mike, também tocaram em Curitiba. A banda escocesa Franz Ferdinand esteve duas vezes no país este ano. A mais marcante aconteceu em setembro, quando fez o último show de sua turnê mundial, no festival Motomix. E esse foi um dos melhores shows do ano por ter levado as 6.200 pessoas presentes a uma catarse digna dos poderosos shows de rock, com carisma do vocalista, músicas extremamente dançantes e afiadas e uma platéia muito disposta a ser agradada. Ao fim, o Franz Ferdinand destruiu os instrumentos no palco e jogou peças de roupa para o público. Antes desse show, a banda liderada por Alex Karpanos abriu os shows do U2 em fevereiro. O U2, pela terceira vez no país, reuniu 140 mil em dois shows no estádio do Morumbi em SP, com o seu tradicional mega-espetáculo de luzes, efeitos e bobagens políticas e elogiosas ao Brasil. Nesse show, se destacou de fato a fã Katilce, que se tornou uma celebridade instantânea na Internet depois de dançar com Bono no palco. Dois dias antes do U2, a temporada de shows no Brasil começou de modo superlativo em todos os sentidos. Os Rolling Stones --a banda que mais faturou em turnês em 2005 em todo o mundo-- reuniram mais de 1 milhão de pessoas no show gratuito na praia de Copacabana (Rio). O grupo que ainda faz o blues mais sexy do rock continua com gás, e isso foi transmitido ao vivo pela Globo. Patti Smith, New Order e Gang of Four fizeram shows memoráveis em que pesem a experiência e a attitude. Smith tocou na véspera das eleições e fez o show mais político do Tim Festival --e do ano. A primeira-dama do punk mantém seu posto com elegância e dignidade --e as cusparadas no palco só salientam esse aspecto. New Order voltou depois de 18 anos para cinco shows em novembro, em que tocou seus clássicos ("Blue Monday", "Bizarre Love Triangle") e do Joy Division ("She's Lost Control", "Love Will Tear Us Apart"). A história da banda de Manchester finalmente foi contada por inteiro no Brasil. Gang of Four trouxe o zeitgeist pós-punk e fez como que 2006 fosse 1979, quando foi lançado o clássico álbum "Entertainment". O vocalista Jon King conduziu os hits espinhosos "To Hell with Poverty", "Damaged Goods", "Return the Gift" e "Natural's Not in It" com energia, sem um traço de saudosismo, no Campari Rock. Das novas bandas que passaram pelo Brasil (algumas delas ainda estão na fase de "promessa"), destacou-se a canadense Hot Hot Heat, que fez com que a platéia do Nokia Trends cantasse todas as músicas, ainda que não haja nenhum disco do grupo lançado no país. O LCD Soundsystem, o grupo que melhor representa os anos 2000, foi uma das principais atrações do Skol Beats. O show poderia ter sido uma experiência mais agradável se não tivesse sido no inóspito e gigante sambódromo do Anhembi. Quem estava no festival queria mesmo ver Prodigy, banda que já encontrou a decadência, mas que ainda possui uma boa base de fãs no Brasil. Por falar em decadência musical, ela esteve nos palcos brasileiros durante todo o ano --e o público não se importou com isso. Dave Lee Roth (outubro), Oasis (março), The Cult (dezembro) e Echo & the Bunnymen (abril) foram alguns dos nomes grandes no passado que entusiasmaram os fãs no presente.
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