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15/03/2007 - 15h17
'Juntamos letras tristes e som feliz', diz guitarrista do Long Blondes; primeiro álbum sai no Brasil

FERNANDO KAIDA
Editor-assistente de UOL Música


Dean Chalkley/Divulgação

Os integrantes da banda inglesa The Long Blondes

Os integrantes da banda inglesa The Long Blondes


Melhor grupo a sair da cidade de Sheffield desde o estouro do Arctic Monkeys em 2005, o quinteto The Long Blondes terá seu álbum de estréia, "Someone to Drive You Home", lançado no Brasil no dia 1º de abril, pela Trama.

A banda vem, desde 2004, emplacando single após single em clubes de indie rock da Inglaterra --e também do Brasil-- graças ao divertido som dançante e ao vocal marcante de Kate Jackson.

A inglesa soa como um encontro de cantoras dos anos 60, como Dusty Springfield e Nancy Sinatra, com ícones do rock dos 70 e 80, principalmente Blondie, Chrissie Hynde e Siouxsie Sioux.

A base musical da banda vem principalmente do indie pop dos anos 80, de Orange Juice e Go-Betweens, e o britpop dos 90, especialmente dos conterrâneos do Pulp. O quinteto mistura tudo isso à energia do punk e a elementos dançantes da disco music e do pós-punk em suas canções.

Apesar da sonoridade "para cima" da banda, Dorian Cox, guitarrista e compositor do Long Blondes, assume a admiração pelo antagonismo entre letras e melodias presente em canções dos Smiths, outra de suas preferências musicais. "Tentamos juntar letras tristes e música feliz. Gosto dessa diferença", diz Cox ao UOL.

"Se você ouve uma balada, sabe que a letra será triste ou romântica, cheia de blablablá,", afirma. "É melhor ter uma batida dançante, pois você pode curtir a música no clube e ouvir a letra em casa. São músicas para todas as situações", define.

É justamente isso que faz a banda especial: músicas para dançar com versos espertos como "Você tem apenas 19, pelo amor de Deus/Oh, você não precisa de um namorado", de "Once and Never Again", ou "Mais um fim de semana sem maquiagem, mais uma noite sozinha", de "Weekend wihtout Make Up".

Essas canções e "Lust in The Movies", "Giddy Stratospheres", "Separated by Motorways" e "Only Lovers Left Alive" colocaram, merecidamente, "Someone to Drive You Home" em diversas listas de melhores discos de 2006, inclusive na deste que escreve.

Visual retrô
The Long Blondes também ficou conhecido pelo visual retrô de seus integrantes, principalmente da vocalista Kate Jackson. Por seu figurino, garimpado em brechós, e sua postura independente, Jackson está entre as principais figuras femininas do atual rock britânico.

O nome da banda homenageia os filmes da chamada "era de ouro" de Hollywood, dos anos 40 e 50, com mocinhas loiras e glamurosas e rapazes "rebeldes", o visual adotado pelos três garotas e dois caras da banda. Foi isso que aproximou os cinco jovens em primeiro lugar. "Acabamos nos conhecendo porque íamos aos shows e éramos os únicos que se vestiam de um jeito parecido", conta Cox.

A partir daí, surgiu a idéia de formar a banda, mesmo que nenhum dos estudantes da Universidade de Sheffield soubesse tocar instrumentos.
"Acho que nosso primeiro show virou uma lenda em Sheffield. Foi muito ruim, pois havíamos ensaiado apenas três vezes. Assim que terminamos, a maioria das pessoas foi embora, mas um deles disse que adorou e gostaria de lançar algo nosso. Era o dono do selo Thee Sheffield Phonographic Corporation. Pensamos que fosse piada."

Não era brincadeira, e o nome do Long Blondes começou a se espalhar pelo boca-a-boca. Em 2004 foi lançado o primeiro single próprio, com as canções "New Idols" e "Long Blonde". Em seguida, outro selo independente inglês ligado em novidades, Angular Recordings, lançou os compactos de "Giddy Stratospheres" e "Appropriation (By Any Other Name)".

No início de 2006 o quinteto já era "a banda sem contrato mais quente da Inglaterra" e "a melhor banda nova", segundo o semanário "New Musical Express", que adora superlativos.

A banda lançou em novembro passado o esperado primeiro disco, que chega ao Brasil, pela Rough Trade, "uma versão maior dos pequenos selos onde começamos", diz o guitarrista.

Neste ano a banda ainda tem turnês pela Europa, Reino Unido e Estados Unidos, mas Dorian Cox já começa a pensar no material para o próximo disco. Depois de ter trabalhado com o DJ e produtor inglês Erol Alkan em alguns lados B recentemente, estaria o Long Blondes em busca de um som mais dançante e eletrônico para o futuro?

"Estamos muito interessados em disco music dos anos 70. Adoramos esse som e também gostaríamos de colocar mais teclados em nossa música. Já estamos um pouco enjoados de tocar guitarras e dessa sonoridade indie pop, queremos evoluir a partir daí. Vamos ver o que acontece com as próximas canções", responde o compositor, que ainda espera ter tempo de vir ao Brasil com o grupo neste ano.



"SOMEONE TO DRIVE YOU HOME"
Artista: The Long Blondes
Gravadora: Trama
Lançamento: a partir de 1º de abril

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