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13/03/2008 - 19h30The New York Times: Eu não sou minhas histórias, diz Kate Nash
GARY GRAFF
No caso de Kate Nash, o prejuízo do teatro foi o lucro da música. A cantora e compositora de 20 anos, uma artista premiada e que já ocupou o topo das paradas em sua terra natal, o Reino Unido, estudou teatro por dois anos na School for Performing Arts and Technology de Londres. Após não passar em um teste na Bristol Old Vic Theatre School, ela caiu de uma escada e quebrou o pé. Enquanto se recuperava, Nash pegou o violão que aprendeu a tocar no colégio e começou a se concentrar em suas composições. Ela não olhou para trás desde então. "Eu realmente estou empolgada com isto", diz Nash. "Eu acho que posso voltar a representar mais tarde caso queira, mas agora acho que estou me saindo muito bem aqui." E está. O álbum de estréia de Kate Nash, "Made of Bricks", chegou ao primeiro lugar das paradas britânicas em 2007 -em janeiro, ele estreou no 8º lugar na parada Billboard 200 dos Estados Unidos- e lançou os sucessos "Foundations", "Mouthwash" e "Pumpkin Soup". Ele lhe rendeu muitos prêmios, incluindo os prestigiados Brit Award de melhor cantora. É um início bem-sucedido semelhante ao da cantora conterrânea Lily Allen, com a qual Nash é freqüentemente comparada e que foi, de fato, uma das primeiras incentivadoras de Nash por meio de sua página no MySpace. E tudo parece ter desconcertado um pouco a Nash. "É empolgante e confuso. Eu nunca compus nada para ser tocado em algum lugar. Eu nunca me interessei em ser tocada em rádio, nunca pensei a respeito. Eu não sabia nada sobre gravadoras, empresários ou sobre a indústria. Nunca foi algo que passou pela minha cabeça. (...) E agora aqui estou." "É preciso aprender enquanto avanço. Eu tive muitas oportunidades criativas e escoadouros, o que é realmente legal." Um "piano realmente ruim" na casa de sua família, no bairro de Harrow em Londres, deu a Nash sua primeira oportunidade de fazer música, e ela teve aulas dos 7 aos 15 anos. Mais ou menos na mesma época ela começou a compor, influenciada pela combinação singular de música clássica, Beatles, Bikini Kill, Buzzcocks, Regina Spektor e trilhas sonoras de musicais de teatro e filmes. "Na escola, nas aulas de música, é preciso realizar alguma forma de composição como parte das provas", diz Nash, que freqüentou escolas paroquiais. "Eu parti daí, eu acho. Eu sempre gostei de composição criativa. Eu achava que gostava mais de escrever histórias, mas apenas continuei escrevendo." Suas primeiras canções, ela diz, eram "sobre amor aos 14 anos e política". Política? Sério? "Sim", diz Nash, que ainda mora com seus pais. "Quando fui para a escola, pela primeira vez fui educada sobre o mundo, a pobreza, o Terceiro Mundo e política. E tenho uma mãe que fala sobre política, conta histórias e é enfermeira, de forma que fala sobre vida e morte. Isto realmente me afetou." Mas pouco ou nada em "Made of Bricks" reflete uma inclinação política. "No momento não", reconhece Nash. "Pode ser algo que venha a revisitar depois, porque sou politizada. Eu adoro Billy Bragg (um cantor político britânico) e tenho opiniões, de forma que não me surpreenderia se escrevesse a respeito no futuro." Após quebrar o pé e redescobrir sua musa, Nash começou a se apresentar em clubes locais e então a disponibilizar suas canções em sua página no MySpace. Foi onde Allen a encontrou, e quando ela listou Nash como sendo uma de suas artistas favoritas, isto criou uma badalação que primeiro levou a um contrato com o selo independente Moshi Moshi -que lançou o single "Caroline's a Victim" (2007), que Nash gravou na Islândia- e depois com a influente Fiction Records britânica. "Caroline's a Victim" teve impacto suficiente a ponto de outra banda nova britânica gravar uma resposta/paródia chamada "LDN is a Victim", que apenas alimentou a ascensão de Nash. Quando "Foundations" chegou ao segundo lugar nas paradas britânicas, o status dela se consolidou. A canção soa autobiográfica, mas Nash a considera uma amálgama de suas experiências e as de outras pessoas. "Ela veio de uma amizade. É basicamente sobre seres humanos e como se viciam em coisas, como precisam de cobertores de segurança, redes de segurança para que se sintam seguros, mesmo quando não é saudável ou nem lhes faz bem nenhum. Então quando você se sente mal consigo mesma, quando você teve uma briga com alguém ou as coisas vão muito mal, você usa aquela pessoa porque ela sempre esteve lá, não porque realmente deseje vê-la ou falar com ela. E é difícil escapar disso." Muitos fãs vêem as canções em "Made of Bricks", seja a arrasadora de garotos "Mouthwash" ou canções mais românticas como "Pumpkin Soup" e "Nicest Thing", como puramente autobiográficas. Nash diz que não. "Eu sou uma contadora de histórias. Eu gosto de escrever histórias. Conter algumas pitadas de verdade é uma coisa -todas as canções estão relacionadas à minha vida de alguma forma. Mas os personagens são inventados. Eu me sinto mais à vontade fazendo isso." A fama recém-encontrada por Nash lhe permitiu participar de importantes festivais de música e programas de televisão britânicos, incluindo o "Later with Jools Holland" e o especial de Natal do "Top of the Pops" da BBC. Ela também se tornou uma artista convidada bastante requisitada, cantando para os rappers Kano e Lethal Bizzle. E enquanto trabalha para expandir seu sucesso na América do Norte -"É de acabar com os nervos", ela diz- Nash também está trabalhando em seu segundo álbum. Ela fala sobre novas canções como "Doo Wah Doo" e "Paris", assim como descreve o impulso criativo que foi estimulado por tudo o que aconteceu com ela até agora. "Houve um momento, no início disso tudo, quando não estava compondo, que realmente me incomodou", lembra Nash, que também iniciou um fanzine como "um escoadouro para coisas criativas" como contos. "Eu fiquei sobrecarregada e muito ocupada e confusa. Agora estou ficando mais à vontade com o que me cerca. Eu estou aprendendo sobre a indústria -e aprendendo a ignorá-la!" "Eu estou encontrando tempo para pegar meu violão e ter idéias e coisas assim. É fácil demais esquecer de ser criativa. Eu não quero deixar que isso aconteça comigo." (Gary Graff é uma jornalista free-lance baseado em Beverly Hills, Michigan) Tradução: George El Khouri Andolfato
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