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25/03/2007 - 03h07
Roger Waters deixa público de São Paulo em êxtase com clássicos do Pink Floyd

Da Redação

Ayrton Vignola/Folha Imagem

Roger Waters durante show no estádio do Morumbi, em São Paulo

Roger Waters durante show no estádio do Morumbi, em São Paulo


O músico inglês Roger Waters fez na noite deste sábado o segundo e último show da turnê "Dark Side of The Moon" no Brasil. A apresentação aconteceu em São Paulo, no estádio do Morumbi, para cerca de 45 mil pessoas. O ex-pink floyd também tocou na sexta-feira (23) no Rio de Janeiro. A apresentação carioca foi marcada por um problema técnico com o som, que não se repetiu na capital paulista.

Waters, de 62 anos, deixou a platéia extasiada com clássicos do Pink Floyd, canções de sua carreira solo e todas as faixas do álbum "Dark Side of The Moon", lançado em 1973. Foram cerca de duas horas e meia de música com ótima qualidade de som, efeitos e visual caprichado nos telões que ficavam no fundo e aos lados do palco.

O baixista e cantor apareceu com sua banda às 21h05 para a primeira parte do espetáculo. A música "In the Flesh" abriu o repertório, que contou ainda com grandes sucessos do Pink Floyd, como "Mother", "Shine on You Crazy Diamond" e "Wish You Were Here", cujas letras foram cantadas pela platéia, bastante empolgada e variada em idade.

A segunda metade desse início de show reuniu canções de caráter político e antiguerra. Durante "Southampton Dock", o telão exibia imagens de tanques, bombardeiros e cenas de combate. "Fletcher Memorial" foi acompanhada por fotografias de líderes políticos como George Bush, Joseph Stálin e Saddam Hussein. Em "Perfect Sense" um boneco inflável em forma de astronauta flutuou em frente ao telão, que mostrava imagens da lua.

Em seguida, Roger Waters tocou uma canção nova, "Leaving Beirut", sobre o período em que o cantor passou na capital libanesa aos 17 anos. A música é dedicada à família local que o acolheu após o carro em que viajava ter quebrado. "Nunca esqueci como fui bem tratado", disse. A letra pacifista e o episódio vivido por Waters eram contados em forma de história em quadrinhos no telão. Apesar de ser a música menos conhecida do show, ganhou impacto graças a esse recurso visual.

Quando começou a última música, "Sheep", o famoso porco inflável cor-de-rosa surgiu sobre o estádio, puxado por cabos. Frases de protesto como "O Brasil está sendo vendido", "Assassinos, deixem nossas crianças em paz" e "Salve a Amazônia" estavam escritas no balão em forma de animal. Ao final da canção, enquanto a banda tocava em meio a labaredas de fogo que saíam do chão do palco e de uma das colunas laterais, o porco foi solto sob os aplausos da platéia.

"Dark Side of The Moon"
Após 15 minutos de intervalo, Roger Waters voltou para apresentar as músicas do disco que dá nome à turnê. Considerado a obra-prima do Pink Floyd e um dos principais álbuns do rock, "The Dark Side of The Moon" já vendeu mais de 40 milhões de cópias em todo o mundo desde seu lançamento.

Apresentadas na mesma ordem em que aparecem no disco, algumas das canções foram encurtadas, como a instrumental "Brain Damage", que acabou soando como uma introdução à seguinte, "Eclipse".

Waters dividiu os vocais com os demais integrantes da banda, que cantaram as músicas interpretadas originalmente por David Gilmour, guitarrista do Pink Floyd. Entre elas estão "Money", cantada pelo guitarrista Dave Kilminster, e "Us and Them", que ficou a cargo do tecladista e guitarrista Jon Carin.

O clássico prisma que ilustra a capa do disco surgiu sobre a banda na canção "Eclipse". Um feixe de luz branca e lasers vermelho e verde saíam do aparato em direção às arquibancadas do estádio, para delírio do público.

Após apresentar os músicos que o acompanhavam e agradecer a fervorosa acolhida do público paulistano, Waters deixou o palco por alguns instantes, até retornar para o bis que encerraria a noite.

A primeira música foi "Another Brick in The Wall pt.2", que provocou uma verdadeira catarse na platéia. Para cantar com Roger Waters, entraram no palco 15 integrantes do projeto Guri, organização social na área da cultura. Com camisetas em que se liam "O medo constrói muralhas", os jovens foram cumprimentados, um a um, por Waters ao final da canção.

Em seguida vieram "Bring the Boys Back Home" e outro ponto alto do repertório, a bela "Comfortably Numb", que fechou a noite com o coro do estádio.(FERNANDO KAIDA)

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