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09/12/2007 - 12h11Maurício Takara, Phoenix e She Wants Revenge foram destaques do Nokia Trends
PEDRO CARVALHO
A sétima edição do festival Nokia Trends reuniu cerca de quatro mil pessoas no Memorial da América Latina, na noite deste sábado (8), em São Paulo. O multiinstrumentista paulistano Maurício Takara, os franceses do Phoenix e os norte-americanos do She Wants Revenge foram os destaques da longa programação, que foi das 20h até depois das 5h deste domingo. DJ Hisato abriu a noite no lounge de entrada do evento com uma discotecagem que misturou clássicos do pop e rock e música eletrônica, enquanto o público ainda chegava aos poucos ao local. Às 22h20, Maurício Takara, conhecido por seu trabalho com os pós-roqueiros Hurtmold, subiu ao palco para mostrar a primeira versão da sua Banda Multimídia. Com o músico Carlos Issa (Objeto Amarelo) nos computadores, Takara apresentou um tema quase psicodélico durante o qual tocou trompete --cujo som foi alterado com o uso de uma pedaleira de efeitos-- e bateria. O músico voltou ao palco mais três vezes durante a noite para jam sessions com convidados. Cerca de meia hora depois o galpão concentrava algumas centenas de pessoas para ver a apresentação do carioca Kassin e seu projeto Artificial. Munido de um videogame portátil Game Boy e um pequeno microfone, o produtor, cujo nome está nos créditos de discos de Caetano Veloso e Los Hermanos, criou bases dançantes e muito barulhentas. Ainda assim, quase ninguém dançou, num comportamento que se repetiria até o final da noite. A primeira atração internacional, o quarteto australiano Van She, começou sua apresentação às 22h45. A banda pratica uma interessante mistura de grooves dançantes, guiados por baixo e bateria, com vocais e guitarras de orientação indie e teclados provenientes do pop eletrônico oitentista. A platéia, que começava a crescer, foi receptiva, ainda que pouco familiarizada. "Não conhecemos ninguém aqui, por favor venham conversar com a gente", pediu o vocalista Nick Routledge, quase envergonhado por estar ali. À meia-noite e meia, Takara voltou para mais 20 minutos de improvisos, dessa vez com a participação dos rappers Akin e Rodrigo Brandão (Mamelo Sound System). Foi uma boa introdução para a primeira das grandes atrações da noite, o Underground Resistance. O coletivo, fundado em 1989 pelo produtor Mad Mike, um dos figurões da cena tecno de Detroit (cidade natal do gênero), deixou evidente as origens negras da música eletrônica e sua relação com o funk e o jazz. A mistura de batidas eletrônicas e bateria acústica, saxofone, teclados e baixo do grupo impressionou em seus melhores momentos, porém, em certas horas o repertório soou como uma espécie de jazz fusion comercial que não empolgou. O público, que assistia interessado, não dançava como seria de se esperar numa apresentação deste tipo. Nos cerca de 25 minutos seguintes, Maurício Takara recebeu seu irmão Daniel Ganjaman (integrante do coletivo Instituto, ex-Planet Hemp e produtor do disco mais recente dos Racionais MC's, entre outros) nos teclados e Kassin no baixo para uma sessão de jazz, ritmos latinos, eletrônica e melodias vindas do dub nos teclados. E assim se encerrou a excelente participação de Takara nos intervalos entre as atrações do palco principal. A banda francesa Phoenix, nome mais roqueiro da noite, conquistou a platéia com um show calcado em seu novo álbum "It's Never Been Like That". Com climas "gloriosos" que resgatam o U2 dos anos oitenta traduzidos à linguagem atual, o grupo fez um show bastante seguro para uma banda pouco conhecida do grande público no Brasil. Nos hits "Everything is Everything" e "Run Run Run", parte do público chegou a ensaiar um coral, para deleite do carismático vocalista Thomas Mars, marido da cineasta Sofia Coppola. Após a volta do Van She ao palco paralelo para um set eletrônico cheio de remixes de bandas como Klaxons e The Bravery, começou às 4h15 o show mais aguardado da noite, da banda norte-americana She Wants Revenge. O grupo centralizado na dupla de ex-produtores de rap Justin Warfield e Adam Bravin costura elementos dançantes do pop eletrônico do New Order e Depeche Mode com a sonoridade cinzenta do pós-punk e vocais sorumbáticos que remetem a nomes como Bauhaus e Psychedelic Furs. O show, com material dos dois álbuns da banda, foi o mais agitado do festival. Animou o público remanescente com hits alternativos como "Tear You Apart" e ""Red Flags and Long Nights". Coube à dupla eletrônica carioca The Twelves servir de trilha para a saída da maioria do público. Ainda assim, os produtores conquistaram os poucos que ficaram com o auxílio seus remixes competentes, como o de "Boyz", da cantora M.I.A.. O evento foi bem organizado, com boa qualidade sonora e uma mistura interessante de artistas de tendências diversas. A proposta de realizá-lo em versão menor do que a do ano passado funcionou bem num tom mais intimista e possibilitou um foco menos comercial na escolha das atrações.
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