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21/06/2008 - 14h01Justice empolga platéia do Sónar como Daft Punk genérico
ANTONIO FARINACI
Uma das atrações mais aguardadas da programação noturna de sexta-feira (20), no Sónar, a dupla francesa Justice empolgou uma platéia de cerca de 6.000 pessoas com um show com 60 minutos cravados, cheio de efeitos apoteóticos de luz e som. Os produtores franceses apresentaram músicas de seu único disco, de 2007, conhecido como "Cross" (que não tem nome grafado na capa, apenas a imagem de uma cruz), mas não deixaram de fora o estrondoso sucesso "Never Be Alone", de 2004, responsável pela fama do duo. Durante todo o espetáculo, os dois produtores ficam no centro do palco, emoldurados por uma parede cenográfica de amplificadores Marshall e têm à sua frente um crucifixo luminoso que se acende e apaga ao ritmo da música. O show começa no escuro, com acordes que vão se adensando e culminam com uma explosão de luzes e som que revela os dois músicos na penumbra, por entre a névoa de gelo seco, por trás da cruz. A platéia responde bem à maior parte dos efeitos de luz sincronizados com a música, embora as calmarias e apoteoses sejam absolutamente previsíveis. Hits de pistas como "D.A.N.C.E." ou a ótima "Tthhee Ppaarrttyy" fizeram a platéia dançar, mas a impressão que se teve foi de que o show só decolou mesmo na segunda metade, quando a dupla tocou uma versão extendida de "Never Be Alone" e quando a multidão realmente saiu do chão. Não apenas no som, mas na parafernália de palco e nos efeitos cenográficos, o Justice faz lembrar, e muito, seus conterrâneos do Daft Punk. Ser capaz de fazer uma imitação bem feita de algo tão poderoso pode ser considerado já uma qualidade, embora não seja uma virtude artística --principalmente num festival cuja tônica é apresentar artistas inovadores. O Justice é um sucesso inequívoco da música eletrônica (o single "D.A.N.C.E." ficou entre os dez mais da parada dance da Billboard e o disco "Cross" foi número um da parada eletrônica), o duo tem algumas músicas ótimas e apresenta um show competente. Mas falta uma fagulha, um viés próprio, um risco. Por isso, talvez, apesar de todas essas qualidades, o Justice não seja arrebatador. A dupla francesa Justice toca em São Paulo no dia 27 de setembro, dentro da programação do Skol Beats.
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