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13/09/2007 - 20h58Maria Rita quer se "desengessar" com disco de sambas
GUSTAVO MARTINS
"Meus dois últimos discos estavam formando uma aura de diva intocável que não combina comigo." As palavras são da cantora Maria Rita, durante coletiva de imprensa realizada no Rio de Janeiro e transmitida por videoconferência para jornalistas de todo país nesta quinta-feira (13), justificando o porquê de gravar apenas sambas em seu novo disco, "Samba Meu". Segundo a cantora, a idéia não foi transformá-la em uma sambista de raiz, mas satisfazer uma "necessidade muito íntima de dar uma desengessada". "O samba é mais jovial, alegre, e combina mais com o meu momento de vida", afirmou. Para ela, o samba seria também "uma forma de nostalgia", por conta dos anos em que morou fora e ouvia artistas como Fundo de Quintal para lembrar-se do Brasil. "O pão de queijo e o guaraná já não estavam funcionando", brincou. O disco, produzido por Leandro Sapucahy e co-produzido pela própria cantora, traz seis composições do sambista Arlindo Cruz, ex-integrante do Fundo de Quintal, além de músicas de Gonzaguinha, Serginho do Meriti e os novos nomes Rodrigo Bittencourt e Edu Krieger. Marcelo Camelo, ex-Los Hermanos, tinha uma música encomendada, não entrou no disco porque "a gravação terminou antes", disse a cantora. O samba e suas variantes mais cariocas dão o tom das 14 faixas, mas o trio de piano, baixo e bateria, característico dos primeiros trabalhos de Maria Rita ("Maria Rita", de 2003, e "Segundo", de 2005), continua presente. "Isso foi uma decisão do Leandro [Sapucahy], por mim já ia radicalizar tudo de vez", afirmou. O disco teve arranjos de Jotinha Moraes, que Maria Rita elogiou como "mestre", e participação do grupo de choro Galo Preto e da Velha Guarda da Mangueira. Paulinho da Viola estava na primeira lista de convidados, mas a cantora e o produtor Sapucahy decidiram não chamá-lo para "não dar uma impressão errada, de alguém de fora do samba querendo gravar com alguém de dentro para se tornar autêntico". Ao longo da coletiva, alguns jornalistas levantaram a coincidência de Marisa Monte também ter lançado, em 2006, um trabalho dedicado ao samba (dividido nos discos "Universo ao Meu Redor" e "Infinito Particular"). Maria Rita admitiu que não tem a mesma "vivência de samba" que a cantora, e que o "Infinito Particular" foi uma preocupação quando decidiu pelo foco do projeto. "Não queria que pensassem que estava fazendo isso por modismo, mas como sempre faço as coisas com paixão, acreditei que era o certo", afirmou. Maria Rita teceu muitos elogios a Marisa Monte, bem como a cantoras mais novas como Vanessa da Matta, Céu e Roberta Sá. Maria Rita disse estar imaginando algo muito "alegre e brilhante" para a turnê de divulgação do disco, que vai começar ainda este ano e tem programadas passagens por Estados Unidos, Europa e "até Israel". Para projetos futuros, a cantora deu pistas de novas parcerias internacionais, como a que fez no disco "12 Segundos de Oscuridad" do uruguaio Jorge Drexler, e da intenção de gravar um álbum só com músicas compostas por mulheres.
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