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20/06/2008 - 10h41
Goldfrapp faz apresentação hippie-chique para abertura do 15º Sónar

ANTONIO FARINACI
Colaboração para o UOL, em Barcelona


Divulgação

A cantora Allison Goldfrapp durante show no Sónar, em Barcelona (19/06)

A cantora Allison Goldfrapp durante show no Sónar, em Barcelona (19/06)


Começou nesta quinta-feira (19), em Barcelona, a 15ª edição do festival Sónar. Com uma programação que busca apresentar o que de mais vanguardista há no cenário musical e de arte multimídia (cinema, animação e jogos tecnológicos), o evento, que vai até o próximo sábado, teve como principal destaque de seu primeiro dia a cantora Allison Goldfrapp. Apresentam-se ainda no festival a dupla Justice, que toca no Brasil em setembro, além de grupos como Neon Neon e Hercules and Love Affair.

Uma das principais atrações da escalação deste Sónar, Goldfrapp apresentou na noite de abertura do festival um show focado principalmente no repertório de seu disco mais recente, "Seventh Tree" (2008), e no anterior, "Supernature" (2006). A cantora entrou no palco da Fira Gran Via, galpão localizado fora da cidade, a cerca de meia hora do centro, ao redor das 23h30 e fez um show impecável e intenso, com uma hora e meia de duração.

Com a cabeleira loira desgrenhada, descalça e com um minivestido de manga-morcego, salmão, enfeitado com pompons de tule, no visual, a cantora encarnava uma diva hippie-chique. Nos arranjos, no entanto, Goldfrapp reaproximou as músicas do disco novo, de atmosfera francamente folk e reflexiva, ao pop dançante que havia marcado sua carreira até agora, principalmente desde "Black Cherry" (2003). A escolha foi acertada para o tamanho do lugar e para garantir a animação da platéia de cerca de 2.000 pessoas que a assistiram de pé.

No palco, intrumentos "hiperacústicos" como flauta doce e harpas se misturavam à eletrônica para criar o clima de cabaré que Goldfrapp domina como poucos artistas de sua geração. Destaque para a ironia paz e amor de "Happiness" (que dá a receita para a felicidade: "doar todo seu dinheiro"), para a melancólica "Clowns" (em que o timbre de Allison faz lembrar Kate Bush), e para o megasucesso "Ooh La La" (que virou até trilha de propaganda de carro).

Depois da cantora inglesa, apresentaram-se ainda na Fira Gran Via a iraniana Leila, com os experimentalismos que lhe renderam colaborações com Björk em 2005, na trilha de "Drawing Restraint 9", e o DJ Ben Watt, do duo inglês Everything but the Girl (será que eles serão os próximos a "voltar"?), que embalou a platéia até alta madrugada.

Programação diurna
O Sónar conta ainda com uma intensa programação de shows, exposições e de filmes, parte da programação diurna do festival, e como é verão no hemisfério norte, e sol brilha até tarde, entenda-se "diurno" como tudo o que está programado até as 21h, no complexo montado nas imediações do Museu de Arte Moderna de Barcelona, o Macba, e do Centro de Cultura Contemporânea, o CCCB, próximos ao centro.

Lá, num palco montado ao ar livre, o SonarVillage, apresentam-se grupos menos conhecidos, e, que, por isso mesmo, dão a identidade do festival, que se quer plataforma de novidades. Alguns dos destaques dessa programação são o inglês Kid Acne, que mostra seu hip hop retrô neste sábado, e os ótimos Christopher D. Ashley e Little Dragon, que se apresentaram na quinta. Os músicos do grupo do Congo Konono nº1 não conseguiram vistos de entrada e cancelaram sua participação no festival.

Para a programação dedicada a tecnologia e multimídia, o festival montou uma espécie de parque de diversões hi-tech, no CCCB, chamado SonarMàtica, com jogos interativos e instalações multimídia de ponta. Destaque para "levelHead" (julianoliver.com), espécie de labirinto 3-D, dentro de um cubo; "We Are the Time, We Are the Famous" (www.fabrica.it), uma bonita instalação interativa em vídeo que cria imagens espectrais dos visitantes, e "The Beijing Accelerator" (www.marnixdenijs.nl), espécie de cinema 360º em plataforma individual.

Filmes de curta e média metragem estão na programação diária do festival, com destaque para "Part of the Weekend Never Dies", que registra uma turnê do grupo belga Soulwax, em 2006, e "What the Future Sounded Like", documentário sobre o EMS, estúdio pioneiro de música eletrônica, nos anos 60, no Reino Unido.

Além dessas programações, os visitantes podem ainda ver uma exposição em cartaz no CCCB, que reuniu dez fotógrafos da agência Magnus para refletir sobre a influência do cinema em seu trabalho. Destaque para o tocante audiovisual (projeção de filmes e fotos) apresentado pelo belga Harry Gruyaert, que fala sobre o fim do amor à luz de Michelangelo Antonioni.

O Sónar acontece até o próximo sábado (21), e trará, entre outras, apresentações de Diplo, Buraka Som Sistema, MIss Kittin', Roísín Murphy e Camille, além dos veteranos oitentistas do Madness e Yazoo.
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