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12/03/2008 - 02h26

Interpol, cool, esquenta público em São Paulo

CLÁUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros


Lucas Lima / UOL

Apresentação do grupo Interpol em São Paulo (11/03/2008)

Apresentação do grupo Interpol em São Paulo (11/03/2008)


Os donos das casas noturnas roqueiras de São Paulo devem ter respirado aliviados ao saber que o único show da banda nova-iorquina Interpol na cidade cairia numa terça-feira, dia menos movimentado na noite paulistana. Todo mundo --mas tudo mundo mesmo-- que costuma lotar Astronete, Milo, D-Edge, CB, Funhouse e Inferno, entre outros, esteve no Via Funchal para ver a apresentação do grupo, que reuniu mais de 5.000 pessoas na noite desta terça-feira (11).

Os rapazes do Cachorro Grande abriram a noite pontualmente às 21h30, tocando por cerca de 30 minutos. O estilo dos gaúchos não tem nada a ver com o do Interpol, mas o show já deu pistas de que a qualidade técnica do som deixaria a desejar.

Às 22h35 os quatro moços cool do Interpol (reforçados por um tecladista) subiram ao palco e logo atacaram "Pioneer to the Falls", a canção de abertura do disco de 2007, "Our Love to Admire". A reação da platéia não deixou dúvidas: o grupo a tinha nas mãos. A pulsante "Obstacle 1", do CD "Turn on the Bright Lights" (2002), o de estréia e ainda o melhor do Interpol, sinalizou que ninguém ia desistir de cantar junto.

Ao longo do show, a animação do público contrastou com a postura algo distante do Interpol, que, tendo como pano de fundo uma iluminação sóbria e uma tela com imagens abstratas, e a bordo de terninhos bem cortados (apesar do calor que fazia no Via Funchal), ia desfiando as canções sem grandes poses ou movimentações no palco --a exceção era o guitarrista Daniel Kessler, totalmente entregue à busca de sons agudos e sinuosos, como se fosse um The Edge (do U2) em rotação lenta.

A cada vez que abria a boca para cantar, o loiro vocalista Paul Banks, esguio e com cara de menino tímido (deve ter sorrido umas duas vezes ao longo do show, e o pouco que falou foi para dentro, ininteligível), deixava claro que suas reclamações pela constante comparação do Interpol com o Joy Division devem ser mera retórica. O timbre é o mesmo do lendário vocalista Ian Curtis, as inflexões são as mesmas. Mas, no geral, o som dos nova-iorquinos é surpreendentemente original, apesar de grave e soturno como aquelas bandas que, um dia, foram chamadas no Brasil de "dark". Mesmo devendo muito ao espírito pós-punk, não dá para dizer que o Interpol soa derivativo.

E os rapazes são bons músicos. Se Kessler é o destaque, vale notar que o baixo de Carlos Dengler (que apareceu sem seu tradicional bigode) alterna melodia e pulso sem grande esforço. O ótimo baterista Sam Fogarino se recusa a tocar de modo quadrado. Já a guitarra de Banks é mais discreta --ele passa longos momentos sem a acionar. Pena que tudo que o Interpol tocava acabava um tanto embolado no meio-campo da mesa de som e da acústica do Via Funchal.

O grupo tocou 18 músicas em cerca de 1h30 de show. Os pontos mais altos em termos de reação da platéia foram "Evil" e a agitada "Slow Hands", ambas do segundo disco, "Antics" (2005), além de "The Heinrich Maneuver", "Stella Was a Diver and She Was Always Down" (a mais "suja" da apresentação, com uma pegada meio punk) e a canção que abriu o bis, a quase-valsa "NYC", talvez a mais bela composição do Interpol. O show fechou apoteoticamente com a forte e rápida "PDA".

Quando as luzes se acenderam, a maioria da platéia tinha cara de felicidade e suor empapando os cabelos e as roupas. Essas pessoas vivem a música intensamente, e mereciam um som mais bem cuidado. Mas o Interpol fez a sua parte, e com méritos.


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