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31/05/2007 - 22h16Disco que mudou os rumos do rock, "Sgt. Pepper's", dos Beatles, faz 40 anos
Da Redação
"Hoje faz 20 anos que o sargento Pimenta ensinou a banda a tocar". Com essa frase os Beatles abrem o álbum "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", que completa 40 anos nesta sexta-feira (1º). Além de ser considerado a obra-prima dos banda, o disco é um marco da música pop e da revolução cultural desencadeada em 1967 com seu "verão do amor". Para comemorar a data, a rádio BBC2 de Londres transmitirá um documentário com artistas atuais como Oasis, The Killers e Kaiser Chiefs interpretando as músicas do disco. Não é a primeira vez que a mídia organiza tributos deste tipo. Outras publicações inglesas, como o jornal "New Musical Express" (em 1988) e a revista "Mojo" (em março deste ano), já lançaram discos com artistas contemporâneos interpretando o álbum na íntegra. Em Liverpool, cidade natal dos Beatles, haverá uma iniciativa conjunta entre a empresa Beatles Story, que promove passeios turísticos por locais relacionados à banda e o Casbah Coffee Club, local onde os Fab Four (apelido pelo qual os quatro músicos ficaram conhecidos) tocaram no início da carreira. Ambos promoverão uma exposição de ítens originais da capa de "Sgt. Pepper's", como as medalhas militares usadas por John Lennon na fotografia. O Álbum "Sgt. Pepper's" foi eleito o maior disco de todos os tempos pela revista "Rolling Stone" em 2003. Com arranjos inovadores, técnicas de gravação e concepção gráfica inéditas, o disco mudou os rumos do rock e fez com que os álbuns passassem a ser definitivamente o principal formato da produção musical, papel antes ocupado pelos singles. Como um livro, com começo, meio e fim, "Sgt. Pepper's" distribui em seus quase 40 minutos algumas das canções mais memoráveis da discografia dos Beatles. Além da faixa-título, destacam-se as afetivas "With a Little Help From My Friends" e "When I'm 64" (por coincidência, a idade atual de Paul McCartney), a psicodélica "Lucy in The Sky With Diamonds" (cujas iniciais, "LSD" não eram, de acordo com John Lennon, uma referência ao alucinógeno) e a épica "A Day In The Life", faixa mais ambiciosa do disco. "Sgt. Pepper's", no entanto, não surgiu do nada. O álbum foi o ápice de um processo evolutivo iniciado com "Rubber Soul", lançado no final de 1965, disco que marca o início da fase "séria" na carreira da banda. Em seguida, "Revolver", de 1966, deu início à psicodelia e experimentalismo que continuariam no começo do ano seguinte, no compacto com "Strawberry Fields Forever" e "Penny Lane". Destinadas originalmente para "Sgt. Pepper's", as duas faixas serviram de aperitivo para o que viria a seguir. As sessões de gravação do álbum, que duraram 129 dias, foram as primeiras realizadas sem as pressões das turnês, encerradas para sempre em agosto de 1966 (meros dois meses antes do início da gestação de "Sgt. Pepper's"). Transformados num grupo de estúdio, os Beatles tiveram a chance de desenvolver todo seu potencial criativo sem interrupções e evoluir musicalmente a um nível jamais atingido anteriormente por uma banda de rock. Além do aprimoramento na composição dos músicos, demonstrado pelos elementos eruditos de faixas como "She's Leaving Home", a obra é marcada por experiências inéditas até então, como o final épico de "A Day in The Life", em que todos os instrumentos de uma orquestra tocam ao mesmo tempo todas as notas possíveis, da mais grave à mais aguda. Em "Being for the Benefit of Mr Kite" a voz de Lennon é acompanhada por uma colagem de sons de realejos, música de carrossel e outros sons de parques de diversão, antecipando a técnica utilizada décadas depois na música eletrônica com o advento do sampler. Inspirado musicalmente nos arranjos orquestrais do álbum de 1966 "Pet Sounds", dos Beach Boys, e nas idéias de "Freak Out", lançado no mesmo ano por Frank Zappa, o objetivo de "Sgt. Pepper's" era contar a história de uma banda ficcional e seus personagens paralelos. No entanto, conforme foram surgindo as composições, o projeto foi abandonado e, exceto pela faixa-título e pelas fardas de banda militar que os quatro vestem na capa, nada restou da idéia original. Ao contrário do que muitos pensam até hoje, "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" não é um disco conceitual. Na ocasião do lançamento, o crítico britânico Kenneth Tynan afirmou em sua resenha no jornal londrino "The Times" que, mais do que um mero disco pop, aquele era um "momento significativo na história da civilização ocidental". Depois de "Sgt. Pepper's", o rock virou coisa de gente grande. Capa A capa do LP, criada pelo artista Peter Blake, mostrava modelos de cartolina em tamanho real de cerca de 70 celebridades históricas, como Sigmund Freud, Bob Dylan, James Dean, Marlon Brando, Oscar Wilde, o Gordo e o Magro, entre outras, "posando" para um retrato atrás dos Beatles. A parte polêmica é que além das personagens que saíram na versão oficial do disco, havia originalmente uma foto de Adolf Hitler, colocada ali a pedidos de John Lennon e retirada no final para evitar controvérsias. (PEDRO CARVALHO)
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